Consequências da obesidade para a saúde

POR:
novaescola

Objetivo(s) 

  • Distinguir as principais doenças causadas pela obesidade
  • Identificar as causas da doença
  • Saber como prevenir
  • Analisar os próprios hábitos alimentares

Conteúdo(s) 

Corpo Humano.

Ano(s) 

7º, 8º

Tempo estimado 

3 a 4 aulas

Material necessário 

  • Computadores com acesso à internet
  • Jornais e revistas do acervo da biblioteca
 

Desenvolvimento 

1ª etapa 
Antes mesmo de começar as aulas, se prepare para tomar um cuidado muito importante: o de não constranger os alunos que estiverem acima do peso. A sequência didática deve ser conduzida para tratar de saúde e é muito importante não dar motivos para problemas entre os estudantes.


Faça um questionamento: o que é obesidade? Isso é uma doença? Ouças as respostas da turma e anote no quadro. Em seguida, use o texto abaixo como base para uma exposição que explique o que é obesidade:

O que explicar para a turma

A obesidade é uma doença crônica multifatorial, já que pode ser causada por fatores genéticos, ambientais e até medicamentosos. Pode ser definida também como um acúmulo excessivo de gordura corporal com potencial prejuízo para a saúde.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é a causa da morte de 2,8 milhões de pessoas por ano. Isso indica que por volta de 12% da população mundial é considerada obesa. Esse relatório mostra que entre 1980 e 2012 o número de obesos dobrou em todos os continentes. Esses dados indicam que, dentre as doenças não contagiosas, as doenças associadas à obesidade são a causa da morte de 2/3 das mortes das pessoas no mundo. Essas doenças são diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares.
É importante destacar que a gordura é importante para o corpo - desempenha funções como produção de hormônios sexuais, formação da membranas celulares, revestimento, isolamento térmico e proteção contra choques.

Uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é superior a 25, sendo considerado o ideal a faixa que vai de 18,5 a 25. Acima disso encontram-se várias medidas de obesidade chegando até a obesidade mórbida.

Nesses casos, o risco de desenvolver diabetes mellitus tipo 2 é três vezes superior. O que acontece é que na obesidade, as células criam uma resistência contra a ação da insulina, um hormônio fabricado pelo pâncreas que diminui a taxa de açúcar no sangue. Essa diminuição ocorre porque a insulina facilita a entrada da glicose nas células, retirando-a do sangue. Mas como a obesidade torna as células resistentes, é como se o corpo não tivesse insulina: a glicose não entra nas células, o que prejudica todo o metabolismo celular.

obesidade também pode provocar a elevação da pressão arterial (hipertensão arterial). Naturalmente o coração faz uma força para impulsionar o sangue pelos vasos sanguíneos, fazendo-o circular pelo corpo todo. O problema é que essa força exercida pelo coração é 50% maior do que o normal nos indivíduos obesos. Com relação à hemodinâmica, o que ocorre é um aumento do volume extracelular o que provoca duas situações complicadas para o coração, aumento do fluxo sanguíneo e consequente aumento do débito cardíaco. Como o coração precisa bombear um volume maior de sangue, naturalmente ele precisará exercer maior força de contração para fazer esse excesso de sangue circular pelo corpo.

O excesso de peso também pode provocar doenças cardiovasculares, que afetam diretamente a atividade cardíaca e o funcionamento correto dos vasos sanguíneos. Isso pode provocar o infarto e o acidente vascular encefálico - popularmente conhecido como derrame cerebral. Além disso, podem ocorrer arritmias cardíacas, isquemias ou anginas. A principal ocorrência nas doenças cardiovasculares é a aterosclerose. Esse é o nome dado para a deposição de placas de gordura nas artérias que dificultam a passagem do sangue. Como o espaço para a passagem diminui, surge uma resistência à passagem do sangue. Assim, o coração precisa fazer mais força para vencer essa barreira. Além disso, essas placas de gordura diminuem a elasticidade natural das artérias, contribuindo para o aumento da pressão arterial.

(Marcos D. Muhlpointer)

 

 

 

2ª etapa 
Questione o que os alunos acham que deve ser feito para evitar a obesidade. Pergunte se já viram receitas "milagrosas" que propõe um emagrecimento acelerado. É provável que a turma responda que sim. Afinal, hoje em dia há um estímulo ao uso de procedimentos questionáveis para a perda de peso como comprimidos e dietas que prometem um corpo perfeito. Normalmente o preço desses produtos é alto e o benefício causado é bastante questionável. Lembre que para evitar a obesidade é preciso evitar os fatores que a provocam.


Infelizmente, os estudantes costumam ser alvos fáceis de propagandas de produtos industrializados como refrigerantes e salgadinhos. Se elas forem treinadas a se alimentarem de modo correto, já será um grande passo para se evitar o aumento dessa epidemia que faz tanto mal à saúde!

Explique que dois tipos de alimentos devem ser evitados: as gorduras e o sal. As gorduras, principalmente as de origem animal, são altamente prejudiciais ao organismo. Frituras e óleos devem ser evitados. Lógico que a gordura não pode desaparecer do nosso cardápio, mas deve diminuir consideravelmente. O problema dos sais minerais, principalmente o excesso do sódio (presente no sal de cozinha), é a retenção de líquido. Com mais água no organismo, a tendência é o aumento do volume sanguíneo, o que provoca alterações cardiovasculares graves.

Não se deve comer de modo espaçado. O intervalo entre as refeições deve ser preenchido com pequenos lanches, frutas, sucos ou chás. Isso evita que o corpo acumule gordura. Uma vez que as células sempre estarão ativadas, isso determina uma diminuição na necessidade de acumular reservas para longos períodos sem comer.

Sem dúvida nenhuma que uma grande componente da obesidade é o sedentarismo. Desde a invenção do controle remoto, as pessoas começaram a se movimentar menos. É lógico que a tecnologia não é responsável pela obesidade. Mas o mundo moderno cheio de deveres e obrigações, em que temos pouco tempo para cuidar do corpo, força as pessoas a relaxarem demais quando encontram com algum tempo livre. A atividade física deve ser diária, aeróbica e direcionada. Para perder peso é preciso gastar o que foi acumulado ao longo do tempo.

O corpo do ser humano é um excelente acumulador de gordura, mas um fraco consumidor das gorduras estocadas. Por isso é difícil perder peso em pouco tempo. Daí a necessidade de se fazer atividades físicas aeróbicas com regularidade. Evolutivamente o corpo se desenvolveu para acumular reservas nutricionais, pois não se sabia quando seria possível encontrar o próximo animal para as refeições. Isso permitiu ao corpo acumular gordura de forma muito rápida.

3ª etapa 

Vale destacar, mais uma vez, que é fundamental ter cuidado ao tratar do assunto obesidade, pois pode ser que haja na sala algum aluno obeso. Essa condição tem uma dimensão social importante na vida do pré-adolescente. Não raro há discriminação, aceita ou velada, por causa do peso e da estética - o que, no limite, pode gerar problemas sérios como bulimia ou anorexia.

Além disso, o próprio aluno obeso se sente constrangido por não conseguir realizar tudo o que é proposto. E, evidentemente, isso pode ser mais prejudicial nas meninas. Por tudo isso destaque com a turma que é importante tratar o problema do ponto de vista da saúde pública, sem discriminar ou fazer piada.

Não há como fazer um trabalho preventivo contra a obesidade sem associar as aulas de Ciências com a área da Educação Física. A proposta dessas atividades é interdisciplinar, portanto, se possível, converse com o professor de Educação Física e elabore algumas aulas em conjunto. O projeto pode durar o ano todo, com monitoramento contínuo e atividades regulares de conscientização. Ou pode exigir um termo menor, como um trimestre ou um bimestre, dependendo do planejamento escolar.

4ª etapa 

Peça que os estudantes pesquisem as funções dos nutrientes mais importantes para a alimentação humana como carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais e vitaminas. Eles deverão preencher um quadro comparativo que também contenha em que alimentos podem ser encontrados esses nutrientes e qual a quantidade correta a ser digerida:

Quadro de nutrientes. Imagem: André Menezes

Outra hipótese é pedir que pesquisem a pirâmide alimentar. Essa classificação mudou muito ao longo dos anos. É interessante que a turma analise as causas de tantas transformações.

Para ter uma ideia, as primeiras pirâmides alimentares não incluíam atividades físicas. Hoje em dia, já podem ser incluídas na pirâmide alimentar, pois a alimentação saudável deve estar associada a uma atividade física regular.

5ª etapa 

Este é a hora da turma analisar a própria dieta! Proponha um levantamento dos hábitos alimentares. Peça que os estudantes montem uma tabela descrevendo o que comem, a quantidade e os horários. Basta fazer esse levantamento por uma semana para constatar se comem de maneira equivocada. Nesse levantamento você vai encontrar estudantes que comem mais do que o necessário e outros que se alimentam menos do que deveriam.

Depois desse levantamento, os alunos podem pesquisar como deve ser a dieta de uma pessoa na faixa etária deles.

 

Avaliação 

As pesquisas devem ser associadas ao levantamento sobre a alimentação dos alunos. Por meio dessa relação eles serão capazes de avaliar a própria dieta. Isso é importante para ligar alimentação às condições de saúde e para compreender que a  obesidade pode levar a outras doenças sérias como hipertensão.

Créditos: Marcos D. Muhlpointner Formação: Biólogo e professor de Ciências do Colégio I. L. Peretz

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