É correto vivenciar o preconceito para aprender?

Discriminação

POR:
NOVA ESCOLA
Telma Vinha. Foto: Marina Piedade E agora, Telma?

Telma Vinha é professora de Psicologia Educacional na Unicamp e tira dúvidas sobre comportamento.

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Pergunta enviada por Beatriz Braz, Santo André, SP

A proposta de fazer a criança sentir a discriminação para aprender tem sido muito discutida, principalmente após a divulgação do experimento de uma professora canadense. Ela inventou para uma turma de alunos de 9 anos que crianças baixas eram mais inteligentes e passou a incitar o preconceito. Se por um lado a experiência pode ter conscientizado algumas sobre as consequências da discriminação, por outro pode ter gerado angústias e novos conflitos. Os pequenos são heterônomos, isto é, entendem que as regras vêm de uma autoridade e a ideia do certo está relacionada à obediência ao adulto. É provável que muitos tenham discriminado os colegas por acreditar que era o que a docente desejava - podendo sentir culpa e sofrer retaliações ao fim da vivência. Da mesma forma, pode ter havido uma excessiva valorização dos que evitaram ofender os demais. Com essas ações, corre-se o risco de causar no aluno uma confusão entre o que é real e o que não é. Se a ideia é vivenciar situações e aprender valores, uma opção mais interessante é usar as dramatizações - como os exercícios de role-playing, por exemplo. Neles, os alunos exercem diferentes papéis em situações de conflitos morais próximas à realidade, aprendendo a se colocar no lugar do outro e a desenvolver a empatia. Eles representam um breve episódio de conflito ou problema de relações humanas que permita diferentes interpretações. Depois, discutem-no. Essas ações, aliadas a outras, favorecem a construção de instrumentos pessoais para solucionar conflitos autônoma e criticamente.

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