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Rodrigo Ratier
09 de Agosto de 2017 Imprimir
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Dia dos pais sem pai

CRÔNICA: Meu pai se foi há 4 meses, 17 dias e outros números

Por: Rodrigo Ratier
Ilustração: Patrick Cassimiro e Freepik

Tempo real desde que você morreu, pai: 4 meses e 17 dias. Tempo psicológico: cinco eras glaciais. Tempo antes do combinado: 35 anos, 10 meses e 22 dias, segundo suas próprias contas. Pessoas que sentem sua falta: num chute sem exagero? Umas mil, você foi um cara amado. As que mais sentem: nós quatro.

Vezes em que chorei: nenhuma, isso me preocupa. Vezes em que estive triste: muitas. Com raiva: mais que muitas. Raiva da doença: todas. Do hospital: várias, mas a culpa não é deles.

Dias em que lembro de você doente: todos. Em que lembro de você bom: ainda nenhum. Em que contei uma piada sua: cerca de 60. Em que riram de uma dessas piadas: cerca de 45, considero um excelente aproveitamento.

Dias em que não quis levantar: uns 30. Em que não levantei: zero. Em que levantei feliz: uns dez. Dias com algum momento de felicidade: uns 100. Proporcionados pela Luiza: a grande maioria.

Vezes de "ainda bem que ele não está aqui para ver isso": 2 ou 3, todas relacionadas à política. Vezes de "sem ele não é a mesma coisa": 137. De "agora ele TINHA de estar": no primeiro ultrassom de sua segunda neta, Clara.

Quando mais lembrei de você: subindo a Anchieta que você amava, com o carro que você amava. Quando achei que não ia dar conta: ainda não achei.

Falta que sinto de você: pra caralho. Que é igual ao universo vezes o infinito.

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