Apresentado por
Diversa

Será que nossa escola é acessível?

Oficinas de pipas, amarelinhas, cinco marias fizeram educadores pensarem sobre inclusão

POR:

O QUE É?

Relato de experiência sobre jogos da cultura popular realizada com 140 crianças, incluindo alunos com transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual e deficiência múltipla. Conteúdo originalmente publicado no portal Diversa

, do Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que tem a missão de colaborar para que toda pessoa com deficiência tenha uma educação de qualidade na escola comum.

QUEM FEZ?

Camila Dias Barbosa, J. C. Brassioli, Isabel Gonçalves, Ivana Tavares e Lucineia Santos, educadoras do Centro Educacional Unificado (CEU) Paz, em São Paulo.

PODE TE INSPIRAR PORQUE...

A realização de oficinas durante as aulas de Educação Física - pipas, amarelinhas, cinco marias etc.- impulsionaram a criação de novas práticas inclusivas e fizeram a escola pensar em questões arquitetônicas de acessibilidade.

ETAPA

Ensino Fundamental.

ANO

CONTEÚDOS

autonomia, inclusão, brincadeiras, Educação Física, gestão escolar

Educadores investem em autonomia e acessibilidade física para construir escola inclusiva


No Centro Educacional Unificado (CEU) Paz, situado na periferia da região norte de São Paulo (SP), a inclusão de estudantes com deficiência já acontece há alguns anos. Mas, como o acesso e permanência na escola nem sempre são sinônimos de qualidade de ensino, a equipe escolar sempre apontou a necessidade de desenvolver intervenções pedagógicas significativas para a aprendizagem desse público. Quando a oportunidade de participarmos do curso de formação “Portas abertas para a inclusão” surgiu, o desejo de proporcionar o melhor para nossos alunos pôde então se materializar por meio de uma metodologia de ensino diferenciada e que nos deu embasamento teórico e prático.

De início, nossa perspectiva foi trabalhar exclusivamente com a educação física. Contudo, durante nossos encontros, percebemos que para haver uma real mudança, toda a escola precisaria estar engajada. Pensando nisso, investigamos as barreiras e os facilitadores presentes em nosso cotidiano escolar e, a partir dessas informações, construímos nosso projeto calcados em um objetivo comum: a autonomia e independência de todos os alunos. Vimos, então, na rica cultura popular brasileira, mais especificamente nas manifestações corporais, nos jogos e nnas brincadeiras, um cenário interessante para acolher as diferenças.

A partir das rodas de conversa com os estudantes e dos questionários enviados para os pais, mapeamos os conhecimentos e interesses da comunidade escolar sobre jogos da cultura popular. A tabulação dos dados coletados nos permitiu planejar as vivências práticas. Na sequência, realizamos oficinas durante as aulas de educação física (pipas, amarelinhas, cinco marias etc.) sem perder de vista o objetivo inicialmente proposto. Todas as atividades foram registradas em vídeos e fotografias.

As oficinas foram planejadas com antecedência e mobilizaram os funcionários da escola. O público-alvo foram 140 crianças do 3º ano, incluindo alunos com transtorno do espectro autista (TEA), com deficiência intelectual e com deficiência múltipla. Realizamos as atividades mensalmente e as registramos em vídeo. Posteriormente, eles eram analisados e nos faziam redirecionar nossas práticas a partir de reflexões coletivas dos docentes envolvidos. Para finalizar a avaliação, entrevistamos duas mães cujos filhos participaram do projeto.

Cabe destacar que a amplitude de nossas ações não se restringiu à intervenção pedagógica. Ousamos e demandamos nossas necessidades para que uma intervenção política ocorresse concomitantemente com o desenvolvimento de nosso projeto. Recorremos à gestora do CEU Paz que compreendeu a necessidade de mudanças arquitetônicas para a garantia de uma inclusão ampla e providenciou adaptação das calçadas para acessibilidade de alunos com locomoção limitada. A Diretoria de Ensino da Região Freguesia do Ó/Brasilândia soube das transformações em nossa unidade escolar e demonstrou interesse em publicar em sua revista uma nota sobre nosso trabalho.

Essa experiência teve como objetivo inspirar novas práticas inclusivas e ratificar que é possível, por meio de muito planejamento e trabalho, ultrapassar os obstáculos do cotidiano e construir um novo olhar acerca da inclusão. Como diria Rubens Alves: “O que muda não é a diferença. São os olhos…”

Projeto participante do curso Portas Abertas para a inclusão 2013.