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Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita

21 de Agosto de 2017 Imprimir
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O menino que pediu um aniversário com o tema do alfabeto

Por: Mara Mansani
Criança de quatro anos e o alfabeto
Pedro de quatro anos e seu encantamento com o alfabeto e as escritas.

Meu sobrinho Pedro, de quatro anos, é alegre e divertido. Como qualquer criança, adora brincar, contar suas descobertas e fazer perguntas a respeito de tudo. O que me impressiona nele é seu amor extremo pelas letras do alfabeto. Ao ser perguntado sobre qual será o tema de sua festa de aniversário nesse ano, não titubeou: "Do alfabeto, né!". Os pais embarcaram na ideia e a festa acontecerá, ainda esse ano, com o tema que ele pediu!

Antes mesmo de entrar na escola, Pedro já sabia nomear, organizar e escrever corretamente todas as letras! Dei de presente a ele uma caixa com letras móveis, adesivos do alfabeto e réguas com moldes de letras. Adorou: para ele, aquele material era um verdadeiro tesouro. Na escola, ele é muito estimulado e a aprendizagem continua!

Muitas vezes, recebi alunos no 1º e 2º anos do Ensino Fundamental que não conheciam o alfabeto, nem mesmo as letras que compunham seus próprios nomes. Em geral, os alunos não tinham qualquer problema de aprendizagem identificável, porque depois de um trabalho intensivo na alfabetização inicial, todos conseguiam progredir.

Então, o que funciona nessa aprendizagem? Quais estratégias podem ser usadas em sala de aula? Por que o Pedro e tantas outras crianças aprendem em casa ou na escola com tanta facilidade, enquanto outras não? O que podemos aprender com o interesse de meu sobrinho? O alfabeto deve ser o ponto de partida?

A meu ver, crianças como Pedro, além de estarem em ambientes alfabetizadores em casa e na escola, onde podem acessar a cultura da leitura e da escrita, também participam de atividades significativas que envolvem a aprendizagem dos seus nomes próprios, e consequentemente do alfabeto.

Marilia, a mãe do Pedro, estimula sua aprendizagem de maneira natural e lúdica, a partir da curiosidade dele. Assim, relacionando o seu próprio nome, de membros da família e de amigos, ele foi aprendendo o alfabeto. A letra L é do Luís, o papai, M é da Mamãe, P é do Pedro, S é da irmã Sofia, B é da amiguinha Beatriz e assim por diante.

Com os nomes como referência e enfrentando seus conflitos em relação ao uso das letras, Pedro também está construindo suas primeiras hipóteses de escrita e com certeza futuramente não terá dificuldades na alfabetização. Ele começa a entender que as palavras faladas que dão nomes a pessoas, objetos e outras coisas, também têm uma representação escrita. Mas ele ainda não está na idade de ter esses conteúdos de maneira mais estruturada: tudo a seu tempo!

Na sala de aula, a aprendizagem na alfabetização também deve ser significativa. É sabido que a melhor maneira de começar é também explorar os nomes das crianças para a aprendizagem do alfabeto, como referência para outras escritas.

Lembre-se dos estudos sobre o nome próprio na alfabetização. É um modelo estável e significativo, além de marcar nossa identidade como indivíduo, sendo um dos primeiros repertórios de letras e referência para outras escritas.

O caminho, então, é o estudo dos nomes, que leva ao alfabeto e a outras escritas! A lista com nomes dos alunos da turma é uma rica fonte para desenvolvimento de atividades de escrita e leitura na alfabetização.

Isso não impede que, em sala de aula, paralelamente ao desenvolvimento do trabalho com os nomes, seja explorada a aprendizagem do alfabeto, através de brincadeiras, parlendas, jogos, leituras de livros, músicas e uso das letras móveis. Tudo contribuirá para o aprendizado!

Aqui vão algumas sugestões de atividades que podem trazer mais significado à alfabetização:

1. Ofereça parlendas e brincadeiras cantadas, como algumas que já sugerimos aqui no blog.

2. Leia com a turma os livros Batalhão das letras, de Mário Quintana; Bichionário, de Nílson José Machado ou Uma letra puxa a outra, de José Paulo Paes.

3. Música "Bê-A-Bá" – CD Canção dos Direitos da Criança, de Toquinho E Convidados.

4. Sugestão de atividade: criem o alfabeto da turma. Os alunos, com as orientações da professora podem construir também um livro com o alfabeto, com o tema que escolherem.

5. Use a lista de nomes da turma para criar novos conteúdos, como uma agenda de aniversariantes ou o bingo de nomes com o uso das letras móveis.

Essas são apenas algumas sugestões, mas é claro que, conhecendo o rico universo dos nossos pequenos alunos, milhares de outras ideias podem surgir. Agora é com vocês, queridos professores alfabetizadores! Conte, aqui nos comentários, como vocês estão explorando o uso dos nomes próprios na alfabetização dos seus alunos. Como eles estão aprendendo o alfabeto? Compartilhem para que outros professores ampliem suas práticas em sala de aula!

Muito obrigada a todos! Um beijinho especial no Pedro e em todos os pequenos por esse Brasil afora! Até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

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