Apresentado por
Diversa

Rolamento e saltos: todos são capazes!

A autoestima de alunos com deficiência foi melhorada com a chance de participarem das atividades

POR:

O QUE É?

 Relato de experiência sobre trabalho com circuito motor realizado com alunos do 1o e do 5o. ano, dentre eles, um com Síndrome de Down e outro com deficiência auditiva, respectivamente. Conteúdo originalmente publicado no portal Diversa, do Instituto Rodrigo Mendes

, organização sem fins lucrativos que tem a missão de colaborar para que toda pessoa com deficiência tenha uma educação de qualidade na escola comum.

QUEM FEZ?

Adriana Nogueira, Djaiza Cadais de Morais, Jair de Souza Rezende Júnior e Nise Sampaio Maia, educadores da EM Arte e Cultura, em Manaus.

PODE TE INSPIRAR PORQUE...

Ao vivenciar atividades de rolamento, salto e com bambolês, os alunos com deficiência ganharam autoconfiança e melhoram sua interação com os demais colegas.

ETAPA

Ensino Fundamental.

ANO

1º ao 5º

CONTEÚDOS

inclusão, circuito motor, Educação Física inclusiva, esporte

Circuito motor estimula autoestima de estudantes

Circuito com cones
Crédito: Getty Images

A ausência de uma quadra de esportes na Escola Municipal Arte e Cultura, em Manaus (AM), era uma barreira à atuação dos nossos professores de educação física. Sem poder contar com um local adequado, eles promoviam atividades em um corredor ao lado das salas, tomando cuidado para não atrapalhar o andamento das aulas. Devido a essa limitação, decidimos realizar um projeto de circuito motor, atividade que exige pouco espaço.

A escola se localiza no bairro Coroado 2, na zona leste da cidade, e atende estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental. A comunidade na qual está inserida é de baixa renda e o maior desafio da equipe gestora é combater a evasão e garantir que todos os alunos sejam alfabetizados. A gestora, Karen Dinelly de Oliveira, busca continuamente cursos de formaçãopara o corpo docente e nos estimula a ir atrás de novos conhecimentos. A gestão é colaborativa e comprometida com valores democráticos.

O projeto de circuito motor foi realizado com uma das turmas do 5º ano, na qual havia um garoto de 10 anos com deficiência auditiva e com uma classe do 1º ano, que contava com uma criança de 6 anos com Síndrome de Down. Em um primeiro momento, realizamos uma palestra com o objetivo de esclarecer dúvidas sobre educação física inclusiva. A responsável pela atividade com os estudantes foi a professora Nise Sampaio Maia, que apresentou um vídeo sobre a importância de aprender em conjunto, independente das dificuldades ou diferenças.

Depois, discutimos os princípios da educação inclusiva com os demais docentes e essa conversa nos revelou que quando somos colocados frente às possibilidades da inclusão, revemos nossas atitudes e nos lembramos que todos somos diferentes. O projeto também foi apresentado aos pais, com o objetivo de fornecer informações para diminuir o preconceito e aumentar a participação das famílias.

O circuito motor

Na aula prática, os alunos foram divididos em duas equipes e organizados em fila. Montamos o circuito motor com quatro estações e explicamos quais movimentos seriam executados em cada uma delas. A sequência foi a seguinte:

• Zig-zague: ao iniciar o circuito, o estudante sai da fila e realiza um zig-zague entre os cones enfileirados à sua frente;

• Rolamento ou salto: o aluno utiliza um colchonete para avançar até a próxima estação, rolando ou saltando, segundo sua escolha;

• Salto sobre bambolês: quatro bambolês são dispostos no chão em duas fileiras. As crianças pulam dentro de cada arco, usando um pé por vez.

• Retorno: o estudante corre até o fim do circuito e volta até a fila de sua equipe realizando, novamente, as atividades das três estações. O próximo da fila dá sequência à atividade, partindo da primeira estação.

Os dois alunos com deficiência, a princípio, estavam muito tímidos e envergonhados. Contudo, eles adquiriram confiança em si mesmos conforme percebiam que eram capazes de realizar as atividades. O apoio e incentivo dos colegas também foi muito importante. Na última etapa do projeto, fizemos uma roda de conversa em sala de aula para tratar das dificuldades sentidas durante a brincadeira.

Realizar as atividades do projeto de circuito motor foi um trabalho muito gratificante e prazeroso. Superamos os obstáculos e conseguimos desenvolver atividades lúdicas, instigantes e desafiadoras nas quais todos os estudantes puderam participar.

Projeto participante do Portas Abertas para a Inclusão 2015.