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Veja como usar a moda do spinner como uma aliada na sala de aula

O brinquedo, sensação entre a garotada, pode ser usado como tema para o professor trabalhar diferentes conteúdos

por:
Larissa Darc
Larissa Darc
Foto: Shutterstock

Virou uma cena comum nas escolas: um grupo de crianças se reúne no pátio, todas atentas a um objeto girando entre os dedos, nos braços ou até mesmo sobre a testa de uma delas. Ou de várias delas. Ou de todas. O spinner, um artefato de plástico ou metal que pode ter inúmeras cores e formatos e gira em torno de seu eixo, virou mania entre os jovens – e um desafio para educadores. Afinal, é possível aproveitar essa moda de forma positiva dentro da escola?

Após cair no gosto da criançada, essa brincadeira começou a tirar o sono dos professores. "A febre começou há umas duas semanas. Logo no começo, os estudantes se dispersavam em algumas aulas e atraia a atenção dos outros ", conta Luciana Fevorini, diretora do Colégio Equipe. Por atrapalhar nas aulas, a instituição proibiu o uso de spinner dentro de sala.

Para que serve?

Curiosamente, o objeto que tira a atenção dos alunos de sua aula foi desenvolvido para ter o efeito contrário. O spinner foi criado em 1993 pela norte-americana Catherine Hettinger para gerar interação com a sua filha, que sofria de miastenia, uma doença que causa fraqueza muscular. Após um tempo, passou a ser vendido como produto terapêutico para autistas e pessoas com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Os especialistas questionam a eficácia do spinner. O principal problema é justamente a falta de algum estudo que comprove cientificamente os benefícios terapêuticos do objeto.

"Creio que para algumas crianças até ajude a focar a atenção por um curto período. Pode ter um efeito relaxante, como rodar a caneta entre os dedos, mas não parece ser eficaz", comenta Eliane Bixofis, pediatra especialista em déficit de atenção. É a mesma opinião do norte-americano Mark Rapport, autor de um estudo sobre os benefícios do movimento para pessoas com TDAH. “É mais provável que esses objetos sirvam como uma distração, mas não proporcionam nenhum benefício para quem possui o transtorno de déficit de atenção”, afirmou em entrevista ao site Live Science.

Como o professor pode tirar proveito dessa onda

Eficaz ou não, o spinner é uma mania nas escolas, e o professor pode usar isso em seu favor. Debora Garofalo, professora de sala de informática da EMEF Almirante Ary Parreiras, em São Paulo, e colaboradora de tecnologia de NOVA ESCOLA, aproveitou a moda para engajar a turma.

Muitos de seus alunos moram em um bairro na periferia de São Paulo e não tinham acesso ao spinner. "Nas aulas de robótica, eles me pediram para construir o seu próprio spinner. Vi um grande potencial para trabalhar conteúdos por meio do estímulo à criatividade", conta. “Os professores não devem enxergá-lo como um inimigo. Ao explorar o seu potencial, podemos desencad0ear atividades pedagógicas que aproximam a classe". Ela propõe que ele pode ser utilizado em diversas áreas do conhecimento, como em Matemática, Física ou até mesmo Língua Portuguesa, ao debater a finalidade, contexto histórico e funcionamento, analisando o modo como ele gira, a velocidade e as formas geométricas.

A atividade foi realizada com alunos de 7º e 8º anos do Ensino Fundamental. Primeiro, a classe comprou um spinner original para usar como um modelo. Depois, a professora perguntou aos alunos como o objeto girava e de que forma seria possível adaptar esse movimento. “Eles sugeriram que uma tampinha de garrafa furada ao meio poderia ser encaixada em um palito de churrasco, criando o atrito necessário”, conta.

As demais tampinhas foram colocadas para caracterizar o spinner. “Fomos testando diversas combinações e discutindo sobre os erros durante a montagem, como a realização do furo central”, explica. “Nós furamos a tampa com ferro de solda, o que fez com que o orifício ficasse maior do que o palito. A solução veio com a cola quente, passada de uma ponta à outra no palito, além de ser usada para unis as outras tampinhas."

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