Entendendo a Abolição da Escravatura no Brasil

POR:
professor

Objetivo(s) 

Reconhecer a complexidade da formação cultural brasileira.

Conteúdo(s) 

Escravidão;

Abolição;

 

Ano(s) 

4º, 5º

Tempo estimado 

6 h/aula

Material necessário 

Reportagem da Veja:

1ª ATIVIDADE

1-O professor apresenta a imagem abaixo solicitando que os alunos  façam a observação e   análise da mesma.  Nesse momento não se faz nenhum comentário ou socialização.

                                   http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/26/Emancipa%C3%A7ao.jpg

 

2-Em seguida propõe uma reflexão a partir das questões:   

a) O que está representado na imagem acima?

b) Que informação você pode extrair da imagem?

c) De que época é esta revista?

d) O que o patrão não quer que o escravo veja?

e)  Qual o motivo da preocupação do patrão?

f) Qual é o período da História do Brasil que está relacionado com a imagem?

g) Quais são os personagens da cena?

h) Formule uma hipótese que explica a cena.

i) Identifique as personagens retratadas.

j) Há critica na charge? A que ela se refere?

3- Com o objetivo de ampliar os conhecimentos dos alunos, o professor  informa que:

A charge apresentada é uma criação de Angelo Agostini   Era um homem da elite, (1843-1910) é um italiano que desenhou em vários jornais cariocas e paulistas da segunda metade do século 19 e início do 20. É tido como um dos pioneiros dos quadrinhos criador da Revista Ilustrada. Criticava a realidade social e política do final do Império e foi uma das mais eficientes formas de comunicação para uma parcela da população iletrada e descontente com a situação à  margem da sociedade.Era um homem da elite ilustrada, com seus parâmetros e visões de mundo. Era genial, mas elitista, como Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e outros.

4- Com a discussão anterior e as informações dadas, o professor solicita que cada um escreva um parágrafo descrevendo a cena retratada na charge.

5- O professor socializa a produção dos alunos e faz os comentários necessários.

 2ª ATIVIDADE

1-O professor organiza a turma em duplas para a leitura da entrevista do historiador Marco Antônio Villa falando sobre o processo do fim da escravidão no Brasil

Como foi o processo de fim da escravidão

A campanha cívica que pôs fim à escravidão no Brasil contou com a participação de vários setores da sociedade brasileira, à exceção dos grandes proprietários de terra - como os cafeicultores paulistas, que certamente perdiam com o fim da mão-de-obra escrava. É o que conta o historiador Marco Antonio Villa na entrevista que segue.

 

Como começou o movimento abolicionista do Brasil?

O abolicionismo foi um produto da década de 1880. Até então, o que havia eram tentativas emancipacionistas que queriam a extinção gradual do trabalho escravo, enquanto os abolicionistas desejavam a abolição total e imediata da escravidão.

 

Antes da Lei Áurea, a escravidão vinha perdendo força, não?

Sim. O primeiro golpe na escravatura foi a abolição do tráfico negreiro, ocorrido depois de 40 anos de pressões britânicas, através da lei Eusébio de Queirós, de 1850. Para os escravocratas, isso criou o problema de manter o trabalho compulsório sem o constante fluxo de mão-de-obra proveniente da África, devido à alta taxa de mortalidade entre os cativos causada pelas longas jornadas de trabalho, epidemias, castigos corporais e péssimas condições de alimentação e habitação.

 

Como os escravocratas resolveram esse problema?

Com o tráfico interprovincial. Entre 1850 e 1885, cerca de 150 mil a 200 mil escravos foram vendidos pelas províncias nordestinas para o sul cafeeiro. O comércio interprovincial aumentou devido à demanda sulista, mas também devido à crise da lavoura açucareira nordestina e os efeitos da seca de 1877-1879, que obrigou a venda de escravos em larga escala, acabando por se transformar em uma fonte de renda alternativa para a debilitada economia da região.

 

Houve outros fatores que favorecessem o emancipacionismo?

Sim, vários acontecimentos dos anos 1860. Por exemplo, a guerra do Paraguai, que se estendeu de 1864 a 1870. Milhares de escravos foram libertados para combater no lugar de seus proprietários. Além disso, houve a guerra civil americana, entre 1861 e 1865, que terminou com a vitória dos nortistas, favoráveis ao fim da escravatura. Houve a extinção da servidão na Rússia em 1861 e o fim da escravidão nos impérios francês e português. Tudo isso o emancipacionismo?

 

Os cafeicultores paulistas fizeram parte desse movimento?

É um equívoco associar os cafeicultores ao abolicionismo. Até as vésperas da abolição, o braço negro constituiu a base principal do trabalho nas fazendas de café. A introdução dos imigrantes europeus funcionou como uma fonte alternativa no fornecimento de força de trabalho, ocupou as brechas não preenchidas pelo trabalho escravo, que se tornava escasso e caro. A grande produtividade das terras da região permitiu aos fazendeiros paulistas adaptar-se mais rapidamente ao fim da escravidão, mas isso só ocorreu quando já não havia alternativa a não ser o trabalho livre.

 

Os cafeicultores eram a favor da escravidão. E quanto ao republicanismo?

O republicanismo teve pouca influência entre 1870 e 1885. A adesão de dom Pedro 2o à causa abolicionista abriu as portas a propaganda republicana, que começou a contar com o apoio dos conservadores. A relação entre os escravocratas descontentes com o apoio da coroa ao abolicionismo e o movimento republicano foi ficando cada vez mais estreita. A idéia republicana passa a simbolizar para os fazendeiros a possibilidade de manter seus privilégios de classe ameaçados pelo reformismo dos abolicionistas monárquicos, como Joaquim Nabuco e André Rebouças.

 

Joaquim Nabuco, aliás, merece destaque nessa história...

Certamente, a grande figura do movimento abolicionista, seu maior tribuno, foi Joaquim Nabuco. De 1878 a 1888 foi o principal representante parlamentar dos abolicionistas. Excelente orador e polemista, escreveu vários libelos antiescravistas e buscou apoio na Europa para o movimento, transformando-se num de seus símbolos e no alvo predileto do ódio dos escravocratas.

 

Quem participava do movimento? Quem eram os abolicionistas?

Gente de várias classes sociais, inclusive das elites políticas, como Nabuco, gente que pretendia reformar a monarquia, ou intelectuais brancos, como o teatrólogo Artur Azevedo e o poeta Castro Alves, ou negros como o advogado Luís Gama ou o engenheiro André Rebouças, ou mestiços como o jornalista José do Patriocínio. O próprio exército, que se formou na guerra do Paraguai e que contou com colaboração dos escravos. Além disso, as classes médias urbanas que começavam a ter significado na sociedade brasileira, os estudantes universitários, que vão desenvolver inúmeras atividades em prol da abolição.

 

Você pode dar exemplos dessas atividades?

Em São Paulo, por exemplo, a Sociedade dos Caifazes, um movimento abolicionista radical, liderado pelo advogado Antonio Bento de Sousa e Castro especializou-se em incentivar e organizar fugas de cativos. Utilizaram-se das ferrovias que, ironicamente, foram construídas para racionalizar o transporte do café, ou seja, a economia escravista, transformando-as em instrumentos que acabaram com a organização do trabalho. Do Oeste paulista, os escravos eram levados para São Paulo e daí para Santos, onde organizaram um grande quilombo, o Jabaquara, com cerca de dez mil habitantes.

 

A partir daí, como as coisas ficaram?

A abolição transformou-se num caminho sem retorno, quando o exército, em outubro de 1887, manifestou-se em petição à princesa Isabel, solicitando dispensa de perseguir os escravos fugidos. No final de 1887, a maioria dos fazendeiros acabou por se converter ao abolicionismo, ou melhor, por se resignar a ele. Em 13 de maio de 1888, depois de tramitar na Câmara e no Senado, a lei que abolia a escravidão foi levada à sanção da Princesa Isabel, que então exercia a Regência no lugar do pai. Não se deve ignorar a importância da Lei Áurea, que libertou cerca de 700 mil escravos que ainda havia no país. Além disso, criou mais ressentimentos contra a monarquia, abrindo caminho para a República.

 

Quais as conseqüências da abolição para a monarquia?

A monarquia brasileira foi sabiamente aconselhada a pagar uma indenização aos proprietários de escravos, mas não levou em conta o bom conselho. Resultado: perdeu sua base de apoio. Até a fração mais "moderna" dos cafeicultores do Oeste Paulista passou a temer que o império realizasse reformas para obter apoio político da massa negra recém libertada. A necessidade de impedir qualquer alteração no status quo afastou os cafeicultores da monarquia e os jogou nos braços dos republicanos.

http://educacao.uol.com.br/historia-brasil/ult1702u63.jhtm

 

OBS: É importante orientar as duplas para trabalharem  o significado das palavras desconhecidas, e para a leitura silenciosa do texto.

2- O professor propõe a exploração oral do texto a partir do  roteiro abaixo:

a) Identificar as idéias defendidas nos  trechos da entrevista.

b) Levantar argumentos contra ou a favor das idéias do trecho.

c)   Resumir o conteúdo de cada pergunta da entrevista, anotando no caderno para uma segunda atividade.

3-  Com o objetivo de fazer com que os alunos compreendam melhor o conteúdo do texto, o professor propõe que os alunos respondam as questões:

a) Identifique os personagens do processo do fim da escravidão, enumerando os contra e os a favor.

b) Identifique a divergência entre os movimentos emancipacionistas e os ideais abolicionistas.

c) Argumente explicando o que significou a lei Eusébio de Queirós, de 1850 para o fim da escravidão.

d) O que foi o tráfico interprovincial.

e)  Identifique  as questões estrangeiras que influenciaram na abolição do trabalho escravo.

f) Qual é o ponto de vista defendido pelo entrevistado com relação à imigração e a mão de obra escrava?

g) Como o entrevistado define a posição de D.PedroII com relação ao movimento abolicionista?

h) Como ele define Joaquim Nabuco?

i) Quem participou do movimento abolicionista?

j) Qual a importância da Lei Áurea mencionada pelo entrevistado?

k) Quais as consequências da abolição para o regime político da época?

4- O professor socializa as respostas e faz os comentários necessários.

 

 3ª ATIVIDADE

1- O professor organiza a turma em grupos para que pesquisem as Leis abolicionistas e sua importância.

OBS: O professor pode sugerir que os alunos pesquisem em livros escolares, enciclopédias ou disponibilizar o laboratório de informática fornecendo os links:

http://www.camilomarcelino.com/personagens/lei_aurea/abolicionismo.htm

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/abolicao-da-escravatura-no-brasil/abolicao-da-escravatura-no-brasil-6.php

http://pt.wikipedia.org/wiki/Abolicionismo_no_Brasil

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/lei_ventre_livre.htm

http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/lei_sexagenarios.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Eus%C3%A9bio_de_Queir%C3%B3s

http://www.historiabrasileira.com/escravidao-no-brasil/lei-do-ventre-livre/

http://www.agoravale.com.br/agoravale/noticias.asp?id=3845&cod=3

 

2- Com as informações obtidas através da pesquisa, o professor propõe que a o grupo escolha uma maneira bem criativa para apresentá-las para o restante da turma.

OBS: Sugerimos que essa apresentação possa ser feita através de paródias, charges, histórias em quadrinhos, crônicas,...

3- O professor socializa as produções e faz os comentários necessários.

4- Ainda com a turma em grupos, o professor propõe que cada equipe construa uma linha de tempo registrando a data em que ocorreram as leis abolicionistas e suas características principais.

 5- O professor socializa as linhas de tempo criadas pelos grupos e faz os comentários necessários.

 

4ª ATIVIDADE

 

1-O professor organiza novamente a turma em equipes para fazerem uma reflexão sobre as idéias apresentadas no texto: “Protagonistas da Abolição.”

2- O professor entrega o texto, solicita a leitura e o estudo do  vocabulário,  de acordo com as necessidades da equipe.

Protagonistas da Abolição

Áureo, o mesmo que de ouro ou dourado, é algo esplendoroso, magnífico, que brilha e se sobressai. Não por acaso, foi esta a palavra, no feminino, escolhida para dar nome à lei que aboliu a escravidão no Brasil. Marco importante na história do Brasil, a Lei Áurea tem mesmo um caráter magnífico, mas quem se sobressaiu após assiná-la foi Isabel Cristina Leopoldina de Bragança, a Princesa Isabel. Seu nome faz parte da história, mas não é o único. Outros personagens foram determinantes para que séculos de exploração chegassem ao fim. Afinal, a sanção da lei foi resultado de uma campanha abolicionista surgida no país na década de 1870.Para alguns historiadores, a princesa Isabel foi uma heroína; outros, no entanto, defendem a tese de que a Lei Áurea só foi assinada por pressão dos abolicionista

radicais. Já alguns militantes do movimento negro vêem Isabel como a princesa que deixou os escravos na miséria e no abandono. Analistas de formação mais esquerdista acreditam que foram as insurreições escravas que precipitaram a assinatura da lei. E há ainda a versão da chamada Escola Paulista, que credita a abolição à pressão dos cafeicultores do Oeste de São Paulo.Seja como for, ou como tiver sido, não se pode negar o empenho pessoal da Princesa Isabel, então regente do Império do Brasil, para a aprovação da Lei Áurea. Primeira senadora brasileira e primeira mulher a assumir uma chefia de Estado no continente americano, Isabel se revelou, segundo alguns historiadores, uma política liberal nas três vezes que exerceu a Regência do país e esteve envolvida na aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871.

 

Princesa Isabel

Se o papel da princesa neste evento histórico foi fundamental, determinante também foi a atuação dos abolicionistas. Confira, então, um breve perfil de alguns deles. Os nomes, talvez você reconheça. Pela importância que tiveram na história do país, estão em placas de ruas, praças, túneis e até cidades. Homenagem mais do que justa a quem ajudou a virar esta triste página da nossa história. Confira!

 

Joaquim Nabuco

Nascido no Recife, Pernambuco, Joaquim Nabuco desde cedo conviveu com a dura realidade dos escravos. Na infância, o menino de família aristocrata se alfabetizara junto com os filhos dos escravos numa escolinha construída pela madrinha. Cursou Direito em São Paulo e Recife, escreveu poemas e foi colega de Castro Alves e de Rui Barbosa. Esteve em Londres e, após voltar ao Brasil, seguiu carreira política.Excelente orador, Nabuco usou este talento para lutar pela causa abolicionista, junto com José do Patrocínio, Joaquim Serra e André Rebouças. Para ele, a escravidão era "a causa de todos os vícios políticos e fraquezas sociais; um obstáculo invencível ao seu progresso; a ruína das suas finanças, a esterilização do seu território; a inutilização para o trabalho de milhões de braços livres; a manutenção do povo em estado de absoluta e servil dependência para com os poucos proprietários de homens que repartem entre si o solo produtivo".

 

José do Patrocínio

Jornalista, orador, poeta e romancista, nasceu em Campos, Rio de Janeiro. Filho natural do padre João Carlos Monteiro e da quitandeira Justina, passou a infância na fazenda paterna da Lagoa de Cima, onde pode observar de perto a situação dos escravos. Aos 14 anos, apenas com a educação primária, foi para o Rio de Janeiro e começou a vida como servente de pedreiro. Pagando o próprio estudo, formou-se em Farmácia.Em 1875, porém, descobriu a verdadeira vocação num jornal satírico chamado Os Ferrões. Começava ali a carreira de um dos mais brilhantes jornalistas brasileiros de todos os tempos. Dono de um texto requintado e viril, José do Patrocínio - que de início assinava Proudhon - se tornou um articulista famoso em todo o país. Conheceu a Princesa Isabel, foi proprietário da Gazeta da Tarde e transformou-se no "Tigre do Abolicionismo". Fundou, em maio de 1883, a Confederação Abolicionista.

 

Rui Barbosa

Baiano de Salvador, Rui Barbosa exerceu as mais variadas atividades profissionais. Foi advogado, jurista, jornalista, ensaísta, orador, diplomata, deputado, senador, ministro e candidato a Presidente da República duas vezes. Assim como Joaquim Nabuco, estudou Direito em Recife e em São Paulo, mas foi no Rio de Janeiro que abraçou a causa da abolição.Sua participação na luta contra a escravidão foi uma das manifestações de seu amor ao princípio da liberdade – todo tipo de liberdade. E, justamente por defender a liberdade, foi exilado, em 1893, por discordar do golpe que levou Floriano Peixoto ao poder. Destaca-se em sua biografia sua passagem como presidente da Academia Brasileira de Letras, substituindo Machado de Assis, e o grande prestígio de ser eleito Juiz da Corte Internacional de Haia.

 

André Rebouças

Filho de escravos, estudou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e se formou em Engenharia na Europa. Foi professor da Escola Politécnica e durante toda sua vida preocupou-se com a realidade brasileira. O problema dos escravos, naturalmente, não lhe passou despercebido. Escreveu, junto com José do Patrocínio e Aristides Lobo, o manifesto da Confederação Abolicionista de 1883; foi co-fundador da Sociedade Brasileira Anti-Escravidão e contribuiu financeiramente para a causa abolicionista.

 

Luís Gama

Filho de uma miscigenação de cores – seu pai era um fidalgo português empobrecido, e sua mãe negra africana livre que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã – foi o nome mais emblemático do movimento abolicionista. Aos 10 anos foi vendido ilegalmente como escravo pelo próprio pai. Levado para o Rio de Janeiro e, mais tarde, para Santos, fugiu da casa de seu “dono”, foi soldado, jornalista, poeta e, por fim, advogado. Iniciou, então, monumental batalha judicial, conseguindo a libertação de mais de 500 escravos, baseando-se na lei de 1831, segundo a qual todos os africanos entrados no país depois de 7 de setembro daquele ano eram livres.

 

Antônio Bento

Branco, rico e filho de fazendeiros, tornou-se abolicionista fanático, não apenas libertando os escravos da fazenda de sua irmã, mas criando um grupo radical, os Caifazes, que passou a invadir fazendas e articular fugas em massa de centenas de escravos. Antônio Bento foi o principal organizador do quilombo do Jabaquara, localizado em Santos, para onde foram levados mais de 10 mil escravos cuja fuga ele mesmo ajudou a organizar.

 

Silva Jardim

Ele era um abolicionista radical, disposto a burlar qualquer expediente jurídico que barrasse a libertação dos escravos. Para ele, a lei da abolição deveria ter – como de fato teve – apenas dois artigos. “A questão se resolveria assim: o primeiro artigo diria: fica abolida a escravidão no Brasil; e o segundo, pedimos perdão ao mundo por não tê-lo feito há mais tempo”. Silva Jardim foi responsável pela fuga de dezenas de escravos de fazendas paulistas.

http://www.conexaoaluno.rj.gov.br/especiais-23a.asp

 

3-Após a leitura o professor  solicita que os  alunos elaboram, a partir das informações do texto,  argumentos sólidos que justifiquem suas ideias.

4) Ainda com a turma em grupos, o professor organiza a realização de um júri simulado. Para isso: 

  a)  Define os papéis nas equipes.

      - Grupo de defesa       

         Defende o réu ou ré e responde às acusações formuladas pelo grupo acusação.

       - Grupo de acusação              

          Formula as acusações contra o réu ou ré

       - Júri             

         Ouve todo o processo e a seguir vota: A questão em pauta.    

       - Juiz      

         Dirige e coordena o andamento do júri.

b)  Define o assunto: Abolição

c) Define o réu:  O  papel da princesa Isabel no processo da abolição da escravidão    no Brasil.

d) Explica a dinâmica do trabalho:

  • Preparação para o júri.-Juiz abre a sessão.
  •  Grupo de acusação  acusa o réu ou ré (a questão  em pauta).
  •  Grupo de defesa, defende o réu ou a ré.
  •  Grupo de acusação toma a palavra e continua a acusação.- grupo de defesa, retoma a defesa.
  •  Terminada a apresentação dos argumentos de defesa e de ataque e as respectivas réplicas, será conhecida a sentença.
  •  Jurados decidem a sentença, junto com o juiz.

OBS:       Neste trabalho não há “sentença” ou resultado correto ou errado, deixe que os alunos decidam, escolhendo o grupo que apresentou os melhores argumentos.      

 O professor,  avalia o debate entre os grupos, destacando o que foi bom, o que faltou. Que proveito tiramos da dinâmica? O que mais nos agradou? Como nos sentimos? O que podemos melhorar?

 5) O professor propõe a realização do júri simulado e ao término da atividade, faz os comentários necessários.

 

5ª ATIVIDADE

1- O professor apresenta a imagem solicitando a leitura da mesma.

                                        http://estudospancadao.blogspot.com/2009/09/o-negro-apos-abolicao.html

 

2- Em seguida propõe que os alunos digam o que ela representa.

3- Após a leitura da imagem, o professor promove um debate a partir dos itens:   

   a)   Casos de escravidão nos dias atuais.  

   b)   Significado da liberdade para a população negra no contexto pós-abolicionista.   

   c)   Oportunidades que os ex  escravos tiveram ou não.    

   d) A  luta contra a discriminação racial após a abolição.

4-  O professor propõe que, coletivamente, escrevam uma notícia relatando  a existência ou não da discriminação racial após a abolição até os dias atuais.

5- O professor solicita que um aluno faça a cópia da notícia produzida pela turma para que a mesma seja colocada no mural da escola.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recursos Complementares
Avaliação

A avaliação é processual e contínua, devendo ser realizada oral e coletivamente, enfocando a dinâmica do grupo, identificando avanços e dificuldades. O desempenho dos alunos durante a aula, a realização das tarefas propostas, a produção do texto, o júri simulado, a auto-avaliação do professor e do aluno serão elementos essenciais para verificar se as competências previstas para a aula foram ou não desenvolvidas pelos alunos.

 

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução

Para muita gente, movimento negro era sinônimo de ritmo e se exprimia no samba, na capoeira e no futebol. Mas isso mudou. Hoje, os negros estão se movendo para o alto da pirâmide social brasileira, conquistando uma vida melhor e ampliando as fileiras da classe média. Paralelamente, os movimentos negros afirmam com orgulho sua herança e se mobilizam contra as manifestações de racismo no Brasil. Trata-se, porém, de um racismo ambíguo, contraditório, característico de uma sociedade marcada por séculos de escravismo - mas também de mestiçagem étnica e cultural. O plano de aula ajudará você a mostrar a seus alunos como vem se formando essa sociedade complexa, contraditória, plural.

Brancos e negros da terra
Em 1584, o padre José de Anchieta avaliou a população brasileira em 57.000 pessoas: 18.000 índios, 14.000 negros e 25.000 "brancos da terra". Esse termo abrangia algumas centenas de portugueses e milhares de mamelucos, filhos de lusitanos com mulheres indígenas. Estas eram as únicas parceiras disponíveis, pois as primeiras portuguesas - três irmãs - só desembarcaram no Brasil em 1551. Além disso, as uniões com as índias forneciam aos portugueses aliados e mão-de-obra. O exemplo mais conhecido foi o do ex-náufrago João Ramalho, que favoreceu a ocupação do planalto de Piratininga. Segundo o testemunho do padre Manoel da Nóbrega, escrito em 1553, "(...) Nesta terra está um João Ramalho (...) muito conhecido e muito aparentado com os índios. Ele e seus filhos andam com irmãs e têm filhos delas, tanto o pai como os filhos. Vão à guerra com os índios e as suas festas são de índios e assim vivem andando nus como os mesmos índios." (A Fundação do Brasil: Testemunhos (1500-1700), de Darcy Ribeiro e Carlos de Araújo Moreira Neto).

Desse modo, foram geradas as bases de uma cultura que não era indígena nem européia, mas uma combinação contraditória das duas. Nos séculos seguintes, os indígenas foram dizimados (veja quadro). Mas aumentaram os contingentes de "brancos da terra" e de escravos africanos. Calcula-se que entre 1550 e 1850, quando a Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico negreiro, cerca de 5 milhões de negros tenham desembarcado no Brasil.

A presença africana trouxe novos elementos para a cultura e para o processo de mestiçagem brasileira. Além disso, os três séculos de domínio escravista marcaram profundamente a vida social. Nem é preciso dizer que o preconceito racial foi uma herança da escravidão. Podemos mencionar ainda a distinção entre trabalho manual e intelectual. Os trabalhos mais pesados, que exigiam força física, estavam reservados aos escravos - e até hoje nossa sociedade valoriza o trabalho intelectual e paga salários miseráveis aos que executam trabalhos chamados braçais. Mais ainda, no Brasil colonial, pouco espaço sobrava para o homem livre e pobre. Não podia sujeitar-se ao trabalho manual, nem tinha ocupação que o mantivesse. A única solução era sujeitar-se ao senhor de engenho, tornando-se seu subalterno e apadrinhado. Nascia aí um modelo em que, na falta de um Poder Público que garantisse direitos mínimos aos cidadãos, erigia-se o poder privado dos senhores rurais.

Após a extinção do tráfico de escravos, o governo brasileiro passou a financiar a vinda de imigrantes europeus para o Brasil: a cafeicultura, em constante expansão, necessitava de braços. Entre 1880 e 1940 vieram mais de 4 milhões de imigrantes somente para o Estado de São Paulo. Levas menores foram para o Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A população de cidades como São Paulo duplicou. No entanto, a grande maioria dos imigrantes foi enganada por contratos que prometiam o paraíso, mas os transformavam no substituto mais barato do escravo negro. Muitos colonos trabalhavam sob feroz vigilância, sem poder deixar as fazendas. Surgiu daí um brasileiro de improviso, que foi expulso da terra natal e violentado em seus sonhos ao chegar na nova terra. Ele sonha em voltar à antiga pátria, mas reconhece que seu lugar é aqui. Cultiva tradições de seu local de origem, mas já o faz de maneira brasileira.

Em meio a tudo isso, poderíamos perguntar: quem são os brasileiros, afinal? Em primeiro lugar é preciso dizer: não são os índios, os negros, os brancos de Portugal ou de outros países. Não se trata de identificar raças, mas sim culturas e modos de organização social. O brasileiro constrói a sua identidade a partir dessa fundação plural, na qual estão presentes elementos da cultura européia, indígena e africana. Isso não quer dizer que vigora uma democracia racial no Brasil. Mas a superação do racismo não é uma luta somente da classe média negra ou do conjunto dos afro-brasileiros. É uma luta de todos aqueles que, independentemente da raça, fazem parte de uma cultura que se constitui pelo princípio da mistura e tem seus valores construídos e enraizados a partir dela.

Peça aos alunos um levantamento das frases populares em que se que discriminam os negros. A partir daí, pode-se verificar como a cultura negra se insere na lógica de constituição da cultura brasileira.

 

2ª etapa 

Coloque em debate o racismo nos EUA e no Brasil, comparando as diferenças entre uma sociedade que define claramente o "lugar" de cada etnia e outra que parece fingir que não é racista.

A formação do povo brasileiro
No livro O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro calcula em 5 milhões a população indígena no momento da chegada de Cabral. Os grupos litorâneos seriam os primeiros a ser dizimados

Ilustrações: Jardim

Há no Brasil 50.000 "brancos da terra" - filhos de brancos com índias em sua esmagadora maioria - 30.000 negros, 120.000 índios integrados ao projeto colonial e 4 milhões de índios isolados

Ilustrações: Jardim

Há tantos escravos negros quanto brancos/mestiços. Mas a população indígena cai pela metade, vítima das doenças do homem branco e das campanhas de extermínio

Ilustrações: Jardim

O Brasil volta a ter 5 milhões de habitantes. Agora, porém, os índios são apenas 1,5 milhão - o mesmo número de escravos negros - enquanto os brancos/mestiços atingem 2 milhões

Ilustrações: Jardim

A imigração favorece o crescimento da população branca. Também aumenta o número de mestiços (pardos, em vez de "brancos da terra") e diminuem os contingentes de negros e indígenas

Ilustrações: Jardim

Entre os 162 milhões de brasileiros, 55,2% são descendentes de imigrantes e de "brancos da terra", 6% de negros e 38,2% de pardos. O número de índios tende a voltar a crescer

* não foram consideradas outras minorias

Veja também:

BIBLIOGRAFIA
O Povo Brasileiro
, Darcy Ribeiro, Cia das Letras - tel.: (11) 3707-3500
O que Faz o Brasil, Brasil?, Roberto DaMatta, Ed. Rocco - tel.: (21) 3525-2000

 

3ª etapa 

Leitura compartilhada de Resumo preparado previamente sobre a Primeira Constituição do Brasil

 

BRASIL: A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO REPUBLICANA
 
 

Durante o Governo Provisório (1889-1891) houve eleições para a Assembleia Constituinte (assembleia que se reuniria para elaborar uma nova constituição).  Os deputados eleitos elaboraram, votaram e aprovaram a primeira Constituição da República em 24 de fevereiro de 1891.  Nossa Constituição seguia o modelo da Constituição dos Estados Unidos da América, porém menos liberal e democrática.  

Uma das suas principais características foi a adoção do FEDERALISMO, assim, as antigas províncias foram transformadas em estados, que passaram a ter grande autonomia.  Seus dirigentes eram chamados de “presidentes de estado” (atuais governadores) e cada estado poderia pegar empréstimos no exterior; ter forças militares próprias; criar e cobrar impostos; eleger deputados estaduais e seu presidente de estado e fazer sua própria Constituição, desde que esta não contrariasse a Constituição Federal.

Outra característica foi a definição de três poderes independentes entre si: o EXECUTIVO (formado pelo Presidente da República e Vice-Presidente – eleitos para um mandato de 4 anos – além de seus Ministros de Estado), o LEGISLATIVO (Congresso Nacional, formado pelo Senado e Câmara dos Deputados) e o JUDICIÁRIO (Supremo Tribunal Federal). 

Quanto ao voto, somente os homens maiores de 21 anos, brasileiros e alfabetizados, tinham acesso.  Soldados, religiosos (padres, bispos, monges etc) e mulheres não tinham direito ao voto.  Assim, a imensa maioria da população continuava excluída da cidadania.  Outro agravante era o fato do voto ser aberto, ou seja, o eleitor era obrigado a declarar publicamente em quem estava votando, o que facilitava a ação dos poderosos fazendeiros, que podiam forçar e intimidar os eleitores na hora da votação, era o chamado voto de cabresto.   

A Constituição também oficializou a separação entre a Igreja e o Estado (o país não teria mais uma religião oficial) e aboliu as instituições monárquicas (títulos de nobreza, foros etc).


Fontes:
  • Livro didático Construindo Conciências. Editora Scipione.

Créditos: Roberto Catelli Junior Formação: Professor de História do Colégio Santa Maria, de São Paulo

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