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01 de Agosto de 2011 Imprimir
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Ensino a domicílio para os pequenos da floresta

Nas comunidades rurais de difícil acesso e sem vagas na rede pública, educadores do Acre levam a pré-escola para a casa das crianças

Por: Elisângela Fernandes

CARA A CARA Na varanda de sua casa, Maria Vitória aprende com Sirlene. (Crédito: Marina Piedade)

Todas as terças e quintas-feiras, a pequena Maria Vitória, 5 anos, espera ansiosa a visita da educadora Sirlene Moreira dos Santos. As chances de a docente tardar a chegar são grandes. Longo e vencido a pé, o caminho pelas trilhas da Reserva Florestal Chico Mendes, em Xapuri, a 175 quilômetros de Rio Branco, pode ser dificultado pelas chuvas típicas do início do ano. Sirlene é uma espécie de professora particular. Seu ofício é lecionar para dez das 2,3 mil crianças participantes do programa Asas da Florestania Infantil, uma parceria entre o Banco Mundial e as secretarias de Educação do estado e de 17 municípios.

Criado em 2009, o programa é uma alternativa para atender as crianças de 4 e 5 anos que moram em comunidades rurais isoladas, onde não há a oferta de pré-escola. Não é o ideal. As aulas duram apenas duas horas, a maioria dos educadores cursou no máximo o Ensino Médio (Sirlene, exceção, tem Magistério) e os pequenos perdem, sim, o importante aprendizado do convívio escolar com os colegas. "Mas foi o caminho que encontramos para ensinar. É perigoso obrigar essas crianças a andar pela floresta até a escola", explica Socorro D'Avilla, que trabalha na coordenação do programa.

Na aula acompanhada por NOVA ESCOLA, Sirlene encontrou uma Maria Vitória tímida por causa da reportagem. Propor atividades na varanda foi a solução para quebrar o gelo. Mais desinibida, a menina ouviu atenta um texto sobre a vida das borboletas. Em seguida, espaço para o desenho com lápis de cor (tintas e massas de modelar, prometidas no kit do aluno, não chegaram). Na metade final da aula, Sirlene recorreu a parlendas e músicas, que a pequena cantou animada.

Hora da despedida. Num caderno, Sirlene registrou o que foi realizado e o desempenho de Maria Vitória. Ao longo do ano, quatro formações de 40 horas a auxiliam a entender melhor as sequências didáticas da Secretaria Estadual de Educação e do Instituto Abaporu. "Gosto do trabalho. No fim do ano, percebo que as crianças conseguem aprender muito. A expressão delas se torna bem melhor", diz a educadora.

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