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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita

04 de Setembro de 2017 Imprimir
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Como aprendi a fazer planos de aula

Para a blogueira Mara Mansani, prática e reflexão levam ao plano de aula perfeito

Por: Mara Mansani
Mara Mansani escreve plano de aula em sua mesa na sala de aula
A prática de organizar os objetivos de aprendizagem e refletir sobre as aulas lecionadas leva a planos cada vez mais aprimorados. Foto: Mariana Pekin

Faz tempo, mas me lembro bem dos primeiros planos de aula que precisei elaborar. Não sabia como fazer, nem por onde começar! Quanta dificuldade!

Estava no início do magistério. Fui pedir orientações para professoras mais experientes que eu. Elas me ajudaram muito, e sempre me perguntavam logo de início: "Qual é a sua intenção? O que você pretende nessa aula? Quais são os seus objetivos?". Esses questionamentos são a base do meu entendimento sobre a importância e o fazer de um plano de aula.

Nova Escola também fez parte dessa minha aprendizagem, com seus tutoriais, modelos e outros textos que exploravam o tema. Alias, comecei meu trabalho como professora no mesmo ano em que nasceu a primeira edição de Nova Escola (1986) e desde então seguimos esse caminho juntas.

Aprendi, praticando e estudando a teoria de especialistas como Zabala e Libâneo, que o planejamento das aulas é fundamental no processo de aprendizagem dos alunos. Além de orientar e organizar o trabalho em sala de aula, é também um momento de aprendizagem do professor, pois leva à pesquisa, ao estudo e à reflexão. Sem planejar, não sabemos onde queremos chegar e nem os melhores caminhos a percorrer.

Mas afinal, o que é preciso levar em conta ao elaborar planos de aula?

Voltando às perguntas de minhas experientes colegas, o primeiro passo é ter claro o que os alunos precisam aprender; o que eles já sabem; os conteúdos que serão trabalhados; as habilidades que precisam ser desenvolvidas; as melhores estratégias para desenvolvê-las e outras coisas.

Ao longo dos anos, meus planos de aula foram se transformando, ganhando mais qualidade, se ampliando, mas a estrutura básica permanece a mesma, separada em objetivos, conteúdos, tempo estimado, material necessário, desenvolvimento e avaliação.

Podem parecer óbvios, mas itens como "ano" e "disciplina" ajudam o professor - principalmente aquele polivalente, que leciona todas as disciplinas - a se organizar melhor: será que estou priorizando determinada disciplina em detrimento de outra? Será que os objetivos de aprendizagem estão adequados ao nível em que meus alunos se encontram?

Os objetivos são as metas estabelecidas que se pretende alcançar. Vale refletir: Qual a sua meta nessa aula? O que espera que os alunos aprendam? Quais habilidades precisam ser desenvolvidas?
Lembrete: Antes de estabelecer os objetivos, é recomendável ter realizado uma avaliação diagnóstica para saber o que os alunos já sabem.

Os objetivos e conteúdos devem ser articulados, pois relacionam-se entre si. Segundo César Coll, os conteúdos se agrupam em conceituais, procedimentais e atitudinais, ou seja, o que os alunos devem saber, fazer e ser.
Conceituais – Aprender a conhecer (conhecimento e diferenciação entre conceitos, informações, princípios, etc). Compreender, analisar, refletir, comparar, etc.
Procedimental – Aprender a fazer (O aluno experimenta, realiza ações na busca do conhecimento, etc.). Escrever, ler, desenhar, usar técnicas, etc.
Atitudinal - Aprender a ser (relacionados aos comportamentos esperados dos alunos). Cooperar, ser solidário, respeitar, etc.

Com base nos objetivos definidos, selecione os conteúdos procurando levar em conta os três agrupamentos.

Duração: Qual o tempo necessário para realizar a aula? 50 minutos, uma hora, um período letivo? Vale repensar esse item com frequência, para avaliar se você não está colocando muitas atividades em pouco tempo, ou esperando que seus alunos façam em 30 minutos algo que eles levam 15. Se for necessário mais tempo, talvez seja melhor organizar as aulas em uma sequência didática. Se for preciso, organize um cronograma com as etapas a serem desenvolvidas.

O desenvolvimento é o passo a passo, o como fazer, que explica quais e como as atividades serão desenvolvidas, quais estratégias didáticas serão utilizadas (slides, músicas, rodas de conversa, circuito, mapa conceitual, textos que explorem os temas, etc), como os alunos serão organizados (individualmente, em duplas ou grupos) e as possíveis intervenções do professor.

Recursos e materiais necessários: Que materiais serão necessários para desenvolver minha aula? Textos impressos, Datashow, Internet, áudios, vídeos, fotografias ou outras imagens, jogos, etc.

A avaliação deve estar presente em todos os momentos da aula. É a leitura de como foi a aprendizagem dos alunos, em relação aos diferentes conteúdos. É o feedback! Como foi o envolvimento e a participação dos alunos? Compreenderam a proposta da aula? O que eles aprenderam? Quais foram suas reflexões? O que deu certo na aula? O deixou a desejar? Suas estratégias deram conta de desenvolver o tema? O tempo foi suficiente? O que pode ser aprimorado para outra aula? Quais foram as dificuldades dos alunos? E as facilidades? Houve interação? Você foi mediador, facilitador do processo de aprendizagem dos alunos? Você atingiu sua meta? Esses são alguns questionamentos que auxiliam o processo de avaliação da sua aula e da aprendizagem da turma.

Para além dos itens necessários a um bom plano de aula, também tem algumas coisas que dizem respeito à preparação do professor, para que nós tenhamos formação constante para a elaboração de melhores planos, e consequementemente, melhores aulas:

Fontes: Quais teorias embasaram sua aula? Onde você pesquisou materiais teóricos ou práticos para o desenvolvimento? Livros didáticos, sites, revistas, outros professores, etc. Quantas fontes importantes perdemos por não fazer o devido registro!

Adaptações e variações: Muitas vezes é preciso criar variações em nossas práticas dentro da mesma aula, para atender um aluno que apresenta mais dificuldades que os outros em sua aprendizagem, ou que aprende de maneira diferente, que está em outro momento do processo de alfabetização ou um aluno deficiente. Sei que não é fácil fazer essas variações, mas é preciso para que todos avancem e possam aprender.

Bom, essa é a minha maneira de elaborar os meus planos de aula. É claro que eu também aproveito planos já feitos, mas sempre fazendo alterações de acordo com a minha avaliação e com as novas necessidades de aprendizagem dos meus alunos. Assim, vou criando meu próprio banco de aulas. É sempre bom lembrar que um plano de aula tem que ser flexível para atender a situações imprevistas e outras necessidades que se fizerem presentes.

E vocês, queridos professores? Como começaram a elaborar seus planos de aula e aprimoraram com o tempo? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço a todos e até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

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