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10 de Outubro de 2017 Imprimir
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Com um lençol fiz uma cabana, e ler virou brincadeira

Professora do Rio conta como uma prática de sua infância inspirou um projeto para alunos do Fundamental 1

Por: NOVA ESCOLA
Ilustração: Getty Images
Esse texto é parte do especial de Dia dos Professores de NOVA ESCOLA. Para ver outros relatos de professores, clique aqui. Para mandar a sua história, mande um e-mail para novaescola@novaescola.org.br.

Sou professora de turmas de 2º ano do Fundamental 1 e em 2014 criei o projeto "Cabaninha da Leitura". A ideia partiu da frase do escritor Rubem Alves, que dizia "Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar". A partir daí, lembrei que, quando eu era criança, adorava brincar de cabaninha. Resolvi resgatar a brincadeira, mas inserindo os livros, pois percebi que o ato de ler nem sempre é algo prazeroso para as crianças. E, como são alunos recém-alfabetizados, eles precisam muito praticar e respirar leitura.

Montei uma cabaninha no meio da minha sala de aula: comecei levando lençol -- da minha casa mesmo -- e depois passei a usar TNT. Feito isso, distribuí vários livrinhos e gibis em potinhos e pedi para que cada criança pegasse o que mais gostava e escolhesse um lugar da cabana para ler. Os pequenos podiam ficar deitados ou sentados na almofadinha que haviam trazido de casa. A almofada é parte crucial do projeto, pois torna tudo muito aconchegante, as crianças ficam realmente muito à vontade.

No início foi um pouco complicado, pois os alunos ficam eufóricos querendo mostrar o que estão lendo para os amigos, mas logo na terceira vez que fiz a cabana, eles já começaram a compreender que o momento de leitura precisa de silêncio e passaram a se concentrar durante um tempo inteiro de aula. A partir de então, eles sempre me pediam para fazer mais vezes, recebi inúmeros relatos de pais que contavam que seus filhos ficavam em seus quartos brincando de cabaninha da leitura e que o interesse por livros aumentou. No final, as produções de texto melhoram de qualidade e a turma ficou muito mais criativa.

Outras professoras já vieram até mim para pedir mais detalhes sobre esse projeto da cabaninha, pois desejavam realizá-lo também em suas turmas. Achei muito legal, pois acredito que ideias boas devem sem compartilhadas mesmo. Hoje trabalho no Colégio Pedro 2º, na Unidade de Realengo 1, no Rio de Janeiro, e pude expandir o projeto para a Sala de Leitura, onde monto a cabaninha. Ficou muito mais acolhedor, pois os alunos estão no meio de muitos outros livros e eu deixo a turma bem livre. As crianças podem ficar embaixo da cabaninha, das mesas, das cadeiras ou entre os corredores de livros.

Beatriz Nunes Alvarenga, professora de Educação Infantil e do Ensino Fundamental no Colégio Pedro 2º, Rio de Janeiro

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