Entre a praia e a mata: qual é o futuro das restingas no Brasil?

POR:
novaescola

Objetivo(s) 

Conhecer as características das restingas no Brasil e relacioná-las às condições do clima, solo e sua associação com outros ecossistemas.
Reconhecer e analisar situações de devastação das restingas em função dos processos de ocupação da faixa litorânea brasileira.

Conteúdo(s) 

Biomas brasileiros. Restinga. Ocupação da faixa litorânea brasileira.
Leitura e interpretação de mapas e fotografias para compreender fatos e fenômenos geográficos.

Ano(s) 

6º, 7º, 8º, 9º

Tempo estimado 

Quatro aulas

Material necessário 

Atlas Geográfico; mapas de cobertura vegetal - original e atual - do Brasil e de áreas de restinga, fotografias de coberturas remanescentes de restingas e de ocupação das faixas litorâneas (veja indicações de sites em que esse material pode ser encontrado ao final deste plano).

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução

Convide os estudantes a saber mais sobre as restingas e avaliar os processos de produção dos espaços litorâneos que vêm ameaçando sua existência.

Texto de apoio ao professor - Restinga

Nem sempre percebidas em seu valor, extensão e importância, as restingas estão entre os ambientes mais afetados da faixa litorânea brasileira. Do ponto de vista geológico-geomorfológico, esses ecossistemas consistem em faixas ou línguas de areia depositadas paralelamente ao litoral, graças a processos dinâmicos de destruição e construção das águas oceânicas. São compostas, assim, por depósitos sucessivos de areia, barras na foz de rios, pequenas lagoas represadas entre as distintas faixas de areia.

Do ponto de vista biológico, de acordo com os geógrafos Sueli A. Furlan, da Universidade de São Paulo, e João C. Nucci, da Universidade Federal do Paraná, as restingas abrigam sobre os solos, em geral pobres e arenosos, matas com árvores que podem chegar a 15 metros de altura e densa vegetação arbustiva, com samambaiaçus, bromélias, palmeiras e lianas, num denso emaranhado de ramos, espinhos e folhas, que parecem ressecados. Aí aparecem também figueiras, jerivás e juçaras. Essas coberturas garantem a fixação dos solos na transição das praias para as matas das planícies costeiras.

Esses depósitos quaternários estão associados, em sua formação, à oferta de sedimentos, à ação de correntes marinhas junto à costa, à variação do nível do mar, expondo bancos de areia antes submersos, e à presença de obstáculos naturais como pontas, cabos ou recifes, que barram fluxos de sedimentos e formam bancos de areia. Portanto, as espécies de flora e fauna que aí vivem estão adaptadas a condições como solo arenoso e instável, insolação forte e direta, salinidade, influência dos ventos oceânicos e relativa escassez de água. Entre os majestosos exemplos, por seu porte e extensão, estão a restinga da Marambaia e de Maricá, no Rio de Janeiro, as do Rio Grande do Sul, que abrigam as lagoas dos Patos e Mirim, e a da Ilha do Cardoso, no litoral sul de São Paulo.

Já é fato conhecido que os processos de ocupação da faixa litorânea a partir do início da colonização do território brasileiro comprometeram os diversos ecossistemas litorâneos, caso das restingas e também das matas, mangues, praias e dunas. Contribuíram para isso a constituição de cidades, portos e estradas e, nos últimos anos, de empreendimentos imobiliários de alto padrão, como resorts e condomínios residenciais fechados, sempre à procura da melhor localização, junto às praias e ao mar.

Peça que os alunos se dividam em pequenos grupos e consultem atlas geográficos para identificar e reconhecer os diferentes domínios naturais brasileiros e respectivas coberturas vegetais. Solicite que examinem a distribuição das coberturas na faixa litorânea brasileira, identificando as vegetações remanescentes. Em seguida, peça que organizem os resultados das observações em relatórios parciais.

2ª etapa 

Como nos mapas do Brasil não é possível examinar detalhes da distribuição dos ecossistemas costeiros, apresente aos alunos mapas e fotografias de diferentes áreas de restinga para entenderem melhor a formação e disposição desses ricos ambientes. (veja algumas sugestões ao final deste plano). Com as imagens em mãos, mostre à turma as principais características da restinga, contidas no texto introdutório desta sequência. Peça que os alunos complementem os relatórios parciais com as novas informações.

3ª etapa 

A terceira etapa é dedicada ao estudo das principais ameaças às restingas. Para isso, peça que os estudantes pesquisem e selecionem imagens, dados e notícias sobre os principais problemas que atingem esses ambientes - loteamentos, grilagem de terras, especulação com terras urbanas, empreendimentos imobiliários, redes turística e hoteleira e outras. Proponha, também, que busquem informações sobre unidades de conservação criadas para proteger as restingas. São exemplos o Parque Estadual da Ilha do Cardoso e a Estação Ecológica da Jureia (litoral sul de São Paulo), a extraordinária Restinga da Marambaia (RJ) e o Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS). Peça, ainda, que procurem informações sobre leis e formas de regulação dos espaços urbanos que podem impedir a devastação do que resta dessas áreas - como os planos diretores e a existência de áreas de proteção ambiental urbanas.

4ª etapa 

Proponha que os grupos exponham os resultados do trabalho por meio de paineis ou cartazes com textos, fotos e mapas. Explique que a apresentação deve ter como base os relatórios parciais organizados nas primeiras etapas e os resultados das pesquisas. Instrua os estudantes a anotar suas principais conclusões e expor os resultados para os colegas e, se for conveniente, para outras turmas da escola. As discussões e considerações podem gerar dissertações individuais sobre o tema.

 

 

Avaliação 

Considere, em sua avaliação, as tarefas individuais e coletivas realizadas pelos estudantes. Leve em conta os relatórios parciais e resultados finais, assim como o domínio das noções e conceitos e habilidades de leitura e escrita em jogo. Os paineis devem ser avaliados de acordo com a distribuição adequada e de efeito visual de títulos, imagens, textos e fontes. É importante verificar se identificam os atores sociais responsáveis pelas virtuais ameaças às áreas de restingas e as ações do poder públicos e sociedade civil para contê-las. Quer saber mais? Bibliografia FURLAN, Sueli A.; NUCCI, João C. A conservação das florestas tropicais. São Paulo: Atual, 1999 (Série Meio Ambiente). GUERRA, A. T.; GUERRA, A. S. Novo dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2004 (Mapas de Vegetação e Retração da vegetação nativa). Internet IBAMA. Parque Nacional da Lagoa do Peixe Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP) Portal Geo Rio de Janeiro (mapas Restinga da Marambaia)  

Créditos: Roberto Giansanti Formação: geógrafo e autor de livros didáticos

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