"Poucas coisas são boas como ver a criança lendo e saber que fiz parte disso"

Para Viviane conta que, no Magistério, achava que nunca ia querer trabalhar com alfabetização

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NOVA ESCOLA
Foto: Arquivo pessoal

Minha história da Educação é cheia de idas e vindas. Nasci e moro em Mogi das Cruzes, cidade na Grande São Paulo. Conclui o magistério, fiz Pedagogia e uma pós-graduação em Educação Infantil. Iniciei como professora eventual numa escola estadual de Mogi. Substitui professores de 5ª à 8ª série (na época chamava-se assim) por mais ou menos nove meses e, quatro meses depois, de 1ª à 4ª em outra escola do Estado. Após isso, lecionei em uma escola particular de Educação Infantil por um ano.

Depois de tudo isso, fui estagiária remunerada na Pedagogia antes de ficar um tempo desempregada. Acabei tendo uma crise existencial e decidi ficar um tempo longe da Educação, trabalhando como recepcionista. Com o tempo, refleti e voltei: prestei vários concursos e fui admitida como auxiliar de desenvolvimento infantil em Arujá [cidade vizinha a Mogi das Cruzes], onde trabalhei numa creche com crianças de 5 anos e berçário. Continuei estudando e fui chamada para assumir, em 2006, o cargo de professora de uma turma de 4ª série do Ensino Fundamental. Em 2007, fui professora de duas turmas de 1º ano e três de G4 (alunos de quatro anos) em Suzano [outro município vizinho a Mogi das Cruzes]. Já casada e pretendendo engravidar, fiz o concurso de Mogi e, com muito aperto no coração, desisti da Educação Infantil por questões financeiras. Assim, desde 2013 estou em Mogi como professora de Ensino Fundamental I.

Somando toda essa trajetória, são 15 anos na Educação. E é sempre algo recompensador. Nunca um ano é igual ao outro, sempre estou melhorando e alcançando novos resultados, novos objetivos, novas conquistas. Comecei a perceber que sei tudo de cada um dos meus alunos: cada dificuldade, cada conquista, cada passo percorrido, cada avanço, cada hipótese de escrita, cada necessidade... Dá uma enorme satisfação responder cada pergunta que fazem sobre meus alunos e saber do que cada um precisa para aprender a ler e escrever. E pensar que, no magistério, eu tinha muito medo de alfabetizar. Pensava que nunca iria querer isso. 

Hoje, mas já são seis turmas e ver, no final do ano, a criança lendo um livro e saber que eu fiz parte desse desenvolvimento, dessa descoberta, é muito bom. Ainda mais na escola em que trabalho desde 2014, que atende a uma comunidade carente em que há excesso de faltas e pouca ou nenhuma participação da família na vida escolar dos filhos. É um trabalho intenso, mas muito prazeroso. 

Viviane Figueiredo Barbosa, 37 anos, professora em Mogi das Cruzes (SP)

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