Crônicas - Reflexões sobre o cotidiano

POR:
professor

Objetivo(s) 

- Identificar as características da crônica como gênero resultante da junção  entre o jornalismo (nasce de um acontecimento real) e a literatura (o texto e o  resulta da filtragem e da lapidação que o autor dá à sua matéria prima).
- Ler crônicas de diversos autores
- Produzir crônicas a partir dos estudos realizados e das observações cotidianas

Conteúdo(s) 

?Conceito e características da crônica;
?Processo de construção da crônica narrativa;
?O narrador e as personagens na crônica narrativa;
 

 

Ano(s) 

Tempo estimado 

Seis aulas

Material necessário 

-Caderno e papel;

- Data-show;
- Cópias das seguintes crônicas:
De Aroldo Lívio, Croniquinha proposital 
De Manoel  Hygino: "As lições da hora presente"

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução

O nascimento da crônica moderna se deu entre os séculos 14 e 15, em Portugal. Como cronista real, Fernão Lopes (1380?- 1460?), guarda-mor da Torre do Tombo em Portugal, tinha o papel de registrar e arquivar a cronologia dos reinados e de toda a história das dinastias portuguesas. Lopes foi o primeiro a produzir textos com características modernas: a autoridade das informações advinha da referência documental, o autor mantinha-se distante e neutro em relação aos fatos, buscando narrar a realidade afastado das emoções e subjetividades. O gênero tinha, então, um viés historiográfico.

A partir do século 19, através de sua difusão no meio jornalístico, os autores passam a utilizar a crônica como meio de análise subjetivos de acontecimentos cotidianos, comentando temas próximos aos leitores de jornal.

No Brasil, o caráter mais breve e informal do gênero permitiu que ele fosse utilizado como espaço de exercício para grandes autores como José de Alencar, Manuel Antonio de Almeida, Raul Pompéia e Machado de Assis no século 10 e Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, João do Rio, Lima Barreto, Fernando Sabino, entre outros do século 20. Entretanto, grandes escritores tiveram seu talento reconhecido por conta de textos do gênero que publicavam nas páginas de jornais e revistas, como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony e Mário Prata.

Destes, Rubem Braga (1913-1990) é o principal representante. Seu trabalho, publicado ao longo de sua vida em diversos jornais, compilações e antologias, acabou por elevar a crônica ao patamar de grande literatura.

Outro autor de desque é o mineiro Fernando Sabino, ecritor do texto " A última crônica", que ilustra o percurso do ato criativo deste gênenro.

En nossa cidade, muitos cronistas se destacaram. Entre eles: Yvonne Silveira, Haroldo Lívio, Wanderlino Arruda e Manoel Hygino,

Procure descobrir o que os alunos já sabem sobre o gênero e como se relacionam com ele. Pergunte se costumam ler textos desse tipo, se reconhecem algumas de suas características e se conhecem alguns autores.

Explique que a origem da palavra crônica está ligada à noção de tempo. Chame a atenção para palavras que possuem a mesma raiz, como cronograma, cronômetro e cronologia, podendo fazer uma alusão ao deus da mitologia grega: Chronos. No gênero, essa relação com o tempo se mostra tanto na brevidade dos textos quanto no fato de ele se basear em acontecimentos cotidianos.


Conclua a apresentação do gênero, destacando sua aproximação tanto de textos jornalísticos quanto da literatura. De um, ele herda a brevidade, a aproximação com o leitor e o embasamento em fatos cotidianos. Do outro, o lirismo, o humor, a subjetividade e a elaboração da linguagem.

2ª etapa 

Leia com os alunos  o texto da crônica "Croniquinha proposital". Discuta o texto, estimulando os alunos a notarem algumas das principais características do gênero e que estão presentes, como a ironia, o lirismo e a subjetividade.

Croniquinha proposital

Haroldo Lívio

Atenção, amigo leitor, por acaso, você já foi chamado alguma vez de poeta? Talvez você ainda desconheça o poeta que traz escondido dentro de seu (pobre) coração. De médico, poeta e louco, todos nós temos um pouco, diz o adágio. Certa vez, o historiador Hermes de Paula, que era médico e gozava de boa saúde, contou-me, em entrevista, achando muita graça, ter sido chamado de poeta pelo folclorista Câmara Cascudo. Ao que se sabe, até aqui, o privilégio de ser tido nesta alta conta é de Drummond, é de Bandeira, Vinícius... 
O Brasil é muito rico em jazidas de minérios, de pré-sal e de lirismo puro; em cada esquina você pode ter a felicidade de bater um papo com um poeta. Gente assim, inspirada, sentimental, sofredora, não tem estrela na testa indicando que se trata de um bardo à disposição de quem seja capaz de saborear um favo de poesia, que é doce que nem mel, quando fala de amor; e amargo que nem fel, quando chora um desengano. Antigamente, os poetas eram ouvidos e queridos, havendo alguns que diziam ouvir e entender estrelas. Porém, a poesia ainda anda por aí, no meio da rua, por toda parte, feito nuvem de chuva no céu, feito tarde de sol no estio, com cigarras cantando, sem que o sujeito, absorvido pelo cotidiano esterilizante, possa abrir um intervalo de admiração para contemplar a simplicidade encantadora da vida. Aponto o exemplo do intrépido jornalista Oswaldo Antunes que, em mais de meio século de serviço ativo e producente, construiu imagem de ser exclusivamente homem de imprensa, de agenda cheia, que não teria tempo para vagar por aí, tocando viola e versejando, à luz da lua merencórea. 
No entanto, depois de aposentado e com o livro de memórias publicado, retira a máscara de audaz articulista para exibir sua verdadeira face de trovador renascentista, revelando, neste volume, a face preponderante de sua alma de artista. Intitulou sua obra poética de “Estrela final”, dando por encerrada a produção do menestrel, o que não pode ser verdade. Assim como passou a vida inteira incógnito, sem permitir sua identificação como poeta de primeira categoria, apresentando-se apenas como o mestre insuperável da prosa jornalística, suspeita-se de que esteja ocultando matéria já pronta, para encher outros volumes de poesia de alta voltagem. O futuro confirmará esta desconfiança. Por cautela, é aconselhável ficar de olho nele: tem que publicar.
Retornando ao título, perguntaria como explicar a presença desta prosaica croniquinha, mero subgênero literário, ocultada dentro deste ramalhete de versos trabalhados com o suor do criador e perfumados com a pureza de suas essências raras. Cartas para a Redação do O Jornal de Montes Claros.
(Este texto foi aprovado pelo saudoso poeta para a “orelha” de “Estrela final”.)



O principal traço a ser destacado é a forma breve - mas não superficial - utilizada para refletir sobre acontecimentos comuns: a partir da  publicação do livro  de memórias do amigo, o autor trata de grandes temas como a poesia, a humildade.

Outro elemento a ser destacado é o uso do elemento surpresa. Esse recurso se apresenta  quando o narrador definindo poesia, apresenta o assunto de sua crônica: ter descoberto, como poeta , o amigo "mestre insuperável da prosa jornalística".

A aproximação do leitor é outro ponto que deve ser notado. Isso fica expresso nas passagens em que o narrador parece se dirigir diretamente a quem está lendo: "Atenção, amigo leitor, por acaso, você já foi chamado alguma vez de poeta? Talvez você ainda desconheça o poeta que traz escondido dentro de seu (pobre) coração. ", confidenciando seus anseios e mostrando-se intimidado: "(...) perguntaria como explicar a presença desta prosaica croniquinha, mero subgênero literário, ocultada dentro deste ramalhete de versos trabalhados com o suor do criador e perfumados com a pureza de suas essências raras",  revela sua crença: "(...) suspeita-se de que esteja ocultando matéria já pronta, para encher outros volumes de poesia de alta voltagem.O futuro confirmará esta desconfiança.".


 

3ª etapa 

Imicie a aula fazendo a leitura da crônica "Crônica é alguma coisa que muito existe", de Wanderlino Arruda.

CRÔNICA É ALGUMA COISA QUE MUITO EXISTE 

Wanderlino Arruda 

Antes de mais nada, é bom dizer que crônica é coisa de jornal e de internet. Sempre feita depressa, com hora marcada, muitas vezes com atraso. É construída de pequenos lances, registro mais do circunstancial e não do definitivo. Assuntos efêmeros, soma de jornalismo e literatura, os temas, vez por outra, ganham concretude, universalidade, jeito especial na ultrapassagem de tempo e espaço. Crônica é comentário de assuntos que podem ser ou não ser do conhecimento do público, tipo assim - como dizem os jovens - de algum ângulo subjetivo de acontecências. Conteúdo de crônica é algo recriado pelo cronista, espécie de busca do existente ou do imaginário muito próxima do conto. Crônica pode ser sempre narração de experiência ou de sonhos, visão de mundo e de vida, reportagem quase em nível poético. A crônica tem de ter aparência de simplicidade, mesmo que seja construída com recursos artísticos. Como um jornal ou um blog nasce, vive, envelhece e morre a cada dia, a crônica é destinada a leitores apressados, feita para ligeiro momento de leitura. Precisa de pelo menos um sentido de duração, ser mensagem para ficar na memória. Não pode, nem deve ser esquecida como folha impressa ou imagem virtual. Crônica não é notícia comum, codificada só para informação diária, tem que ter profundidade. É mais para o sentimento, palavras diretamente ligadas à emoção, fazendo do leitor um cúmplice ideológico da condição humana. É um reencontro com o prazer ameno, uma intensidade de sinais de vida que, se não escritos, acabam deslizados para o esquecimento. Claro que é a pressa de viver do cronista a vontade de estar presente e de ser ao mesmo tempo em determinado lugar, que o faz testemunha, porta voz e intérprete de um quase real normalmente gratificante. A crônica é mais um espaço de dimensão interior repartida entre escritor e leitor, ternura resgatada das experiências de cada um. Cada palavra, cada frase, cada silêncio representarão significados mais do individual do que do coletivo, pois, no fundo, a crônica é uma conversa entre duas pessoas, um conluio positivo e amigo, quando um e outro vêem mundo e vida da mesma forma que ambos gostariam de ver. O autor constrói o texto e lhe dá o colorido quase que pré-combinado com o seu parceiro leitor. Comparada com formas mais consistentes, a crônica é mais uma tenda, um pequeno abrigo espiritual, nunca uma casa de verdade. A crônica serve ao espírito como ato de reflexão compartilhada e mágica, algo assim de ligeiro conforto. Em verdade, a crônica é alguma coisa que muito existe, mas que se não fossem os olhos do cronista, jamais apareceria em público. Um acontecimento não escrito é mera potencialidade dispersa, conteúdo não sentido, essência não encontrada. Viva - pois e assim - hoje e sempre - a crônica! 

Agora, projete a crônica "Destino ou Castigo", de Yvonne Silveira. 

DESTINO OU CASTIGO?

Aos três anos, Tino era como todos os meninos de três anos. Falava errado, era curioso, fazia birras e brincava. Carretéis, sabugos, pedrinhas e cabos de vassouras, eram os brinquedos que a vida lhe dava, pois outros não podia ter. A diferença de Tino para as outras crianças de sua idade era uma tristeza de que ninguém sabia a causa. Pois decerto não entendia por que sua mãe vestia como a mulher dos funcionários mais graduados da Prefeitura, sendo seu pai apenas carroceiro. Nem por que ele saía tanto de casa. Nem por que os dois brigavam. Ouvia os insultos, os gritos e também não entendia por que se desentendiam. Tino encolhia-se a um canto, chorava baixinho. Se mamãe estava bem ou mal vestida, não sabia. Mas que era bonita e alegre, sabia. E quando voltava a calma, sorria com aquele sorriso triste.
Moravam do outro lado do rio, numa casa perto do Matadouro da Prefeitura. Lá, o gado era abatido para os açougues. Tiago levava as postas de carne na carroça, forrada de ramos verdes de árvores, a mesma que apanhava o lixo das ruas.
Depois do almoço Tino ia dormir. O pai ia para a Prefeitura, para o trabalho, a mãe ia para o rio lavar as vasilhas e alguma roupa. Quando Tino acordava, descia o trilho estreito de juntava-se à mãe. Brincava com as pedrinhas da beira do rio, perseguia lagartixas, parava para ouvir os passarinhos, extasiava-se com os soins. E ficava pensativo. Triste como gente grande que é infeliz. 
Naquele dia, pouco antes da data das eleições, época propícia para certo tipo de mulheres explorar os candidatos, Belisa não foi lavar roupa nem vasilha no rio. Mal Tiago saiu, trancou a porta da frente, cerrou a dos fundos. E partiu para encontro.
Mais tarde, Tino acordou e desceu o trilho estreito até o rio. Olhou para um lado e para o outro. Chorou baixinho. Chorou mais alto. Um enxadeiro que limpava a roça de milho, um pouco mais acima, ouviu o choro sentido. Menino chora à toa. Continuou batendo a enxada, na terra seca.
O choro parou.
A mãe entrou em casa: “Tino! O diabinho deve ter ido pro rio. Tiino! Tiiiino!”
Só a carinha de Tino estava dentro do rio. As formigas passeavam no seu corpo e ele não chorava. ‘Tino! Tino!’
Sacudiu as formigas. Virou o corpinho frio. Carregou-o e subiu o trilho a gritar: ‘Eu sou uma desgraçada! Eu sou uma infeliz! Eu sou uma desgraçada!’
A cidade inteira foi ver o anjinho morto, o filho de Belisa, a mulher bonita que seduzia os maridos das outras. Foi para censurar, acusar silenciosamente, ou em sussurros. Mãe desnaturada. Foi castigo. Está pagando.
Ninguém refletia que os dias já estão contados nos céus e que os de Tino eram curtos. Tantas crianças já morreram e continuariam morrendo de desastres, crianças de mães santas e de mães pecadoras. O próprio nascimento de Cristo não exigiu o sacrifício de muitas crianças, para que se cumprissem as profecias?
Ninguém refletia. As circunstâncias da morte Tino tornavam a mãe culpada, criminosa, execrada, indigna de compaixão, apesar daquela dor desatinada, que se manifestava em lamentações: ‘Sou uma desgraçada! Desgraçada!’
Desgraçada mesmo, repetiam no íntimo as mulheres traídas. E não adianta chorar. É nisto que dá, viver atrás dos maridos da gente.
Vingavam-se todas as Belisa, mulher bonita, sedutora, de riso largo como as ancas, balançando na saia justa, quando ia à cidade. Agora estava ali, descabelada, arrasada, desgraçada mesmo. E o marido, sem dizer palavra, sem nada ouvir, olhava o chão.
Tino foi para o cemitério em um caixão azul, com acompanhamento maior do que o de um morto rico. A mãe foi, também, gritando, culpando-se.
A multidão a pé – pois até hoje, na cidade onde ocorreu o falto, não se usa enterro de carro – seguia o caixãozinho azul, do morto, símbolo do castigo para os puritanos de todos os tempos, que não se cansam de atirar pedras. A partir de então a mãe foi ficando cada vez mais triste. Dois anos depois, morreu.

Após os comentários, destaque o fato desta crônica tratar, de forma breve, um fato do cotidiano. Apresente uma breve bibliografia de Yvonne Silveira e peça que os alunos relembrem um fato aparentemente banal e cotidiano que eles tenham vivido e que possam servir como mote para uma crônica. Como tarefa de casa, peça que façam um exercício de observaçã e registrem em seus cadernos o que lhe chamou a atenção, as possibilidades e temas em que gostaram e pensaram.

Inicie a aula seguinte pedindo que alguns alunos, voluntariamente, leiam o que coletaram como mote para produzir uma crônica. Peça que os próprios observadores e a turma comentem os fatos ocorridos. Note, por exemplo, se os alunos utilizaram o evento cotidiano listado anteriormente como ponto de partida para uma reflexão.

 

4ª etapa 

Explique aos alunos que as crônicas não são apenas reflexões sobre o cotidiano, mas também podem tratar de temas graves, como política. Distribua então os textos "As lições da hora presente", de Manoel Hygino.

As lições da hora presente

Manoel Hygino 

Parece assim nos cassinos: o jogo está feito. Acontece agora o desenrolar das medidas judiciais da Operação Lava Jato, de que o capítulo Odebrecht é o mais grave e calamitoso, se me permitem o adjetivo. Evidentemente, os seguintes serão fundamentais ao desenlace de um drama que se abateu sobre o Brasil e alcançou dimensões internacionais. 
Os veículos eletrônicos de comunicação, que exploram o tema à suficiência, mesmo à exaustão, se incumbirão de divulgar o que virá pela frente, antecipando as minúcias que os jornais publicarão. Não há como fugir às normas, mesmo com as sôfregas tentativas da defesa dos indiciados nos delitos. 
Em verdade, os acusados insistirão na tese de que nada fizeram de errado, de que as informações e delações são falsas, de que há uma imensurável rede de mentiras para incriminá-los. Faz parte. Enquanto isso, advogados prestigiosos e bem pagos procurarão honrar o compromisso de defendê-los até o último argumento. Também faz parte. 
Ao redator e ao respeitável e desrespeitado público – composto pelos cidadãos deste país – cumpre simplesmente acompanhar o andor, de barro e frágil. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, ao aprovar 76 inquéritos para investigar políticos e autoridades com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht, abriu o jogo, para ser disputado nas sisudas câmaras da Justiça.
É algo que vai demorar, sendo oportuno lembrar que, até aqui, foram apenas de setenta inquéritos e mais meia dúzia. Falta muito mais e a nação poderá estarrecer-se, mais uma vez, do que com ela fizeram e do muito mais que pode vir à frente para comprometê-la e degradá-la.
O Brasil não parou, nem vai parar, e não simplesmente porque o presidente Temer o quer. Uma nação como a nossa não se desmonta pela ação delituosa de centenas de pessoas, numerosas já denunciadas, e outras das vindouras listas. 
Estamos apenas no começo de um grande esforço para lançar luzes sobre uma fase muito obscura na existência deste país, que quer e precisa conhecer melhor quem está na liderança de seus desígnios, pessoas, grupos. Partidos?
Ruy já dizia que “os fatos de grandeza histórica, que enchem uma época, e imprimem expressão típica a um tempo, não pertencem ao cabedal doméstico dos partidos, que à sombra deles se formam, e lhes encarnam as ideias”.
Vivemos um período dolorosamente dramático e não podemos perder o ensejo de extrair lições para o futuro. Este o momento da decisão sobre quantos estigmatizaram a honra nacional. Deveriam sabê-lo antes de perpetrarem o que perpetraram.
Em todo lugar e tempo, há maus e malévolos, porque em toda parte existem as sementes da maldade, que precisam ser eliminadas antes que germinem ou que sejam afastadas de vez quando identificadas.
Temos, novamente, de citar o grande jurista: “As catástrofes mais atrozes, mais sinistras, mais desesperadas são as que entorpecem o caráter das nações e, depois de as difundir no coma da indiferença, as sepultam no sono do aniquilamento”. Ao coma da indiferença, acrescentaria eu, o da impunidade.

 


Em "As lições da hora presente", o tema é a apuração da corrupção de nossos políticos e a impunidade,  visto sob uma perspectiva crítica, resultando na revolta e no desabafo do crônista.

Peça aos alunos que comentem o texto. Em seguida, listem em grupo alguns dos elementos característicos do gênero que estejam presentes no texto. Como tarefa para casa, peça que eles utilizem notícias recentes, relacionadas à cidade e ou país, como gancho para a produção de uma crônica de tom político.

Na aula seguinte, peça que alguns alunos compartilhem seu trabalho com os colegas, que podem comentar as produções. Finalize o trabalho, pedindo o auxílio da turma para listar os conteúdos estudados, como as características típicas do gênero crônica e as relações com o jornalismo e a literatura.

Produto final
Com a produção dos alunos, publique-as no blog da escola. 

Avaliação 

A partir dos textos produzidos e do debate realizado em sala, observe se os alunos foram capazes de compreender a crônica como gênero híbrido entre o jornalismo e a literatura; contextualizar a evolução do gênero, de suas origens à produção contemporânea; compreender as características reflexivas, digressivas, humorísticas, líricas, sociais, historiográficas, políticas encontradas nas crônicas e produzir crônicas cada vez melhores a partir das leituras e dos estudos realizados.    

Créditos: André Rosa Formação: Professor de Literatura, mestre em Educação e integrante da equipe do programa Futuro Integral (SESC/PR)

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