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Água poluída e um portfólio periódico

POR:
novaescola

Objetivo(s) 

- Refletir sobre as tragédias humanitárias e as condições de vulnerabilidade social e ambiental;
- Verificar que fatores ambientais são indicadores de poluição;
- Realizar uma pesquisa de campo e uma investigação científica;
- Aprender os conteúdos didáticos da tabela periódica e seus componentes;
- Propor uma solução parcial para o problema de abastecimento.

Conteúdo(s) 

Química
- Origem histórica dos átomos
- Tabela periódica e suas propriedades
- Misturas e soluções
- Processo físico e químico na análise de reações químicas

Meio Ambiente
- Propriedade física e química da água
- A água e o ser humano
- Transporte e eliminação de resíduos

Ano(s) 

8º, 9º

Tempo estimado 

4 meses

Material necessário 

- Materiais para coleta da água (baldes, recipientes de vidro como béqueres etc.).
- Laboratório com materiais básicos e reagentes para análise da água contaminada (exemplo: maleta Alfa-Kit Potabilidade da Água).
- Cadernos ou pastas e folhas soltas para montagem do portfólio periódico.

Desenvolvimento 

1ª etapa 

Apresente o conteúdo da tabela periódica de forma sucinta e tente relacioná-lo a um fato ocorrido em sua região, de preferência, que envolva algum manancial (no caso do Projeto Nota 10, a relação foi com o rompimento da barragem em Mariana, MG, que contaminou com lama carregada de minérios o Rio Doce, que tem sua foz no Espírito Santo). Mas qualquer rio, riacho ou córrego urbano apresentará alteração da qualidade da água e poderá ser objeto de estudo com esses objetivos. Uma vez poluído, o manancial deixa de ser um recurso e vivemos uma crise hídrica. Pesquise e leve reportagens sobre o assunto para a sala e oriente que os alunos também pesquisem na internet sobre poluição local e escassez de água. Faça um debate na classe e organize uma mesa redonda para que os próprios alunos proponham os próximos passos de investigação. Em seguida, oriente uma pesquisa a campo, e leve a turma para entrevistar a comunidade afetada pelo ocorrido ou os moradores de área de manancial (rio, represa, córrego) poluído em sua cidade. Elabore com os estudantes uma proposta de entrevista que depois pode ser socializada e editada coletivamente. Tire cópias e saia a campo com a turma. Na volta, pergunte a impressão geral dos alunos, converse sobre a saída a campo. Tabule as respostas objetivas em gráficos. Caso exista oportunidade na instituição onde trabalha (site, blog, mural), organize que os alunos comuniquem a comunidade escolar sobre o problema, expondo os gráficos nos corredores ou preparando cartazes sobre o assunto. Se houver uma revista escolar, podem ir publicando o trabalho em etapas.  

2ª etapa 

Organize um passeio dos alunos no próprio manancial (rio, represa), em barcos, e peça para que observem atentamente a contaminação e anotem todas as informações possíveis para futuros resultados e questionamentos. Anteriormente à saída prepare junto com a turma os equipamentos necessários para a coleta. Antes de iniciar, coloquem jalecos, luvas e máscaras e, com os materiais em mãos, coletem água e outros materiais (lama ou resíduos sólidos) para análise tanto no laboratório da escola quanto no de uma universidade ou da estação de tratamento de água da região (no caso do Rio Doce, foram parceiros a UFES – Universidade Federal do Espirito Santo, e a ETA de Boa Esperança, ES). Ao final da coleta, oriente que os alunos limpem as mãos com álcool gel, mesmo tendo usado luvas. Se possível, leve os alunos para saídas a campo para conhecer um laboratório de faculdade, especializado nesse tipo de análise, e a uma Estação de Tratamento de Água. Caso não seja possível a saída pedagógica, procure na internet vídeos que mostram o tratamento da água. Também é interessante diferenciar o tratamento da água do tratamento do esgoto. Na sequência, no laboratório escolar, realize análises físicas e químicas da água. Oriente os alunos quanto ao procedimento correto para realizar o experimento envolvendo: Alcalinidade, Ph, Acides, Cloreto, Oxigênio, Dureza Total, Coliformes Fecais, Turbidez, Cor, Odor, Ferro, Arsênio, Manganês e vários outros componentes químicos de possível análise. Peça que eles anotem sempre os resultados encontrados, em uma ficha descritiva, para que ao final seja feita a montagem de um relatório analítico. Se for possível, organize mais de uma coleta ao longo de um período ou mesmo em horários diferentes no mesmo dia, pois pode dar assunto para discussão. Por exemplo, se existe poluição nos períodos de pico os parâmetros variam, assim como em períodos de chuva e seca. 

3ª etapa 

Inicie com a turma a montagem de um portfólio periódico. Inicie a discussão do que estava sendo medido na água e, a partir das amostras, associe com substâncias químicas e elementos químicos. Vale discutir diferença entre mistura, substância, elementos químicos, átomos e moléculas, como constituintes da matéria, sem aprofundar em estruturas Ao analisar uma amostra da água ou da lama, usando tanto o reagente quanto o microscópio, explique o nome dos elementos presentes na análise, um exemplo “Cloro Livre”, então o símbolo do elemento é o (Cl - Cloro), e a partir daí os alunos devem preencher uma ficha descritiva com as seguintes informações: nome do elemento, ano de descoberta, químico, responsável pela descoberta, símbolo, número atômico, número de massa, família, período, classe, estado físico, distribuição eletrônica e exemplo de onde poderíamos encontrar. Para complementar o aprendizado, leve os alunos para pesquisar em revistas e jornais uma imagem que mostre a presença daquele elemento estudado. Oriente que recortem e colem essa imagem abaixo das informações de cada elemento para montando assim um novo modelo de tabela periódica. Estimule cada aluno a investigar, buscar, questionar e registrar, para que cada vez mais ele assuma o papel de pesquisador científico. Peça para que eles organizem o portfólio seguindo a sequência de ordem de acordo com a numeração dos átomos e cores da tabela periódica tradicional, para que as consultas fiquem mais facilitadas. As famílias têm propriedades diferentes e isso é discutido. A ideia principal é que os estudantes percebam que existe uma lógica na tabela. Se houver uma etapa de retorno dos alunos à comunidade, o portfólio pode servir para responder a dúvidas e ensinar os próprios moradores sobre a concentração na água de um determinado elemento (por exemplo, Manganês).

4ª etapa 

Nessa etapa, identificada a situação problema que assola o manancial estudado e a comunidade do entorno, dê oportunidade aos alunos de propor soluções. Uma pesquisa sobre processos de filtração da água ajuda a pensar nelas e compreender as diversas limitações dos sistemas de filtragem. Conforme trouxerem sugestões retiradas da internet, de revistas especializadas ou livros (disponibilize os exemplares, se possível), peça para retomarem as observações sobre o processo observado na Estação de Tratamento de Água (ETA) para deixar a água potável. Construa filtros e teste a sua eficácia. Experimente diversos materiais e soluções. Com a melhor opção consolidada, leve a ideia para a comunidade e contate empresas que possam fazer doações dos componentes e organize uma saída para implantar filtros ou orientar os moradores a construí-los. (No caso do projeto do Educador Nota 10, para montar esse filtro caseiro o comunitário precisava apenas de três tonéis de água mineral vencidos, uma torneira para saída da água, areia grossa, areia fina, e pedras pequenas. Um tonel ficava sobreposto ao outro sendo que no primeiro era colocada a água captada diretamente do rio pelo balde ou outros mecanismos, no segundo tonel estavam as camadas de filtração e os minérios ficavam retidos parcialmente. A água chegava ao último tonel com 75% dos metais retidos na areia e transparente, própria para uso doméstico, retenção comprovada após analise feita nos laboratórios da UFES e da ETA.)

5ª etapa 

Se a turma tiver optado por comunicar a comunidade escolar (veja na 1ª etapa), deve continuar publicando suas observações a cada final de etapa. Caso contrário, com o projeto concluído, peça aos alunos para organizarem uma linha do tempo com as etapas do trabalho e selecionarem materiais para serem apresentados em forma de seminário para outras turmas e membros da comunidade escolar e até para moradores impactados pelo projeto. Peça que sistematizem todos os conhecimentos adquiridos, que separem material visual como fotos e vídeos do percurso. Eles devem combinar quem fala o quê e ensaiar a apresentação. Oriente-os na organização das etapas, ressalte que deve ficar clara a situação-problema e a solução apresentada (e os benefícios experimentados, caso sejam de fato instalados filtros), sem esquecer dos conteúdos que foram aprendidos no período, de forma a inspirar outros alunos. Pode ser elaborado também um panfleto que resuma e informe sobre o projeto para a comunidade escolar.  

Avaliação 

Avalie de forma individual e em grupos, acompanhando a execução em cada etapa. O estudante analisa a amostra da água ou da lama no microscópio e em uma ficha descritiva realiza as anotações solicitadas, além disso, prepara o portfólio com os elementos químicos encontrados, pesquisando desde as informações simples quanto as mais complexas sobre ele. Solicite também a elaboração de um texto contando a experiência que o estudante teve ao desenvolver o projeto. Avalie o seminário apresentado, os textos produzidos e os portfólios montados, atribuindo notas também pela participação e pelo envolvimento nas atividades. 

Créditos: Autor: Wemerson da Silva Nogueira Cargo: Educador Nota 10 de 2016 Créditos: Consultoria: Mário Domingos Cargo: doutor em Ciências da engenharia ambiental, professor da Universidade de Santo Amaro (UNISA) e selecionador do Prêmio Educador Nota 10.

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