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Planos de Aula
02 de Setembro de 2017 Imprimir
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A construção do romance histórico

Por: novaescola

Conteúdo(s) 

Bloco de Conteúdo
Literatura

Conteúdo

Prosa, gêneros narrativos

Objetivos
Identificar características do gênero romance histórico

Conteúdos
Literatura, romance histórico

Tempo estimado
Três aulas

Introdução
A entrevista com o romancista americano James Ellroy (O presente não me interessa), publicada em VEJA, menciona as circunstâncias pouco usuais em que o autor cria suas obras: dentro de uma casa com as janelas fechadas, sem ver televisão, ler jornais ou usar a internet; num esforço para transportar-se à Los Angeles de meados do século 20 - o pano de fundo de suas tramas. Foi desse modo que ele escreveu o livro que considera sua obra-prima: Sangue Errante, que, segundo ele, "retrata bem toda uma época da história americana". Apesar de ser considerado pela crítica um autor de romances policiais, o livro retratado na reportagem de Veja pode ser classificado como um romance histórico. Isso porque, na obra, o autor faz uma reconstrução da Los Angeles do século 20, ou seja, reconstitui no texto os valores e os costumes da sociedade que retrata. Esses elementos são essenciais para o desenrolar da trama, bem como para seu entendimento. Use o texto e a entrevista como bases para examinar na sala de aula o estilo de Ellroy e o gênero literário por ele escolhido.

Desenvolvimento

1ª aula
Por meio de uma aula expositiva, ensine à turma que o romance histórico surgiu no século 19, com o escocês Walter Scott, autor das obras Waverley (1814) e Ivanhoé (1819). Em pouco tempo, o gênero ganhou adeptos em vários países do mundo. Um deles foi o francês Honoré de Balzac, que escreveu Os Chouans (1829); outro, o russo Leo Tolstoy, autor do monumental Guerra e Paz, publicado entre 1865 e 1869. Aponte os laços entre esse gênero e o chamado romance "de capa e espada", que tem como principal representante o livro Os Três Mosqueteiros. Indague sobre as eventuais diferenças entre um e outro gênero. Faça com que a turma perceba que, no segundo caso, a ação é mais importante do que a reconstituição histórica e que, por isso, não necessita ser tão exata.
Na entrevista concedida à revista Veja, Ellroy informa que os documentos históricos que servem de base a seus livros permitem-lhe construir uma versão única da história americana - a dele - tornada mais interessante por personagens de ficção. Será que esse procedimento é exclusivo do autor, ou mesmo dos romancistas em geral? Coloque em debate com a turma essa questão. Leve os estudantes a notar que os pintores e cronistas que registram determinado episódio histórico agem de maneira semelhante, construindo imagens baseadas em seu olhar, bagagem cultural, origem social e ideias. Em certa medida, os historiadores fazem a mesma coisa, escolhendo um tema ou privilegiando esse ou aquele aspecto de determinado episódio. Ou seja, o trabalho com os fatos históricos tem sempre uma dimensão de subjetividade: seja no romance, seja na iconografia ou na historiografia, a história é sempre pintada com as cores de um autor ou de uma época.

2ª aula
Solicite que os alunos façam uma pesquisa sobre a trajetória do romance histórico no Brasil. Os jovens vão verificar que o gênero conquistou adeptos no país no século 19, com obras como As Minas de Prata (1862), de José de Alencar. Depois de um longo período de obscuridade - durante o qual floresceram gêneros como o romance regionalista - foi retomado em 1975, com Galvez, Imperador do Acre, do amazonense Márcio Souza. Desde então, as obras se multiplicaram, com livros como Agosto (1990), de Rubem Fonseca - sobre os últimos meses de Getúlio Vargas, em 1954 -, e a produção de Ana Miranda. Nela se destacam Boca do Inferno (1989), que tem como protagonista o poeta baiano Gregório de Matos, e Desmundo (1996), sobre as órfãs portuguesas que, no século 16, vinham para o Brasil em busca de casamento. Sugira a leitura de algum desses livros ou de resenhas sobre eles, para a retomada do tema na aula seguinte.
Conte que entre 1949 e 1962 o gaúcho Erico Veríssimo publicou a trilogia O Tempo e o Vento, que apresenta 200 anos da história do Rio Grande do Sul (de 1745 a 1945). Encarregue a classe de reunir elementos sobre a trilogia que permitam aos alunos identificar por que a obra não costuma ser classificada como um romance histórico.

3ª aula
Promova a discussão dos livros citados e, em especial, de O Tempo e o Vento. Os dados levantados vão evidenciar que essa obra está situada na intersecção entre o romance histórico, o regionalista e o chamado romance neorrealista. Em outras palavras, a trama histórica é importante, mas aspectos como a paisagem, as relações socioculturais entre os habitantes e conflitos psicológicos desempenham um papel igualmente fundamental.

Avaliação
Com as atividades, verifique se a turma percebeu que toda produção cultural tem um elemento subjetivo e que as fronteiras entre os gêneros literários - entre o romance histórico e o regionalista, ou entre o romance histórico e o de "capa e espada", por exemplo - estão longe de ser bem definidas.

Créditos: Carlos Eduardo Matos Cargo: Consultoria Formação: jornalista e editor de livros didáticos e paradidáticos.

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