Gramática no texto: sinônimos, homônimos e parônimos

POR:
professor

Objetivo(s) 

  • Analisar sinônimos, homônimos e parônimos como elementos de coesão.
  • Refletir sobre formas de referenciação na produção textual.

Conteúdo(s) 

  • Elementos de referenciação: sinônimos, homônimos e parônimos.


 

Ano(s) 

6º, 7º

Tempo estimado 

Cinco aulas

Material necessário 

Livro didático;

cadernos;

quadro branco;

dicionários.

 

Desenvolvimento 

1ª etapa 

 


Apresente à turma o texto abaixo.

Brincadeira acessível

Foi inaugurado ontem no parque Ibirapuera, em SP, um brinquedo acessível para crianças com deficiência.

A nova atração conta com rampas de acesso e corrimãos, para crianças com mobilidade reduzida, e piso tátil, para aquelas com deficientes visuais.

Segundo a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, o brinquedo também pode ser usado por crianças sem deficiência, já que a ideia é levar ao parque a perspectiva de inclusão - cadeiras de rodas, por exemplo, estão à disposição de todos os pequenos.

Hoje e amanhã, haverá no local atrações de circo, além de brincadeiras com intérprete de libras.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1110201014.htm. Acesso em 12 out. 2010.

Peça que os alunos observem como o brinquedo é mencionado no texto. No primeiro parágrafo, ele é apenas brinquedo. No segundo, é a nova atração. E, no terceiro, volta a ser brinquedo. Leve a classe a perceber que a expressão introdutória do segundo parágrafo expande a ideia de brinquedo - dizendo que ele é uma novidade no parque.

Feita essa análise, peça que os alunos identifiquem outra palavra ou expressão mencionada no primeiro parágrafo, retomada e expandida nos demais. Dê um tempo para que realizem a tarefa.

Veja se os alunos perceberam que se trata da palavra crianças. No primeiro parágrafo, elas são caracterizadas como crianças com deficiência. No segundo, há um desdobramento em crianças com mobilidade reduzida e deficientes visuais. No penúltimo, há uma nova especificação - crianças sem deficiências. Aparece, também, o termo pequenos, que engloba todas as crianças, com ou sem deficiência.

Para finalizar, proponha que os alunos busquem sinônimos para a expressão os pequenos. A tarefa pode ser realizada por meio da consulta a dicionários. Podem, também, perguntar aos pais, avós etc.

2ª etapa 

Inicie a aula realizando a correção da tarefa. Em seguida, proponha a leitura compartilhada do trecho abaixo.

Operação apreende mais de 140 aves silvestres no ES

A ação de combate ao tráfico de animais silvestres terminou na manhã desta sexta-feira

09 de janeiro de 2009 | 20h 57
Fabiana Marchezi, do estadao.com.br

Mais de 140 aves silvestres foram apreendidas nos últimos três dias durante a Operação Via Ápia, realizada no Espírito Santo por meio de uma parceria entre o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A ação de combate ao tráfico de animais silvestres terminou na manhã desta sexta-feira, 9, com a apreensão de curiós, espécie com risco de extinção no Estado, pixoxós e papagaios Chauã, ambos ameaçados no Brasil. Também foram identificados dez proprietários de animais com anilhas falsas.

Os agentes percorreram as regiões de Pedra Azul, Anchieta, Guarapari e Serra. Eles ainda apreenderam 186 artesanatos feitos com animais marinhos. Além disso, foram recolhidos brinco de pena de animais silvestres, dois cascos de tartaruga, e xaxim (planta em risco de extinção).

A multa por cada animal ameaçado de extinção é de R$ 5 mil. No caso de artesanato com animais marinhos - exceto concha - a multa pode variar de R$ 500 a R$ 50 mil por peça, dependendo do grau de ameaça de extinção da espécie.

Os animais serão encaminhados ao Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), localizado em Barra do Riacho, no município de Aracruz.

Todos os responsáveis foram autuados e respondem criminalmente, podendo pegar de seis meses a um ano de detenção. As multas aplicadas pelo Ibama somam R$ 429.400.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,operacao-apreende-mais-de-140-aves-silvestres-no-es,305038,0.htm. Acesso em 12 out.


Em seguida, faça um levantamento com a turma de termos e expressões utilizadas para fazer referência às aves silvestres mencionadas no título. Copie-os no quadro, na ordem em que aparecem.

Aves silvestres
Animais silvestres
Curiós
Pixoxós
Papagaios Chauã
Animais

Discuta com os alunos a relação entre esses termos. Proponha que a turma reorganize-os de acordo com seu campo de abrangência.

Animais
Animais silvestres
Aves silvestres
Curiós - Pixoxós - Papagaios Chauã.

Explique que, no caso da relação estabelecida entre esses termos, temos hiperônimos e hipônimos. Eles estão associados a uma maior ou menor abrangência de significados.

Como explica Ingedore Koch, professor da Universidade Estadual de Campinas, "hiperônimos e hipônimos são termos de um mesmo campo de sentido, em que um deles designa o gênero e o outro, a espécie".

Para que fique mais claro, dê alguns exemplos aos alunos. A palavra flor é hiperônimo de rosacravovioleta, que são seus hipônimos. Explique que não se trata, porém, de relações absolutas. Um termo pode ser hipônimo de outro mais genérico, e hiperônimo de algo mais específico.

Por exemplo:

Animal é hiperônimo de vertebrado.
Vertebrado é hipônimo de animal e hiperônimo de mamífero.
Mamífero é hipônimo de animal e vertebrado, mas é hiperônimo de roedor.

KOCH, Ingedore Villaça e ELIAS, Vanda Maria. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2008

A Gramática explica que "a estruturação do léxico em termos de hipônimos e hiperônimos é uma propriedade fortemente presente nas linguagens técnicas e científicas, caracterizadas pelo uso ostensivo de terminologias classificatórias".

Diga aos alunos que, na língua corrente, as relações são mais flexíveis. Os termos genéricos associam-se a termos específicos sem o rigor classificatório das linguagens técnicas. É assim que encontramos expressões como coisanegócioparte.

Retome com a moçada a notícia lida no início desta etapa. Peça que os estudantes procurem explicar as relações entre os termos selecionados. Comente com a turma que essas relações podem - e devem - ser utilizadas nas produções textuais que realizam. Por meio delas, é possível fazer a ligação entre as partes do texto, dando a elas a coesão - um dos atributos da textualidade.

3ª etapa 

Inicie a etapa com a leitura compartilhada da crônica de Ruy de Castro. Diga aos alunos que a crônica, texto normalmente veiculado na imprensa, é um gênero que apresenta de modo poético acontecimentos do cotidiano.

Instrumento do amor

RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - Outro dia, na ponte aérea, fui parado no raio-X do Santos-Dumont por estar "portando" um cortador de unhas. A senhora da esteira não perdoou: ou eu voltava ao balcão e despachava o instrumento pontiagudo ou teria de despejá-lo numa caixa destinada a objetos proibidos de entrar em aviões. Para não perder o voo, preferi me desfazer dele. E olhe que era um trim de estimação.

Pois, na sexta última, voltou a acontecer, só que em Congonhas. Desta vez, o objeto que eu "portava" era uma caixa de madeira de 36cm x 39cm, contendo um motor, dois pequenos alto-falantes, um prato giratório, uma haste equipada com um microestilete de diamante, um pino central e várias roldanas e polias. Além de botões de liga-desliga, próprios, talvez, para disparos automáticos, inclusive um chamado de "automático".

Ao ver a caranguejola - tão bem embalada por meus amigos Mercia e Mario Gabbay, que tinham me presenteado com ela -, as duas jovens do raio-X fizeram a esteira ir e voltar enquanto discutiam a finalidade do objeto. O qual poderia ser tudo, desde um instrumento de tortura até uma bomba-relógio ou uma máquina para fins imorais.

Então, perguntaram-me o que era. Respondi: "É um toca-discos Philips, modelo 243, de fabricação alemã. Tem amplificação própria, seu prato gira a 33, 45 e 78 rpm, e é equipado com uma cápsula contendo uma agulha para discos de vinilite e outra para discos de cera de carnaúba e guta-percha".

As moças nem piscaram. Insisti: "Eu sei, parece arma de terrorista. Mas é um instrumento do amor. Os pais de vocês já namoraram muito ao som desse equipamento".

Ao ouvir a palavra equipamento, elas respiraram e soltaram a esteira, liberando meu subversivo toca-discos. No qual, desde sábado tenho tocado 78s de Stan Kenton, Lionel Hampton e Spike Jones, fazendo o maior barulho a horas mortas.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1110201005.htm  Acesso em 12 out. 2010


Após a leitura, tire as eventuais dúvidas relativas ao vocabulário. Peça, então, que os alunos se coloquem em duplas. Proponha que identifiquem os sinônimos ou termos utilizados para nomear os dois objetos citados no texto. Peça que discutam se os procedimentos adotados pelo cronista para apresentar esses objetos são idênticos. Sugira que reflitam também sobre o papel da palavra equipamento na crônica.


Durante a correção, observe se os alunos conseguiram identificar os sinônimos ou expressões utilizadas para nomear os dois objetos:

cortador de unha
instrumento pontiagudo
trim de estimação

objeto
caixa de madeira de 36cmx39cm
caranguejola
objeto
toca-discos Philips
instrumento de amor
equipamento

Discuta com eles os procedimentos adotados. No primeiro caso, o elemento específico é utilizado de início para nomear o objeto - um cortador de unha. No segundo, o cronista parte do geral - o objeto - até chegar ao particular - toca-discos Philips. Quanto à palavra equipamento, ela parece mobilizar as atendentes, pois faz parte da visão cultural que possuem. Ou seja, encaixa-se no universo de expectativas delas.

Discuta com os alunos os usos que fazemos da palavra equipamento. Ela aparece em nosso vocabulário como um termo genérico, capaz de denominar a parafernália eletrônica que nos rodeia. Nesse caso, ocorre algo similar à ideia de foto/retrato, discutida anteriormente. Mostre aos alunos que cada momento histórico conta com termos mais ou menos usuais.

 

Avaliação 

Peça que os alunos redijam um comentário sobre a crônica de Ruy Castro. Nele, devem se atentar à palavra texto e utilizar um termo mais específico (hipônimo) e um sinônimo para fazer referência a ela. Esses termos devem ser sublinhados no comentário.  

Créditos: Conceição Aparecida Bento Formação: Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora universitária.

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