Apresentado por
Diversa

Gestão escolar inclusiva: você sabe o que é?

O que é possível fazer para melhorar a escola sem deixar ninguém para trás

POR:

O QUE É?

Relato de experiência de organização de um encontro de todos que atendiam os estudantes público-alvo da educação especial da escola. Conteúdo originalmente publicado no portal Diversa, do Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que tem a missão de colaborar para que toda pessoa com deficiência tenha uma educação de qualidade na escola comum.

QUEM FEZ?

Joana dos Santos Costal, educadora da UME Cidade de Santos, em Santos (SP)

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A iniciativa permitiu que vários profissionais da escola conversassem sobre os alunos que atendiam, revelando pontos de vista e trocando ideias para melhor lidar com eles.

ETAPA

Ensino Fundamental                      

ANO

1º ao 9º

CONTEÚDOS

gestão escolar, formação docente

Gestão escolar inclusiva: possibilidades de ação de uma diretora

Reunião de professores
Crédito: Getty Images

Salas amplas, prédio acessível e mais de 850 alunos distribuídos no ensino fundamental I e II e na educação de jovens e adultos (EJA). Essa é a nossa Unidade Municipal de Educação (UME) Cidade de Santos, que leva o nome do município onde está localizada. Duas professoras do atendimento educacional especializado (AEE) atuam nos períodos matutino e vespertino, dividindo seu horário entre o atendimento ao público-alvo da educação especial no contraturno, e a orientação aos docentes e funcionários, em horário específico. Além de contar com a sala de recursos multifuncionais (SRM), nossas crianças e adolescentes com deficiência física, transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual, e outros distúrbios de desenvolvimento da aprendizagem, também são acompanhados por professores mediadores.

A equipe gestora, formada por seis pedagogas de diferentes concepções e formações iniciais, atua na perspectiva compartilhada, zelando pelo princípio de respeito incondicional às características da idade e das particularidades de cada estudante. Sendo a adolescência nosso maior e mais numeroso desafio, temos claro que adolescente é adolescente e quer ser tratado como tal. O jovem diverge, reclama, ri, chora. Respeitando seus momentos, conseguimos o respeito da maioria. Todas as dificuldades e desafios vividos diariamente sempre nos levam a refletir se estamos fazendo o nosso melhor e como, onde e o quê ainda precisamos melhorar.

Ao participar do DIVERSA presencial enquanto diretora da escola tive oportunidade de enxergar além de nossa realidade. Leituras e vivências de outros contextos ajudou a ressignificar nossas relações. Com todas essas informações e um novo olhar, percebemos que tínhamos tudo para atender de maneira adequada os estudantes com deficiência. O que nos faltava era unir todos recursos e possibilitar mais trocas entre os profissionais, que percebemos ser compartimentada.

Construindo uma gestão escolar inclusiva

A partir de considerações que foram inicialmente rabiscadas em um dos encontros da formação, surgiu a ideia de promover um encontro de todos que atendiam os estudantes público-alvo da educação especial da unidade. As professoras mediadoras e as de AEE elaboraram um documento a partir das questões propostas no DIVERSA presencial e, em uma grande reunião, compartilhamos com todos as necessidades e possibilidades desses meninos e meninas. Foram múltiplas as visões dos docentes. Ouvimos desde falas do tipo “ela nem parece que é aluna de inclusão” até relatos emocionantes sobre condições familiares que alguns viviam.

Tornou-se conhecimento de todos o fato de que professores, nossos colegas de unidade escolar, conseguiam replanejar o conteúdo e, de maneira silenciosa, atendiam os estudantes no que eles realmente precisavam. Com esse encontro, foi possível conhecer o meu, o seu, o nosso aluno de diferentes ângulos. A firmeza para cobrar atitudes concretas dos responsáveis também foi importante.

Saber que a pessoa vem antes da deficiência e que os desafios sempre irão existir foram os aprendizados dos encontros do DIVERSA presencial. Contudo, só esse saber, embora importantíssimo, não é suficiente para quebrar as barreiras atitudinais. Foi preciso a união, o estudo, a reflexão e a análise dos estudantes da escola. Informação e diálogo na convivência: foi isso que fez e continuará fazendo a diferença na constante busca por uma escola inclusiva.

Finalizaremos o ano com um relato das conquistas dos estudantes público-alvo da educação especial feito pelos diversos profissionais que os atenderam. Esse será o ponto de partida para o planejamento individual do próximo ano letivo. Compartilhar essas informações é realmente importante. À medida que as dificuldades forem aparecendo, a equipe gestora deve estar lá para ajudar todos os alunos a se superarem e a aprender.

A pessoa vem antes da deficiência, o conhecimento vem antes das dificuldades. Esse é apenas o início de tantas outras reflexões e ressignificações de saberes na busca constante de fazer a gestão escolar inclusiva para garantir uma educação de qualidade para todos.

Projeto participante do DIVERSA presencial.