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Faltam para:   

Vamos debater com quem nos odeia na internet

OPINIÃO: Entre os escombros de ofensas, buscamos ideias

POR:
Rodrigo Ratier
Ilustração: Lucas Magalhães

Imbecil, tendencioso, desnecessário, piada, bobagem, partidário, esquerdopata (normal e iludido), sem formação, deplorável, politiqueiro, desserviço, ridículo, bosta (grande e normal), ignorância (normal e santa), petralha, safado, lamentável, vergonha (alheia e normal), besteirol, ideológico, inacreditável, sensacionalista, lixo, militante (normal e travestido de educador), preconceituoso, péssimo, decepção, chato, fraco, mortadela, bocó, lacrado (não sabia que era xingamento), robô, doentio, demente, canalha, merda, pseudo-intelectual, distorcido, ultrapassado, idiotizado, manipulador, ratiada (brincadeirinha com meu sobrenome), mimimi, perpetuação da burrice, vagabundo de DCE, consumidor de maconha (normal e estragada), arrombado, porcaria, tosco, borra-botas.

Essas são algumas das avaliações, sobre mim e meu trabalho, que pude colher em 48 horas da repercussão do artigo “A mesóclise de Temer é um instrumento de exclusão”.

Um internauta teve o comentário excluído pelos moderadores da página de Nova Escola. Pedia “pau no cu do editor petista e comunista”. Tinha a imagem de Jesus Cristo em sua foto de perfil.

Um articulista roubou nossa ilustração. Outro, após enfileirar uma série de impropérios, reservou para o final do texto o que julgava ser a ofensa suprema. Disse que nossa Educação vai mal porque vamos de Rodrigo Ratier... e Paulo Freire!

Ri alto com a comparação descabida. Coitado do Freire.

***

As ofensas causam um efeito em mim. Não me fazem perder o sono, mas às vezes me dão raiva, às vezes me entristecem. Seria melhor não precisar conviver com esses sentimentos. Mas esse é o momento em que vivemos, segue o jogo.

Temos alguns combinados sobre as regras do debate em NOVA ESCOLA. São coisas que respeito e acho que fazem sentido: não responder na mesma moeda, ou pior, um tom acima. Não se vitimizar ou bancar o herói, com bravatas do tipo “não vão me calar!”.

Tudo isso aumentaria a fogueira. E nos desvia do objetivo que temos aqui: debater ideias. Dialogar e aprender.  

Ilustração: Lucas Magalhães

Quanto a isso, uma constatação sobre o contexto atual. É desgastante procurar, em meio aos escombros de ofensas, argumentos que se contraponham ao que escrevemos. Está difícil debater sem antes realizar um esforço para desarmar os espíritos. 

Em alguns casos, o esforço não surte efeito. Um rapaz entrou em meu perfil pessoal para me chamar de “jênio”. Disse a ele que não responderia à ironia. Mas que ele me apontasse o argumento que o deixou tão enraivecido, pois tenho interesse na discussão de ideias. Seguiram-se 21 trocas de mensagens até que ele escreveu (cito de memória): “não tenho interesse em debater. Vim aqui apenas para dizer o quão absurdo é o que você escreveu”.

Algum tempo depois, ele deletou seu comentário inicial, apagando toda a discussão.

Por aqui, vamos seguir nos esforçando. Em meu próximo texto, tentarei dialogar com os argumentos contrários ao que escrevi anteriormente. Caso você tenha alguma sugestão, pode comentar por aqui ou mandar para meu e-mail: rodrigo@novaescola.org.br. Estamos aqui para aprender.

* As opiniões do autor deste artigo não refletem necessariamente o ponto de vista de NOVA ESCOLA

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