Chegou a estação da gripe! Aborde o tema com a turma

Tratar de particularidades da doença é uma boa forma de ensinar microbiologia e abordar os cuidados com o corpo

POR:
Fernanda Salla

"Aaaaatchiiiim!" Durante a temporada de inverno, basta ouvir alguém por perto espirrar que é inevitável se lembrar dela: a gripe. Mais do que alertar a turma para manter as mãos limpas e evitar ambientes fechados, é importante debater o assunto nas aulas de Ciências. "Fazer a conexão entre o conteúdo da disciplina e o que acontece na vida torna a aprendizagem ainda mais relevante e significativa para os alunos, que passam a enxergar a ciência aplicada, em ação", diz Diogo Meyer, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

A microbiologia faz parte do currículo de Ciências em todas as etapas de ensino, mas é nos anos finais do Fundamental que esse conhecimento se torna mais concreto. "Nessa fase, é importante que os estudantes compreendam o impacto que o comportamento individual pode ter no coletivo, estudando conceitos de prevenção, transmissão, epidemia e políticas de saúde", diz Marcos Engelstein, professor de Ciências do Colégio Anglo 21, em São Paulo. "É assim que conseguem formular opiniões sobre saúde pública, importância da vacinação e a escolha de grupos prioritários para a campanha", completa Meyer.

Ao trabalhar o vírus da gripe, o influenza, com a garotada, vale colocar em cena os motivos que fazem ele ser considerado perigoso, causador de uma das doenças mais mortais da história. "Trata-se de um vírus que não é estável do ponto de vista genômico, como o do sarampo. A vacina contra essa doença foi desenvolvida nos anos 1960 e praticamente é a mesma até hoje. Já a da gripe precisa ser refeita a cada ano", diz Marilda Siqueira, pesquisadora do Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Segundo o Ministério da Saúde, a vacina contra o influenza pode diminuir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% os casos de morte por decorrência da gripe. "Não há dúvidas sobre a influência positiva da vacina para diminuição dos casos graves", diz José Levi, pesquisador do Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical da USP (leia o infográfico abaixo).

Em sala de aula, também vale realizar experimentos que simulem a maneira como se dá o contágio (leia um exemplo) e conversar sobre medidas preventivas, como hábitos de higiene. Tudo isso ajuda aproximar a turma do assunto. "O maior meio de contaminação é pelas mãos. Ao tossir e espirrar, as pessoas protegem a boca com elas, além de tocar em objetos com secreção e depois passá-las nas mucosas", fala Nadya Bomtempo, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para saber mais sobre o influenza e a prevenção à doença, leia respostas para oito perguntas abaixo e... Saúde!

DA PESQUISA À INJEÇÃO, COMO É FEITA A VACINA

A elaboração da vacina envolve cientistas do mundo todo. Conheça abaixo esse processo. Ilustrações: Victor Beuren

1 A vacina contém fragmentos de três variantes do vírus influenza inativos (mortos), no caso da trivalente, e quatro, no caso da tetravalente. Devido ao caráter mutante do vírus, a definição de quais variantes farão parte do lote é feita ano a ano.

2 Uma rede mundial de laboratórios (entre eles, a Fiocruz), identifica as variações do vírus que estão em maior circulação em seus respectivos países. Profissionais nos postos de saúde, ao identificar alguém com os sintomas da gripe, fazem a coleta de amostras da secreção respiratória dos doentes para identificar as variações existentes. Os dados das variantes dos vírus que mais circulam em cada país são expostos em dois encontros anuais da Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada hemisfério do planeta. Nessas reuniões, são definidas as variantes do influenza que estarão em cada vacina. Este ano, a composição da vacina brasileira é contra os vírus A/H1N1; A/H3N2; e B.

3 As agências reguladoras de cada país são responsáveis pela aprovação da composição da vacina. No Brasil, isso é feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em laboratórios e institutos, como o Butantan, em São Paulo, são produzidas as doses da vacina. Esses locais recebem amostras vivas dos três tipos de vírus usados na fabricação da vacina naquele ano.

4 Os vírus são injetados em ovos de galinha. Esses ovos são guardados em incubadoras de 60 a 72 horas para que o influenza se multiplique e haja quantidade suficiente para as vacinas (ele aumenta cerca de 10 milhões de vezes). Os vírus passam por processo de inativação química e segmentação, tornando-se mortos. São esses fragmentos que farão parte da vacina.

5 A cada etapa de produção, são realizados testes para verificar a qualidade da vacina em produção. Os lotes de vacinas são entregues ao Ministério da Saúde, que fica responsável por organizar a campanha nacional.

Tags

Guias

Tags

Guias