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Estudantes secundaristas se manifestam contra MP do Ensino Médio

Alunos questionam desobrigatoriedade de disciplinas e se preocupam com equilíbrio entre necessidade de trabalhar e as aulas em tempo integral

por:
Anna Rachel Ferrreira
Anna Rachel Ferreira

Estudantes secundaristas se manifestam no Tribunal de Justiça de São Paulo durante ocupações de novembro de 2015. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Desde que foi anunciada, a Medida Provisória (MP) para reforma do Ensino Médio tem causado controvérsias. Profissionais da Educação e estudiosos da área questionam a maneira vertical como as mudanças estão sendo realizadas e alguns pontos específicos do documento. Os que mais têm chamado a atenção são: a desobrigatoriedade de várias disciplinas e o aumento da carga horária diária. Mas o que os principais afetados por essas novidades têm a declarar?

Os estudantes vêm se posicionado contra a decisão do governo. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) publicou uma carta de repúdio e um grupo de jovens organizou uma manifestação no vão do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), nesta segunda-feira (26 de setembro). No Facebook, o evento tinha 26 mil convidados e 3,7 mil confirmados. O movimento não espanta quem acompanhou as ocupações ocorridas em 2015, quando os alunos se colocaram contra a reorganização proposta pelo estado de São Paulo, que fecharia 93 instituições.

Os temas que mais preocupam os estudantes são os mesmos que têm tomado conta dos jornais. “Não faz sentido basear uma reforma em uma avaliação que já não enxerga as particularidades de cada aluno sem escutá-los”, explica Mayara Donaria, aluna da ETEC Adolfo Bloth, no Rio de Janeiro. A reclamação vem das recorrentes afirmações do ministro da Educação Mendonça Filho de ter se decidido pela medida com base nos resultados do Ideb. Para a aluna, os estudantes deveriam ser ouvidos antes e não ter uma reforma imposta.

Já para a aluna da EE Professor Cândido Gonçalves Gomide, em São Paulo, Ana Julia Marques de Oliveira, a não obrigatoriedade de algumas disciplinas é uma forma de controlar os estudantes e parece caminhar junto com iniciativas como o movimento Escola Sem Partido. “Aulas como as de Sociologia, Filosofia e Arte nos levam à reflexão e, aparentemente, o governo não quer isso. Eles querem só produzir mão de obra jovem qualificada e não cidadãos críticos”, opina.

Quanto ao tempo integral, a primeira preocupação é a dificuldade em conseguir trabalhar e estudar nesse formato, já que boa parte dos jovens dessa etapa precisam de uma renda para ajudar a família. Mas, não é somente isso. A eficiência das aulas também é posta em cheque pelos jovens. “Conheço uma escola de tempo integral com três aulas vagas por falta de professor. A gente vai ficar mais tempo na escola, mas quem garante que vai aprender?”, questiona Tony Anderson dos Santos Souza, também aluno da Cândido Gomide.

As insatisfações e desconfianças dos estudantes secundaristas vão contra o principal argumento do governo de que esse novo Ensino Médio daria mais protagonismo a eles. Hoje, os alunos ainda não se sentem ouvidos.

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