Os impactos da crise grega na União Europeia

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Os impactos da crise grega na União Europeia

Bloco de conteúdo

- Geografia
- Economia e geopolítica

Objetivo


Debater as implicações da crise econômica grega na União Europeia

Conteúdos
Economia da União Europeia, crise econômica na Grécia

Tempo estimado

Três aulas

Introdução

Já se arrasta por mais de um ano uma grave crise econômica na Grécia, país membro da União Europeia que possui uma dívida de cerca de 150% do seu Produto Interno Bruto (PIB). O endividamento obriga o governo grego a adotar uma série de ações que pioram o desempenho da economia. Por exemplo: a diminuição dos gastos públicos por meio da diminuição da folha de pagamento dos funcionários públicos. A medida gera desemprego, que, por sua vez, leva à diminuição do consumo, fator que compromete o crescimento econômico. Aproveite a reportagem de VEJA Um chute na União Europeia e trabalhe com os alunos as causas que levaram o país a essa situação e as implicações da crise no bloco econômico.

Desenvolvimento

1ª aula
Discuta com os alunos a escala do episódio: a crise grega tem caráter nacional ou foi gerada em um patamar que atingiu o país em razão de suas fragilidades? Aqui temos no mesmo imbróglio: estados nacionais (escala global), União Europeia (escala regional), sistema financeiro contemporâneo (bancos privados) e algumas instituições estatais (escala nacional). Explique para a turma de que forma todas essas dimensões se relacionam, como elas estão reguladas entre si e como uma repercute sobre a outra. Muitos credores gregos não pagaram os empréstimos tomados com "base podre", ou seja, com garantias que perderam valor. É isso que se chama de desregramento do sistema financeiro. Novos empréstimos agora só poderão ser tomados com juros muito elevados. Isso significa que não será possível fazer uma dívida nova para pagar a antiga. Tal contexto levou o governo grego a recorrer a empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da agência de socorro da União Europeia, oferecendo garantias dos países mais ricos da União e do Banco Central da União Europeia. De algum modo, esses recursos podem ser chamados de públicos. O núcleo dirigente da União Europeia tem todo o interesse em proteger a Grécia para que a crise não se alastre pelo interior do bloco. Proponha um debate sobre as relações entre as diversas escalas em que as operações econômicas se dão no mundo contemporâneo. Vale ainda uma reflexão mais focada nas relações entre as escalas nacional e regional supranacional, que será representada pela União Europeia.

2ª aula
Leve para a sala de aula a discussão sobre a configuração do que denominamos mundo, composto por estados nacionais como figuras centrais da esfera internacional. Funciona assim ainda? Sim, por um lado, mas há novidades: empresas transnacionais e bancos operam com muito poder na esfera global. Além disso, temos a criação de Estados supranacionais, como a União Europeia. Mais que uma união econômica de parcerias convencionais, trata-se de uma ação que gera, como destacou a reportagem de VEJA, uma moeda pioneira - o euro - que não é nacional e sim supranacional. Trata-se de um processo integrador das nações que inclui ações que ultrapassam o plano econômico. Questione a turma sobre o quanto isso tem funcionado para dissolver as velhas divisões nacionais. A União Europeia está fracassando ou está tendo sucesso? Está vivendo um momento turbulento natural, pois suas ações ainda não tiveram tempo para se sedimentar, ou as dificuldades surgidas são realmente muito difíceis de superar? Peça que realizem uma pesquisa em torno dessas questões em revistas, jornais, sites e livros. Para orientá-la, aborde dois aspectos presentes na construção da União Europeia: qual é a organização atual do bloco e quantos países são seus componentes? Quantos e quais países estão reivindicando o pertencimento à União e que condições devem cumprir para entrar na União?

3ª aula
Países mais pobres recém-integrados à União veem essa participação no bloco como uma grande esperança de desenvolvimento. Discuta com a turma se a integração com uma organização supranacional, se a operação em mercados mais ricos e abrangentes e se o acesso a financiamentos e a programas desenvolvimentistas da União Europeia têm melhorado, de fato, a condição dos países mais pobres que entraram no bloco. Qual a mensagem que a crise atual da Grécia emite? O futuro será o de retomada do foco do desenvolvimento na escala nacional, ou de insistência nas políticas de integração? Vale, no caso do Brasil, pensar também nessas questões, pois o Mercosul e as outras possibilidades de integração na América estão aí e também existem dúvidas a respeito do que compensa fazer em termos de investimentos.

Avaliação

Avalie o desempenho dos alunos nas proposições durante a pesquisa e a participação nas discussões em classe.

Créditos: Jaime Oliva Cargo: Consultoria Formação: Geógrafo, professor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) da Universidade de São Paulo, e autor de livros didáticos.

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