O que foi a Guerra dos Seis Dias e por que é importante entender seus efeitos

Há 50 anos tinha início o conflito que pauta até hoje as complicadas relações entre Israel e os países árabes

POR:
Larissa Darc
Tanque abandonado após a Guerra dos Seis Dias (Shutterstock)

Após dias de muita tensão dos dois lados, enfim começam os ataques. Caças realizam um ataque relâmpago no território adversário. Os avanços se seguiram nos dias seguintes, não sem enfrentar reação. O noticiário sobre o Oriente Médio está cheio de relatos como este, e já fica até difícil diferenciar uma batalha entre israelenses e árabes de outra. Mas a de 5 de junho de 1957, 50 anos atrás, foi diferente. O tal ataque atingiu as bases da força áerea egípcia, dando início à Guerra dos Seis Dias. Um conflito curto no nome, mas o principal norteador da relação entre Israel e seus vizinhos até hoje.

A relação entre árabes e judeus nem sempre foi ruim. Os atritos começaram a crescer no final do século 19, quando milhares de judeus, incentivados pelo movimento sionista, decidiram se mudar para a Palestina como forma de voltar à Terra Prometida e criar um estado judeu. Na época, a região era ocupada pelo Reino Unido, que não fez um grande trabalho mediando esse atrito que surgia. “Os britânicos faziam um jogo duplo para atender os dois povos, mas acabaram favorecendo os interesses judaicos", explica Havana Marinho, Doutora em Economia Política Internacional.

O Holocausto – genocídio de judeus nas mãos da Alemanha nazista – aumentou o fluxo migratório e, após a Segunda Guerra Mundial, havia uma comoção internacional pela criação de um estado judeu. Assim, em 14 de maio de 1948, o Estado de Israel foi criado, com divisão da Palestina entre judeus – 700 mil, que ficaram com 53% do território – e árabes – 1,5 milhão, que ficaram com 47% do território. Descontente com o desfecho das conversas, Egito, Síria, Jordânia e Iraque tentaram invadir o território israelense na Guerra Árabe-Israelense de 1948.

No final desse primeiro conflito, Israel ampliou seu território. Bruno Huberman, doutorando em Relações Internacionais pela PUC-SP, conta que quase duas décadas depois, durante a Guerra Fria, acontece a ascensão do nacionalismo árabe, que era contra o imperialismo. "Nesse tempo, Israel buscava se mostrar forte para as potências capitalistas. Considerando os rumores de que poderiam acontecer conflitos, o Egito fecha uma importante passagem usada pelos barcos israelenses para o Mar Vermelho e isso é visto como um alerta de confronto", finaliza Bruno.

A região seguiu tensa, e explodiu novamente em 5 de junho de 1967. A guerra foi curta, mas seus efeitos foram devastadores para a Liga Árabe. Israel atacou o Egito, a Jordânia e a Síria, conquistou mais território – foram anexados Gaza e o Sinai do Egito, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental da Jordânia e as colinas do Golan da Síria – e venceu o conflito em menos de uma semana. Milhares de palestinos tiveram de deixar suas terras para viver como refugiados em nações vizinhas.

Mapa de Israel e da Palestina em foto de satélite (Reprodução)

Havana explica as consequências dessa guerra. "Foi quando Israel passou a ocupar militarmente os territórios que ainda hoje são alvo desta ação, Faixa de Gaza e Cisjordânia, o que se chama de Palestina”, comenta. “Esses desdobramentos provocaram além da questão humanitária dos refugiados palestinos, sérios problemas políticos e econômicos para a região do Oriente Médio e com consequências para todo o mundo".

A península do Sinai foi devolvida ao Egito em 1982, após um acordo de paz entre os dois países. No entanto, as outras regiões ainda são alvo de disputas. E entender a origem dessa disputa é fundamental para entender por que ela existe até hoje.