Arte e Comércio

POR:
professor

Objetivo(s) 

- Conhecer as relações entre Arte e mercado em diferentes momentos da História da Arte.
- Entender os valores estéticos e subjetivos das obras de Arte.

Conteúdo(s) 

- Mercado de Arte.
- Financiamento da Arte ao longo da História.
- História da Arte.

Ano(s) 

Tempo estimado 

Duas aulas.

Material necessário 

Vídeo documentário sobre o assunto

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Introdução
A reportagem "O mercado virou curador" apresenta a Feira Internacional de Arte de São Paulo, a SP-Arte, como um marco transformador da cena artística no país e uma grande exposição de arte moderna e contemporânea. A revista mostra ainda um pouco dos bastidores do evento, as negociações, a logística e os investimentos envolvidos. Este é um bom ponto de partida para mostrar a importância deste empreendimento, estudar o mercado de arte e entender como o valor das obras é determinado.

Inicie dizendo aos alunos que nas próximas aulas eles vão estudar o mercado de obras de arte. Questione como acham que o preço de um quadro, de uma escultura ou de qualquer outra obra artística, é determinado. Fique atento para o que já conhecem e para os equívocos mais comuns. Ao longo da exposição, deixe espaço para que tirem dúvidas e façam comentários.

Explique o sistema de circulação de obras na história e as mudanças na autonomia do artista, conforme a figura que financiava seu trabalho. Diga que o mercado de arte pode ser considerado tão remoto quanto à própria Arte. Antes do estabelecimento da concepção liberal de mercado, guiado pelas leis da oferta e da procura, homens livres já trocavam seus produtos ou mercadorias na esfera pública. Com isso, o artista já recebia e tinha um público para seu trabalho.

Diga que, por muito tempo, a produção de obras esteve ligada a instituições importantes. Na Grécia, a Cidade-Estado monopolizava a demanda de obras. Durante o Império Romano, tanto a corte quanto particulares financiavam a produção artística. A Igreja Católica dominou quase totalmente as encomendas na Idade Média e até o século 17 permaneceu como um dos mais importantes financiadores.

Na última metade da Idade Média, muitos membros ricos da burguesia, a nova classe ascendente, demonstravam prestígio e poder pagando a produção de músicos, pintores, arquitetos, escultores e escritores em uma prática conhecida como mecenato. A atividade era impulsionada pelo desenvolvimento das cidades, quando muitos edifícios precisavam ser projetados e decorados para a camada social que crescia. O pleno desenvolvimento desta situação ocorreu no Renascimento, quando o mercado de arte se ampliou. Os lares de quem tinha mais dinheiro, assim como os castelos da nobreza - que nesta época mantinha seu prestígio com base no nome e na linhagem, não necessariamente na riqueza material - começaram a ser decorados com pinturas e esculturas. Aqui começa a se delinear outra figura importante: o connoisseur, ou colecionador. Diferentemente de quem encomenda, ele escolhe comprar o que lhe é oferecido. Com isso, a autonomia na produção do artista muda e ele  passa a trabalhar conforme sua clientela.

No período Barraco, ao lado do mecenato eclesiástico, muito presente na Itália, a monarquia absolutista na França tornou-se promotora e consumidora de obras, inaugurando um modelo de produção via Estado que até então não existia. A fundação da Academia Real de Belas Artes, no século 17, marca a iniciativa do governo de se tornar intermediário das relações entre público e artista. A instituição tornou-se responsável por garantir o aprendizado, a circulação das obras e principalmente, a hegemonia dos estilos.
Para continuar explicando a circulação das obras, diga que na Holanda protestante surgiu o comércio de Arte de modo semelhante ao que temos hoje. Lá, a burguesia estava no centro do poder e investia em artigos de mobiliário e decoração, sobretudo quadros. Mesmo quem não tinha dinheiro para comprar participava do comércio, pois os artistas vendiam seus trabalhos em feiras, através dos merchands. Neste momento, a História da Arte ocidental vislumbra uma crise por causa do excedente de artistas e da superprodução. O "boom" deste mercado, que não era regulamentado por intermediários como o Estado, leva a uma situação de concorrência que atinge talentos importantes do período. Observa-se que para um artista ser bem sucedido vários fatores são levados em conta: a qualidade das obras, a mera especulação do mercado e as mudanças no gosto de quem compra.

Um bom exemplo é Rembrandt (1606 - 1669), que passou pelas consequências desta nova ordem no século 18. A relação conflituosa entre o artista e o mercado alcançou um novo patamar no século seguinte, quando o capitalismo virou o sistema econômico dominante e a burguesia tomou o poder em vários lugares do mundo. Fica mais claro aí que o valor artístico de uma obra e o seu valor de mercado não são a mesma coisa. Os pintores impressionistas, por exemplo, foram negligenciados por seus contemporâneos e durante todo o século 20 foram alvo de especulações no mercado.

Hoje o artista é um profissional livre, mas que produz uma mercadoria e precisa, como os demais, sobreviver. A estrutura de compra e venda de obras foi incrementada com instâncias que mediam e orientam o comprador. Atualmente, galerias, revistas especializadas, a crítica de arte, os curadores e os museus são elementos que atuam entre público e artista. O mercado de arte, apesar de suas especificidades, está ligado à economia como um todo. Na prática, isso significa que há momentos vulneráveis, como em outros setores. Apesar disso, ele se mantêm como fundamental para a circulação de obras ao redor do mundo.
Apresente algumas obras aos alunos e oriente-os a perceber qual o valor que tinha na época de sua produção e hoje:

VermeereCaravaggio

Comece pela imagem da esquerda,  A incredulidade de São Tomé, de Caravaggio (1601/1602) . Comente a prevalência dos temas religiosos, devido à situação política, frente à Reforma Protestante. Cite que o Naturalismo afasta o tema da espiritualidade, apresentando uma verdade carnal. Apóstolos, historicamente representados como santos, aqui se assemelham a homens comuns. Segundo o pintor, eram trabalhadores, assim como seus modelos. Podemos afirmar que esta autonomia em sua representação afastou suas obras do mercado. Caravaggio teve obras recusadas, foi perseguido por grupos de artistas e religiosos, mas também teve defensores em ambos os campos e hoje é uma referência na pintura.

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Em contrapartida, projete Mulher de azul lendo uma carta (1662-1664) de Vermeer. O artista trabalhava por encomendas particulares nos Países Baixos, onde o protestantismo era a religião vigente. Nesta imagem vemos uma mulher lendo, indício da sociedade letrada anunciada pela Reforma.Conte aos alunos que o Impressionismo não estava ligado a nenhuma ideologia ou política. O interesse comum era a própria pintura. Os artistas queriam fazer algo completamente diferente da pintura acadêmica. Havia singularidades em suas técnicas. Em 1874, o grupo fez sua primeira exposição, o "O Salão dos independentes", historicamente conhecido como "Salão dos Recusados". O desenvolvimento da fotografia e a pesquisa ótica tornavam o ambiente favorável às inovações do grupo, por outro lado despertou o interesse da burguesia, acostumada a técnicas de representação mais naturalistas, que não aprovou o trabalho do grupo, e, em busca de retratos, recorria aos fotógrafos.

2ª etapa 

Comece explicando que há variações nos critérios de avaliação das obras produzidas em momentos históricos diferentes. Algumas técnicas podem estar diretamente associadas à sua época, dadas as condições sociais ou tecnológicas.Muitas vezes os alunos querem saber a relação entre o nome do artista e o valor de suas obras. Apresente Cézanne, suas relações com o Cubismo e com o Grupo dos impressionistas. Mostre também as particularidades de sua pesquisa e sua influência sobre outros artistas e explique porque é tão conceituado. Recentemente, uma aquarela dos estudos que precederam sua série "Os jogadores de cartas" (1980-02), foi vendida por 19,12 milhões de dólares, sendo considerada uma das obras de arte mais caras da história dos leilões.

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Muitos processos da arte contemporânea demandam equipe, logística e até mesmo matéria prima de alto valor, enquanto outros parecem ser inegociáveis. Projete imagens de trabalho dos artistas Christo e sua já finada companheira Jeanne-Claude e evidencie o uso da arte como empreendimento. A dupla tinha a colaboração de voluntários e sem patrocínios ou investimento público, capitalizavam recursos vendendo esboços dos projetos.

Por fim, apresente o documentário Cildo, de Gustavo Rosa de Moura, Brasil, 2008. O filme aborda a trajetória do artista Cildo Meireles, mostra valores subjetivos de sua obra e o reconhecimento internacional de seu trabalho. Se o tempo for insuficiente, escolha trechos do filme que está disponível na internet,  como a exposição na Tate Modern e permita pausas para comentários dos alunos.

3ª etapa 

Realize um debate com a classe para que juntos estabeleçam critérios para a avaliação de obras de arte. Divida a classe em grupos e criem um sistema de classificação, que pode ser feito por estrelas. Cada grupo deve escolher uma obra de arte e pesquisá-la para avaliação, considerando, a importância do artista, o caráter subjetivo, a importância histórica e a técnica. Para ajudar a turma, releia parte da matéria de Bravo! que trata da forma como as galerias expõem e atraem interesse para suas obras.

4ª etapa 

Os grupos deverão trazer suas pesquisas, que serão avaliadas em seu conteúdo. Para a apresentação da defesa do valor das obras escolhidas, monte um pequeno stand em sala de aula. Cada grupo, durante sua apresentação, poderá usar o stand como quiser.
É importante que o público - isto é, o resto da turma -, participe da classificação final de cada trabalho. Você pode ajudá-los a estabelecer relações entre as obras escolhidas e, juntos, chegarem a uma avaliação final de cada uma.

Avaliação 

Durante a exposição do conteúdo, deixe espaço para as dúvidas e comentários dos alunos. Observe se compreenderam que os critérios do mercado para valorar as obras de Arte mudam conforme a época e que o valor artístico é diferente do valor financeiro. Avalie estes pontos também durante a atividade de classificação das peças e note se reconheceram os valores estéticos e subjetivos das obras.

Créditos: Jaqueline Jacques Formação: Professora de Arte do Colégio Marista Arquidiocesano

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