Blog de Alfabetização

Troque experiências e boas práticas sobre o processo de aquisição da língua escrita.

Um estágio que funciona de verdade

POR:
Mara Mansani

Nas reuniões, os estagiários podem fazer relações entre a teoria da Universidade e a prática da escola. Foto: arquivo pessoal

Quando estava fazendo o magistério, fiz meu estágio obrigatório e supervisionado, acompanhando e auxiliando os professores e seus alunos em sala de aula. Observava com muita atenção, perguntava sobre tudo e anotava as dicas e orientações.

Como aprendi com aquelas professoras generosas e pacientes que contribuíram demais na minha formação inicial! Elas explicavam o passo a passo das práticas pedagógicas em sala de aula. Foi muito importante esse estágio antes de adentrar a sala de aula, apesar de todas as inseguranças com minha primeira turma.

Mas lá se vão mais de 30 anos, o tempo passou, muitas coisas mudaram, mas as escolas continuam quase as mesmas. Aliás, precisamos repensar nossas escolas e seu papel educativo. Para isso, talvez seja necessário exercitar o a desconstrução e reconstrução constantes de nossas ideias.

Voltando aos estágios dos futuros professores: em muitas instituições de ensino, ao longo desse tempo, as coisas também não mudaram muito. O estudante de Pedagogia se apresenta à escola, faz seu estágio em turmas de anos variados em alguns dias, acompanha e auxilia os professores, às vezes (quando muito) experimenta práticas, confrontando-as com as teorias estudadas na Universidade, preenche a ficha de estágio, o professor e o diretor assinam e pronto. Mesmo que haja um apoio e um trabalho conjunto entre escola-estagiário, estagiário-escola, podemos considerar essa ação quase que individualizada e sem grandes vínculos.

Em minha escola, E.E. Laila Galep Sacker, em Sorocaba, interior de São Paulo, estamos vivenciando uma experiência diferente. Há uma proposta da Universidade de Sorocaba (Uniso), de onde vem a maioria de nossos estagiários, para uma participação mais efetiva desses futuros professores em nossa escola.

Por exemplo, em minha sala de aula, continuamos contribuindo com a formação desses universitários, pois eles podem experimentar práticas pedagógicas que fazem parte do processo de alfabetização, confrontando, assim, a teoria aprendida na academia. Em contrapartida, eles sugerem e realizam projetos de incentivo e desenvolvimento da leitura e na área de Ciências Naturais que envolvem todos os alunos de nossa escola.

O acompanhamento de perto por parte da Universidade também acontece: a Mestre em Educação Ana Paula Germano é orientação garantida nos projetos desenvolvidos. Eu também fiz a minha parte nessa parceria indo à Universidade conversar com os estudantes de Pedagogia e levar um pouco de minha experiência como alfabetizadora.

Essa é, realmente, uma dinâmica em que todos só têm a ganhar:

- Nós, professores, temos colegas que realmente se envolvem com a escola e em todo processo de ensino e aprendizagem;

- Os estagiários recebem a responsabilidade de cuidar dos projetos de maneira autônoma e uma formação com mais qualidade, que relaciona a teoria com a prática e recebe orientações dos dois lados;

- E, principalmente, os alunos, que sempre devem ser nosso foco, aprendem muito mais através dos novos projetos desenvolvidos e criam uma boa relação com aquele profissional que muitas vezes os acompanha nas aulas.

Assim, a educação ultrapassa os muros da sala de aula com uma via contínua de compartilhamento de saberes e aprendizagens. Tem sido muito boa essa nossa parceria! Só tenho a agradecer a oportunidade de participar. Em breve, volto aqui para contar mais sobre os projetos que os estagiários estão desenvolvendo com meus pequenos.

E vocês, queridos professores? Em suas escolas há parcerias com Universidades? Como elas vêm sendo desenvolvidas? Vamos pensar juntos em maneiras de melhorar essa relação? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço e até a próxima segunda-feira!

Mara Mansani

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