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Como um meme no Facebook virou espaço de aprendizado

A conversa no ambiente virtual não pode ser negada pelos educadores

POR:
Greiton Toledo de Azevedo
Ilustração: Getty Images

A aprendizagem não tem lugar certo. Ela se mostra de muitas formas e não se limita apenas ao contexto de escola. Quem nunca aprendeu com o colega de classe em uma aula em uma conversa informal? Ou até mesmo com o professor nos corredores da escola? É no cafezinho, no recreio, na aula de música e, por que não?, no Facebook. 

Hoje, o professor pode lançar mão de diferentes recursos para a construção de significados de conceitos. Pela forma como se inseriu no dia a dia de quase todos, as redes sociais se tornaram fundamentais na efetivação da aprendizagem e é até contraditório negá-las como ferramenta de formação do estudante.

Vivi uma situação dessa recentemente, com um aluno que gosta muito de matemática, Eric. Ele viu um meme no Facebook que interrogava algo que não se fazia sentido dentro do conceito de fração. O estudante havia respondido a questão com criatividade e originalidade, de forma a também denunciar a ambiguidade que havia naquela questão.

Eric, achando engraçado a forma como aluno se expressou e ansioso para confirmar que aquele problema não havia uma resposta de cunho matemático, me chamou para um diálogo. E ali mesmo que foi feita um debate para esclarecer o teor do problema e o justificar dentro do conceito matemático. A dúvida é tirada e a compreensão começa a ganhar um papel importante.

O melhor é que o problema não se limitou ao diálogo entre professor e aluno, mas alcançou muitos outros (de diferentes partes do país) para ler esse mesmo diálogo e tentar entender o real significado daquela imagem. Um simples erro que chama a atenção de um aluno, mas acaba envolvendo o professor e muitos outros alunos para produzir de forma espontânea uma rede de aprendizagem coletiva. Tudo a partir da curiosidade na rede.

Percebe-se que uma simples imagem, que apresentava um erro conceitual matemático, gerou uma aprendizagem entre as muitas pessoas ali presentes. É ali mesmo, na rede social, que despretensiosamente, o conhecimento começou a ser construído. A troca, a curiosidade e o engajamento de entender um simples desafio na internet impulsionou várias pessoas a tentar fazê-lo/resolvê-lo. Aproveitar essas situações não é apenas necessário, como inevitável.

O Facebook, como outros ambientes virtuais, cria uma rede de possibilidades que incentiva a curiosidade, desperta o interesse e contribui no processo de aprendizagem por meio de diálogo, observação e análise. Seja como um vídeo que forma e informa, como uma mensagem que denuncia algo polêmico, como uma imagem que consegue despertar algum modo reflexão ou como um comentário que é visto por um especialista da área. Um especialista que pode ser um professor.

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