Crônica: entre o jornalismo e a literatura

POR:
professor

Objetivo(s) 

- Identificar as características da crônica como gênero resultante da junção  entre o jornalismo (nasce de um acontecimento real) e a literatura (o texto e o  resulta da filtragem e da lapidação que o autor dá à sua matéria prima).
- Ler crônicas de diversos autores
- Produzir crônicas a partir dos estudos realizados e das observações cotidianas

Conteúdo(s) 

?Conceito e características da crônica;
?Processo de construção da crônica narrativa;
?O narrador e as personagens na crônica narrativa;
 

 

Ano(s) 

Tempo estimado 

Seis aulas

Material necessário 

-Caderno e papel;

- Data-show;
- Cópias das seguintes crônicas:
Do livro A Companheira de Viagem, de Fernando Sabino ( Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pág. 174): "A última crônica"
Do livro 200 Crônicas Escolhidas, de Rubem Braga (Ed. Record): "O padeiro"
Do site http://vejasp.abril.com.br/materia/cronica-ivan-angelo-protestos, de Ivan Ângelo: "Protestos"

 

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução

O nascimento da crônica moderna se deu entre os séculos 14 e 15, em Portugal. Como cronista real, Fernão Lopes (1380?- 1460?), guarda-mor da Torre do Tombo em Portugal, tinha o papel de registrar e arquivar a cronologia dos reinados e de toda a história das dinastias portuguesas. Lopes foi o primeiro a produzir textos com características modernas: a autoridade das informações advinha da referência documental, o autor mantinha-se distante e neutro em relação aos fatos, buscando narrar a realidade afastado das emoções e subjetividades. O gênero tinha, então, um viés historiográfico.

A partir do século 19, através de sua difusão no meio jornalístico, os autores passam a utilizar a crônica como meio de análise subjetivos de acontecimentos cotidianos, comentando temas próximos aos leitores de jornal.

No Brasil, o caráter mais breve e informal do gênero permitiu que ele fosse utilizado como espaço de exercício para grandes autores como José de Alencar, Manuel Antonio de Almeida, Raul Pompéia e Machado de Assis no século 10 e Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, João do Rio, Lima Barreto, Fernando Sabino, entre outros do século 20. Entretanto, grandes escritores tiveram seu talento reconhecido por conta de textos do gênero que publicavam nas páginas de jornais e revistas, como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Heitor Cony e Mário Prata.

Destes, Rubem Braga (1913-1990) é o principal representante. Seu trabalho, publicado ao longo de sua vida em diversos jornais, compilações e antologias, acabou por elevar a crônica ao patamar de grande literatura.

Outro autor de desque é o mineiro Fernando Sabino, ecritor do texto " A última crônica", que ilustra o percurso do ato criativo deste gênenro.

Procure descobrir o que os alunos já sabem sobre o gênero e como se relacionam com ele. Pergunte se costumam ler textos desse tipo, se reconhecem algumas de suas características e se conhecem alguns autores.

Mostre as imagens (pinturas de Philip Barlow, que, a um primeiro olhar, parecem fotografias desfocadas, no entanto, são pinturas a óleo refletindo a visão do artista.

Explique que a origem da palavra crônica está ligada à noção de tempo. Chame a atenção para palavras que possuem a mesma raiz, como cronograma, cronômetro e cronologia, podendo fazer uma alusão ao deus da mitologia grega: Chronos. No gênero, essa relação com o tempo se mostra tanto na brevidade dos textos quanto no fato de ele se basear em acontecimentos cotidianos.

Conclua a apresentação do gênero, destacando sua aproximação tanto de textos jornalísticos quanto da literatura. De um, ele herda a brevidade, a aproximação com o leitor e o embasamento em fatos cotidianos. Do outro, o lirismo, o humor, a subjetividade e a elaboração da linguagem.

2ª etapa 

Assista e leia com os alunos a a adaptação em vídeo e o texto da crônica "A última Crônica, retirada do livro A Companheira de Viagem. Discuta o texto, estimulando os alunos a notarem algumas das principais características do gênero e que estão presentes, como a ironia, o lirismo e a subjetividade.

O principal traço a ser destacado é a forma breve - mas não superficial - utilizada para refletir sobre acontecimentos comuns: a partir da  comemoração da família, o autor trata de grandes temas como amor, humildade, felicidade.

Outro elemento a ser destacado é o uso do elemento surpresa. Esse recurso se apresenta logo que a família adentra o recinto, quando o narrador se questiona sobre um possível assunto para a sua crônica.

A aproximação do leitor é outro ponto que deve ser notado. Isso fica expresso nas passagens em que o narrador parece se dirigir diretamente a quem está lendo: confidenciando seus anseios: "Na realidade estou adiando o momento de escrever", mostra-se intimidado: "A perspectiva me assusta.", revela seu desejo: Gostaria de estar inspirado".

Após os comentários, peça que os alunos relembrem um fato aparentemente banal e cotidiano que eles tenham vivido e que possam servir como mote para uma crônica. Como tarefa de casa, peça que façam um exercício de observaçã e registrem em seus cadernos o que lhe chamou a atenção, as possibilidades e temas em que gostaram e pensaram.

Inicie a aula seguinte pedindo que alguns alunos, voluntariamente, leiam o que coletaram como mote para produzir uma crônica. Peça que os próprios observadores e a turma comentem os fatos ocorridos. Note, por exemplo, se os alunos utilizaram o evento cotidiano listado anteriormente como ponto de partida para uma reflexão.

3ª etapa 

Explique aos alunos que as crônicas não são apenas reflexões sobre o cotidiano, mas também podem tratar de temas graves, como política. Distribua então os textos "Protestos", de Ivan Ângelo.
Em "Protestos", o tema é o resultado da incompetência e da corrupção de nossos políticos  visto sob uma perspectiva crítica, resultando na revolta e no desabafo do crônista.

Peça aos alunos que comentem o texto. Em seguida, listem em grupo alguns dos elementos característicos do gênero que estejam presentes no texto. Como tarefa para casa, peça que eles utilizem manifestações recentes como gancho para a produção de uma crônica de tom político.

Na aula seguinte, peça que alguns alunos compartilhem seu trabalho com os colegas, que podem comentar as produções. Finalize o trabalho, pedindo o auxílio da turma para listar os conteúdos estudados, como as características típicas do gênero crônica e as relações com o jornalismo e a literatura.

Produto final
Com a produção dos alunos, produza um fanzine ou publique-os em um blog. Algumas ferramentas que permitem a publicação gratuita de conteúdo na internet são o Wordpress.com, o Blogger e o Tumblr.

Avaliação 

A partir dos textos produzidos e do debate realizado em sala, observe se os alunos foram capazes de compreender a crônica como gênero híbrido entre o jornalismo e a literatura; contextualizar a evolução do gênero, de suas origens à produção contemporânea; compreender as características reflexivas, digressivas, humorísticas, líricas, sociais, historiográficas, políticas encontradas nas crônicas; analisar a obra de autores consagrados e produzir crônicas cada vez melhores a partir das leituras e dos estudos realizados.   Quer saber mais? Coletâneas de crônicas Contos e Crônicas para ler na escola (João Ubaldo Ribeiro, Ed. Objetiva, 200 págs., 36,90 reais, 21/2199-7824 ) Comédias para se ler na escola (Luís Fernando Veríssimo, Ed. Objetiva, 148 págs., 36,90 reais, 21/2199-7824 ) Seleta de Prosa (Manuel Bandeira, Ed. Nova Fronteira, 592 págs.,21/3882-8200) 200 Crônicas Escolhidas (Rubem Braga, Ed. Record, 490 págs., 37,90 reais, 21/2585-2000) Crônicas para Ler na Escola (Carlos Heitor Cony, Ed. Objetiva, 160 págs., 35,90 reais, 21/2199-782  

Créditos: André Rosa Formação: Professor de Literatura, mestre em Educação e integrante da equipe do programa Futuro Integral (SESC/PR)

Compartilhe este conteúdo:

Tags

Guias