Cidadania Questão de Humanidade

POR:
professor

Objetivo(s) 

* Identificar transformações nos comportamentos e nos processos democráticos;

* Entender as práticas políticas em sociedades democráticas;

* Compreender o processo histórico político;

* Desenvolver o senso de cidadania

Conteúdo(s) 

* Transformações do processo eleitoral e comportamento político em uma sociedade democrática.

 

 

Ano(s) 

Tempo estimado 

Quatro aulas

Material necessário 

Artigo de VEJA:

Desenvolvimento 

1ª etapa 
  • Introdução


No Brasil, 2014 é ano eleitoral. Em outubro, o país irá às urnas para escolher presidente, governadores e membros do legislativo estadual e federal. Eleições de tal porte nas democracias modernas costumam implicar enormes campanhas políticas e, graças ao poder da televisão e das imagens, tornaram-se verdadeiros fenômenos midiáticos. É a chamada "espetacularização" da política, descrita pelo teórico francês Guy Debord.

Campanhas eleitorais procuram convencer o cidadão - tratado como consumidor - das qualidades e virtudes do produto que anunciam: determinado candidato ou partido. Esse bombardeio de propaganda com frequência causa decepção no eleitorado, que tende a se desinteressar ainda mais pela política. O tema é tratado por Roberto Pompeu de Toledo em artigo publicado em VEJA. Aproveite o texto e este plano de aula para analisar com seus alunos como são as campanhas eleitorais brasileiras, qual a importância das eleições para a democracia e quais atitudes o cidadão pode adotar para "politizar a política."

Comece a aula incitando os alunos a discutir o que é política e o que é democracia. Mostre a eles que a própria discussão é política e também democrática, uma vez que todos podem dela participar em condições de igualdade. Explique a importância da democracia para as sociedades, destacando que ela possibilita a qualquer cidadão ou grupo social desenvolver atividades que objetivem construir uma sociedade em conformidade com seus ideais, valores e interesses. Diga, também, que a democracia é dinâmica e está sujeita a transformações, requerendo a prática política dos cidadãos. Mostre que isso é fundamental para evitar que uma nação seja governada ou tutelada por apenas um homem ou grupo político.

Em seguida, explique à moçada que a democracia é uma construção baseada em eleições - dando ao cidadão a opção de escolher os servidores públicos que serão seus representantes e governantes. Observe que, no Brasil, temos eleições presidenciais desde a proclamação da República, em 1889. Entretanto, até 1930, tanto os analfabetos quanto as mulheres não podiam votar. Elas obtiveram o direito ao voto apenas em 1932, mas assim mesmo de modo parcial, pois só as casadas podiam exercê-lo, desde que devidamente autorizadas pelos maridos. Solteiras e viúvas só podiam votar se tivessem renda própria. Tal fato não perdurou muito diante das reações sociais e logo foi instituído o voto universal e secreto. Mostre ainda que o Brasil, após 1889, não conheceu a prática democrática e nem eleições presidenciais em duas ocasiões: na ditadura de Vargas, durante o Estado Novo (1937-1945), e na ditadura militar (1964-1985). Em ambas, a ditadura suprimiu a vida política cotidiana, reprimiu opositores, oprimiu a população, tutelou a nação e prejudicou a cidadania.

Explique que, durante os períodos democráticos de nossa história, as eleições implicaram diferentes tipos de campanhas políticas. Antigamente, os candidatos tinham que se locomover constantemente para ter contato com os eleitores, mas, após a disseminação da televisão no país e o aparecimento de outras mídias imagéticas, isso não foi mais necessário.

Pergunte aos alunos quais mudanças eles imaginam terem ocorrido na propaganda político-partidária com a chegada da televisão. Escute as respostas e complemente dizendo que as novas mídias provocaram uma alteração fundamental na relação entre os políticos e os eleitores ao suprimir o contato direto entre eles. Tal fato trouxe consequências nem sempre favoráveis à democracia, tendo inclusive iniciado o processo de "espetacularização da política". Peça que a turma leia e discuta o artigo O ano eleitoral - uma prévia, de Roberto Pompeu de Toledo, publicado em VEJA.

Para concluir, sugira que a turma investigue como os adultos - pais, tios, amigos - quais os critérios eles utilizam para escolher um candidato ou partido.

2ª etapa 

Peça que os alunos apresentem e comentem os resultados da pesquisa feita em casa. Em seguida, explique que a espetacularização da política transforma sua natureza, fazendo com que se torne predominantemente um acontecimento visual, imagético. Comente que as atuais campanhas eleitorais estão fundamentadas na televisão e em outros suportes, tendo como objetivo vender uma imagem produzida do candidato ou do partido, pouco importando sua concepção ou prática política.

A campanha é, como a de qualquer outro produto, planejada. Ela realça no candidato ou no partido determinadas qualidades que as pesquisas de mercado descobrem ser as preferidas dos eleitores. As imagens devem atingir a sensibilidade do eleitor, devem estimular suas fantasias ou emoções Explique que, por essa razão, as campanhas políticas se aproximam o máximo possível de um grande show. Mostre, ainda, que isso estimula grande parcela dos eleitores a escolher seus candidatos pela aparência, pela beleza, pelo prestígio social, pelo modo de falar ou por gestos que demonstrem firmeza ou convicção.

Em seguida, retome a discussão final da primeira aula. Mostre que isso pode tanto despolitizar a política quanto causar certo desinteresse do eleitor pela vida política. Estimule a discussão das consequências desse desinteresse e peça que os alunos dêem suas opiniões.

Mostre que tal fato pode interessar, sobretudo, aos próprios políticos, especialmente aqueles não comprometidos com qualquer causa social. Indague se isto pode ou não ser uma das raízes da corrupção política. Indague também o que o eleitor pode fazer diante dessa situação para aprimorar a democracia e "politizar a política". Aproveite para destacar que o voto implica responsabilidade social. Ou seja, o voto deve ser fruto de decisão livre e racional, um instrumento decisivo para a escolha de candidatos ou partidos que consideremos aptos a defender os princípios e valores políticos que pensamos ser corretos. É o instrumento democrático para lutarmos pela construção da sociedade que julgamos como a mais adequada não apenas para nós mesmos, mas para a maior parte da população.

Discuta como nossas escolhas têm consequências. Mostre como elas incidem em nossa vida cotidiana e mesmo no futuro mais ou menos imediato. Por fim, discuta como podemos proceder para elaborar critérios racionais para escolher os candidatos ou partidos. Aproveite para mostrar que devemos sempre examinar o histórico do candidato ou do partido e verificar se, na prática política e nas decisões tomadas, eles defenderam causas que favorecem a população. Dê exemplos: se consideramos como correta a defesa do meio ambiente ou a preservação da qualidade do ar, por que votaríamos em candidatos ou partidos que tomaram decisões contrárias a isso? Do mesmo modo, mostre que não se deve votar em candidato que não apóie medidas que favoreçam a prestação de contas públicas por parte dos políticos ou das instituições governamentais. Discuta também se um candidato que muda de partido a todo o momento merece nosso voto.

Para concluir, peça que os alunos discutam e apresentem sugestões sobre como deveria ser uma reforma política capaz de extinguir - ou ao menos minimizar - a espetacularização da política. Peça que expliquem a que critérios fundamentais ela deveria obedecer.

Avaliação 

Analise com a turma os resultados da pesquisa feita em casa e observe se eles entenderam quais são os critérios utilizados pelos adultos para a escolha dos candidatos. Preste atenção, também, às sugestões da turma para a reforma política. Exija coerência na argumentação e verifique se eles entenderam de fato o problema.

Créditos: Débora C. Carvalho Formação: mestre em Sociologia pela UNESP Araraquara.

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