Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

O que a Base fala sobre a Matemática na Alfabetização

Conheça duas atividades de Matemática nos anos iniciais alinhadas com a BNCC

POR:
Mara Mansani
Quanto mais oportunidades oferecemos para os alunos pensarem sobre as operações, mais eles desenvolvem suas próprias estratégias. Crédito: Mara Mansani

Nas últimas semanas, o Conselho Nacional de Educação (CNE) vem realizando audiências públicas em todas as Regiões do país. São as últimas chances para qualquer cidadão brasileiro participar opinando sobre a 3ª versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e contribua para seu aperfeiçoamento. Como era de se esperar, devido à complexidade e à importância do documento, o debate está acalorado e polêmico.

No momento, estou aprofundando meus estudos no que diz o texto com as recomendações da disciplina de Matemática, do 1º ao 5ª ano do Ensino Fundamental. Leio e reflito sobre sua implementação em sala de aula: Os currículos das redes de Educação em que leciono estão na mesma linha da Base? Minha prática pedagógica já contempla o que a Base orienta? O que eu e meus colegas precisamos corrigir, manter, ampliar ou aperfeiçoar? A Matemática que desenvolvo em sala dá conta de desenvolver as habilidades esperadas dos alunos?

Em uma primeira análise, percebi que minha prática de Matemática na Alfabetização está no caminho proposto pela BNCC. No que diz respeito à resolução de problemas, não identifiquei diferenças entre os objetos de conhecimento e as habilidades em relação ao que já trabalhamos em sala. Do 1º para o 2º ano, é nítida a ampliação das dificuldades em um crescente, de acordo com o desenvolvimento dos pequenos. Por exemplo: na resolução de problemas no 2º ano, além das estratégias pessoais são trabalhadas as de uso convencional e amplia-se também o uso de números de até três ordens.

Em Grandezas e Medidas também não há novidades, e mais uma vez o grau de complexidade se amplia de ano para ano em um processo de continuidade da aprendizagem. Isso logicamente não impede a ampliação das possibilidades já no 1º ano, pois em cada turma há diferenças no desenvolvimento.

Acredito que, no fim das contas, o diferencial será o nosso fazer em sala de aula. Para que nossos alunos explorem e façam uso de diferentes estratégias, é preciso que ofereçamos a eles diferentes recursos, como materiais manipuláveis, que valorizemos novas estratégias descobertas por eles. Também é importante criar oportunidades para que eles expliquem seu raciocínio e compartilhem entre si os caminhos percorridos. Não dá para ficar só na lousa-caderno, lousa caderno.

A seguir, compartilho duas atividades que já pratico em sala, e mostro como elas estão alinhadas com objetos de conhecimento e habilidades sugeridos em duas unidades temáticas da Matemática, para turmas do 1º e do 2º ano. Essas atividades acontecem em um dia especial do "Desafio Matemático", envolvendo toda a turma, em grupos, durante todo o período de aula. Eles recebem uma espécie de apostila repleta de problemas matemáticos que exploram temas como medidas e uso do sistema monetário brasileiro.

Atividade 1 - Sistema monetário

Unidade temática: Números

Objetos de Conhecimento: Problemas envolvendo diferentes significados da adição e da subtração (juntar, acrescentar, separar, retirar).

Habilidades:

1º ano: Resolver e elaborar problemas de adição e de subtração, envolvendo números de até dois algarismos, com os significados de juntar, acrescentar, separar e retirar, com o suporte de imagens e/ou material manipulável, utilizando estratégias e formas de registro pessoais.

2º Ano: Resolver e elaborar problemas de adição e de subtração, envolvendo números de até três ordens, com os significados de juntar, acrescentar, separar, retirar, utilizando estratégias pessoais ou convencionais.

Descrição da atividade:

Entreguei a cada aluno do 2º ano um cofrinho com dinheiro de brincadeira, e apresentei as seguintes questões sobre o sistema monetário:

  1. Renata tem um cofrinho. Ela resolveu abri-lo porque quer comprar uma bola. Quantos reais ela tem até o momento?
  2. O preço da bola é 10 reais. O dinheiro do cofrinho é suficiente? Sim ( ) Não (  ) Sobrou dinheiro? Quantos reais? Faltou dinheiro? Quanto reais?
  3. Renata na verdade queria ter juntado em seu cofrinho 30 reais. Quantos reais faltam para ela juntar a quantia desejada?

Cada cofrinho tem uma quantidade diferente de reais. Então, as respostas apresentadas são diferentes, e muitas vezes os pequenos usam estratégias diferentes para resolver. Depois que todos resolvem, todos compartilham suas estratégias individuais e descobertas.

Mesmo sem interferência do professor, os pequenos são capazes de descobrir as melhores estratégias para medir diferentes objetos. Foto: Mara Mansani

Atividade 2 - Medidas de comprimento

Unidade temática: Grandezas e Medidas

Objetos de conhecimento:

1º ano: Medidas de comprimento, massa e capacidade: comparações e unidades de medida não convencionais.

2º ano: Medida de comprimento: unidades não padronizadas e padronizadas (metro, centímetro e milímetro).

Habilidades:

1º ano: Comparar comprimentos, capacidades ou massas, utilizando termos como mais alto, mais baixo, mais comprido, mais curto, mais grosso, mais fino, mais largo, mais pesado, mais leve, cabe mais, cabe menos, entre outros, para ordenar objetos de uso cotidiano.

2º Ano: Estimar, medir e comparar comprimentos de lados de salas (incluindo contorno) e de polígonos, utilizando unidades de medida não padronizadas e padronizadas (metro, centímetro e milímetro) e instrumentos adequados.

Descrição da atividade:

Entrego aos alunos uma caixa com vários materiais, como barbante, fita métrica, régua, entre outras coisas. Entrego as apostilas aos grupos com os desafios matemáticos e sigo o mesmo passo a passo da resolução dos problemas que citei na atividade 1. Veja alguns desafios que os alunos tem que resolver:

  1. Medir todos os alunos do grupo.
  2. Descobrir quem é o mais alto e o mais baixo do grupo.
  3. Medir os seguintes objetos: uma carteira, um lápis sem uso, o assento de uma cadeira, uma folha de sulfite, a porta da sala de aula.
  4. Fazer o gráfico em desenho dos alunos do grupo, do mais baixo para o mais alto.
  5. Qual o maior objeto da sala? E o menor?
  6. Quem é o maior aluno da turma inteira? E o menor?
  7. Quantos palmos tem uma carteira escolar?
  8. Quantos passos tem a sala de aula?

É possível conversar com a turma para acrescentar desafios que façam sentido a eles. Nessas atividades há muita reflexão e aprendizagem ao tentar encontrar a melhor maneira de resolver as questões. Eles experimentam vários dos materiais de apoio, usam as mãos para medir e outras estratégias que saem da cabecinha deles.

Para a porta querem usar a régua, depois usam a fita métrica, para então descobrirem a trena. Ao medir a sala com os passos percebem a necessidade de uma padronização na medida, pois cada um tem passos de tamanho diferente. Deixo que eles encontrem sozinhos as respostas. Só interfiro quando há realmente necessidade, como no caso da medida padrão para se medir a porta ou a sala, por exemplo.

Minhas sugestões ficam por aqui. Precisamos estudar a Base Nacional Comum Curricular, e reconheço que minhas análises estão apenas no começo. Vou continuar, e quando chegar o momento de debater com os meus pares, para construir o currículo de minhas escolas, estarei mais preparada para contribuir.

E você, querido professor? Está se apropriando da Base? Está estudando como eu, fazendo suas reflexões? Quais são suas principais dúvidas? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço a todos e até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

Tags

Guias