Como um professor criou um seminário de inovação no interior de Minas

João Paulo de Araújo ficou impressionado com o que viu no SXSW e percebeu que dava para trazer a experiência ao Brasil

POR:
Pedro Annunciato
O professor João Paulo, no SXSW, em março deste ano: evento no Texas foi inspirador. (Foto: Arquivo pessoal/Facebook)

Professor não consegue guardar para si as coisas que aprende. Quando ouve alguma novidade que o encanta, não se aguenta: precisa ensinar, compartilhar, disseminar pelo mundo afora o que viu e ouviu. João Paulo Pereira de Araújo é assim. Docente de História da rede pública de Leopoldina (MG) e vencedor do Prêmio Educador Nota 10 de 2013, ele foi um dos 11 escolhidos que integraram o grupo convidado por NOVA ESCOLA e Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola, para participar do South by Southwest (SXSW), o maior evento de Educação e inovação do mundo. O SXSW foi realizado em Austin, no estado do Texas, em março deste ano, e reuniu gente do mundo todo.

A oportunidade era boa, mas ele admite que achava que veria algo distante de sua realidade. “Imaginei que estávamos indo para um seminário onde ouviríamos grandes especialistas, palestrantes estrelados”, conta João Paulo. “Não era nada disso.” O SXSW teve conferencistas com alguma fama no mundo da Educação, mas o que impressionou o docente foi encontrar professores reais, que vivem o dia a dia das escolas americanas. “Eles apresentavam trabalhos simples e, ao mesmo tempo, incríveis. E compartilhavam conosco seus problemas – às vezes, muito parecidos com os nossos”, diz ele.

A intensa troca de experiências fez com que o educador tivesse uma ideia: se professores americanos, juntos, podem fazer um grande festival, por que não criar uma oportunidade como essas no Brasil? O professor sabia que, na sua região, boas iniciativas não faltavam, mas eram escassos os espaços para valorizar e discutir as práticas inovadoras. Por que não tentar?

Esforço coletivo

João Paulo aterrissou no Brasil cheio de ideias. Era hora de arregaçar as mangas. Ao retornar para Leopoldina, procurou a superintendência regional de Ensino, ligada à secretaria estadual da Educação de Minas Gerais, para fazer a proposta. A ideia era realizar um seminário que reunisse as melhores e mais inovadoras experiências da região, além de trazer pesquisadores e educadores de outras partes do Brasil para discutir o tema. “O pessoal gostou e aceitou apoiar a minha iniciativa”, conta o professor. E assim nasceu o primeiro Seminário Regional Escolas Inovadoras.

Gina Vieira, convidada para abrir o seminário, e a equipe responsável pelo seminário: Danilo, João Paulo, Sidilúcio, Ana Paula e Luzia. (Foto: Arquivo pessoal)

O diretor educacional da superintendência, Sidilúcio Ribeiro Senra, colocou o órgão à disposição – incluindo a infraestrutura e os recursos financeiros. Ana Paula de Moura Ferreira Dias, que faz parte da equipe da diretoria educacional, foi designada para dar o suporte. E João Paulo ficou com a tarefa de percorrer as escolas da região, construir o processo de seleção dos trabalhos e pensar na dinâmica do evento. Para isso, ele contou com apoio da Fundação Lemann, que ajudou a pensar a organização das mesas e a transmissão ao vivo. “Fora isso, todo o resto foi com o João: ele teve a ideia, ele pensou no edital de seleção e articulou todos os atores envolvidos”, conta Mariana Campos Pereira, que atua na área de projetos da fundação.

Com os critérios definidos, João percorreu escolas públicas e privadas em mais de dez cidades da região da Zona da Mata mineira, divulgando a iniciativa e colhendo inscrições. Ao fim do processo, a superintendência selecionou 21 projetos, de diversas disciplinas (e você pode conhecê-los acessando o site do seminário).

Cerca de 200 professores se reuniram no auditório do Cefet-MG, na última sexta-feira (25/08), para acompanhar as apresentações do seminário. (Foto: Arquivo pessoal)

Como resultado desse esforço, quase seis meses depois do SXSW, o Seminário Regional Escolas Inovadoras reuniu, na última sexta-feira (25/08), 200 professores que lotaram o auditório do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG).

João Paulo falou com modéstia do trabalho que fez: “Não fiz isso sozinho. Muitas pessoas se envolveram. E o apoio da superintendência foi fundamental”. Mas é certo que o novo espaço de debate entre educadores brasileiros só foi possível porque ele tem aquela verve de professor: contar para todos as coisas que aprendeu.

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