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05 de Setembro de 2017 Imprimir
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A tecnologia como aliada no combate ao bullying na escola

A criação de uma campanha com fotos, música e até um remédio fictício ajudaram a conscientizar os alunos

Por: Débora Garofalo
Alunos apresentam campanha contra o bullying (Débora Garofalo)

A questão surgiu rapidamente, já no início do ano letivo. Logo na primeira reunião de Pais e Mestres da escola em que leciono, algumas famílias levantaram a questão do bullying. Queixavam-se que alguns alunos não queriam retornar à escola, que outros recebiam apelidos caracterizados pela aparência física e que, em alguns casos, os estudantes sofriam perseguições e intimidações.

Desse modo, minha primeira ação foi frequentar o intervalo dos estudantes para observar suas ações. Lá pude entender como o ato ocorria e que necessitava ser esclarecido, inserido e discutido nas aulas. Montei uma sequência didática, usando as tecnologias como estratégia, para trabalhar com o tema, contemplando todas as turmas que leciono do 1º ao 9º ano. Abaixo o desenvolvimento do trabalho:

Inicialmente, expliquei o que era o bullying e apresentei o curta de animação “Que papo é esse: bullying” (ver abaixo), produzido pela Fundação São Pedro e Prefeitura de São Paulo, que retrata o assunto de uma forma simples, pontuando suas causas e consequências. No final, tivemos uma conversa aberta e franca, criando um momento de diálogo para que os estudantes pudessem falar abertamente sobre o assunto. Muitos choraram, relatando os casos ocorridos e pude constatar que a maioria que realizava o bullying também já o tinha sofrido.

Depois, nos aprofundamos na discussão e, com o apoio da internet, fomos pesquisar a fundo sobre o caso. No final da pesquisa, retornei o problema a eles com um questionamento: agora que conhecemos sobre o assunto, suas causas e consequências, quais ações podemos realizar na escola para combater o bullying? Dessa indagação saíram quatro ações:

1) Campanha "Diga não ao Bullying"

Os estudantes decidiram tirar fotos em preto e branco, com o uso de celulares, com a expressão séria, segurando palavras de incentivo ao combate, utilizando hashtags. Esse material foi divulgado nos canais da escola e também nas redes sociais. Nesse momento, exploramos também o cyberbullying, violência praticada contra alguém por meio da internet ou de outras tecnologias e que também era praticada pelos alunos.

Crédito: Débora Garofalo

2) Produção de músicas sobre o tema

A escrita da música foi realizada coletivamente pelos estudantes, onde escolheram o ritmo. Com o auxilio do software livre Audacity (editor de som), gravamos e remixamos as produções. As músicas foram apresentadas durante os intervalos, e de tão empolgante, era possível ouvir os estudantes cantarolando o refrão.

Crédito: Débora Garofalo

3) Produção de remédio

Para erradicar o bullying na escola, os alunos decidiram que era necessário criar um remédio. Durante o planejamento, encontramos o trabalho da professora Deyse da Silva Sobrinho, professora de Informática Educativa da EMEF José Bonifácio, em São Paulo, que havia desenvolvido o projeto Bullying, Respeite as Diferenças” com seus alunos.

Deyse contou que o projeto nasceu para salvaguardar e recuperar a dignidade de alguns estudantes, que estavam precisando de apoio e voz. O trabalho conceituou o bullying e suas consequências - para quem pratica e quem sofre - e, após uma enquete anônima, foi levantado que o assunto precisava de uma ação. Assim surgiu o "Siticol, antibullying ativus", um remédio fictício, sem contraindicações, com bula reflexiva, criada pelos alunos. Esse projeto foi vencedor de alguns prêmios, como o 5º Premio Professores do Brasil, 2º lugar no Premio Paulo Freire e 1º lugar no Premio Jardim da Educação.

Inspirado no trabalho da professora Deyse, desenvolvemos o genérico do Siticol, batizado de Precomol, o anti-inflamatório contra o preconceito. A pílula era confete de chocolate e a bula consistia em mensagens positivas para combater o bullying, denunciando qualquer forma de agressão. Assim, convidamos toda a comunidade escolar a conhecer as ações realizadas e receber o remédio.

Crédito: Débora Garofalo

4) Comissão de Alunos

Elegemos uma comissão de cincos alunos que ficaram responsáveis por conversar e observar os demais, mediando e resolvendo os possíveis casos de bullying. A cada três meses mudamos o grupo com nova eleição. Dar a oportunidade para responsabilizar os discentes foi fundamental para diminuir os casos e incidentes na escola.

As tecnologias foram importantes aliadas para desenvolver a oralidade, leitura e escrita, contribuindo para fortalecer o debate permanente sobre o tema, ao desenvolver habilidades e competências discursivas, utilizando a Língua Portuguesa no exercício social e de cidadania. Ela também também envolveu os alunos em uma prática pedagógica relevante, onde foi possível mobilizá-los e conscientizá-los, fazendo-os rever práticas e comportamentos.

Houve uma mudança significativa nas turmas após as ações. Os alunos se conscientizaram sobre o tema, atendendo e superando as minhas expectativas com o trabalho. Os jovens reconheceram a importância em se falar sobre o assunto e, durante as atividades, tomaram consciência de que discriminar a diversidade dos povos e de pessoas é uma atitude errônea. Foi o primeiro passo para o olhar critico sobre suas atitudes cotidianas, com vivências significativas que promoveram a aprendizagem e permitiram mudanças na comunidade escolar.

As possibilidades de trabalhar com esse tema em sala de aula são ilimitadas. Agora quero saber de você. Como estão abordando o bullying em suas escolas? Compartilhem conosco nos comentários para que possamos aprender e se inspirar com o trabalho de vocês!

Um abraço

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