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6 situações que todo jovem LGBT passa na escola e como combatê-las

No dia internacional do combate à homofobia, bifobia e transfobia, confira os acontecimentos mais comuns e veja como enfrentá-los

por:
Larissa Darc
Larissa Darc

Em 17 de maio de 1990, a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). A data se tornou o Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. 

Apesar dos 27 anos que se passaram, xingamentos, agressões, assédio sexual e moral ainda são algumas das situações enfrentadas cotidianamente por jovens LGBT nas escolas. A informação foi revelada pela Pesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil, realizada em 2015 com 1.016 estudantes. Segundo o levantamento, 73% dos entrevistados já foram agredidos/as verbalmente por causa de sua orientação sexual e 60% se sentiam inseguros/as na escola no último ano por causa de sua orientação sexual. Comumente, essas situações levam os adolescentes a abandonar os estudos.

Os docentes precisam ficar de olho nessas situações para começar a agir. Paulo Rennes Marçal Ribeiro, coordenador do Mestrado em Educação Sexual da Unesp, sugere que as aulas sejam usadas como instrumento para combate à discriminação. “A escola pode desenvolver programas de educação sexual que seja embasado na questão da cidadania para realizar um trabalho que erradique o preconceito. Quando valorizamos os direitos humanos em sala de aula, geramos reflexão, pensamento crítico e quebras de tabu”, defende o especialista.  

Transformar a escola em um ambiente acolhedor requer um planejamento que envolve diversas ações, mas é possível também tomar pequenas ações para garantir que esses jovens se sintam confortáveis na escola. Leia abaixo os casos mais comuns de LGBTfobia e dicas de como combatê-los.

1. Medo de revelar a orientação sexual e identidade de gênero 

Assumir a própria sexualidade não é algo simples. APesquisa Nacional sobre o Ambiente Educacional no Brasil mostrou que 43% dos jovens se sentem inseguros em revelar essa informação. "Esses jovens têm medo de sofrer repreensão, críticas e julgamentos. Eles têm medo de não serem aceitos e todos nós queremos ser aceitos", conta Sylvia Rabello, professora aposentada.

Como resolver

Ofereça espaços de escuta em que os estudantes se sintam seguros. Como a sexualidade é um assunto particular, ela deve ser tratada pelo próprio adolescente com suas famílias, no momento em que julgar mais adequado. Não interfira e nem "denuncie" a orientação sexual dos jovens às famílias.

2. Ouvir xingamentos e sofrer agressões 

Viado", "Mariquinha", "Maria Sapatão". Esses são algumas das expressões pejorativas adotadas para constranger pessoas que não se encaixam nos papeis de feminilidade ou masculinidade esperados. Segundo a pesquisa, 73% dos alunos LGBT já sofreram assédio verbal. Beto de Jesus, Secretário da América Latina e Caribe da Associação Internacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (Ilga, na sigla em inglês), explica que essa rejeição está enraizada nas questões de gênero. “Recebemos uma Educação sexista. Quando queremos ofender um homem, usamos termos que afirmam que ele é tão fraco quanto uma mulher”, afirma ele. Em casos mais graves, essa violência é expressada por meio de brigas, ameaças e ataques à integridade física desses alunos.

Como resolver

Faça um trabalho preventivo, focando na importância de se respeitar e não agredir os colegas, independente de sua orientação sexual. Questione quais são os modelos de comportamento masculino e feminino e mostre que eles são foram construídos ao longo do tempo. Estabeleça combinados e sanções para os casos de agressão e abra espaço para que alunos que soferem agressões comuniquem as situações que vivenciam.

3. Ser vítima de assédio sexual

Ainda no campo do sexismo, jovens que se relacionam com pessoas do mesmo sexo ou que estão fora dos padrões de gênero podem se tornar alvos de investidas sexuais: 55% dos entrevistados no questionário já passaram por isso. fetichização de lésbicas, depravação atribuída aos gays e hiperssexualização de transexuais criam uma falsa legitimação para que os agressores direcionem palavras obscenas, toques sem consentimento e, até mesmo, abusos sexuais.

Como resolver

Discuta sexualidade de maneira aberta. Deixe claro os limites entre a paquera e o assédio (não vale tocar ou insistir em alguém que não demonstrou interesse). Paute a discussão pelo valor do respeito ao corpo dos colegas, independente de seu gênero ou orientação sexual. Também limite o que é apropriado para o ambiente escolar, mesmo quando houver consentimento: andar de mãos dadas pode ser válido, mas carícias exageradas devem ficar para o ambiente privado. As regras também precisam valer para todos os casais, tanto heterossexuais quanto homossexuais.

4. Sentir-se desconfortável em banheiros e nas aulas de Educação Física

Espaços que evidenciem ou exponham o corpo podem ser especialmente desconfortáveis. Seja pelos olhares preconceituosos ou comentários raivosos, esses ambientes têm grande potencial para se tornarem uma zona de conflito. No caso de travestis e transexuais, o tabu é ainda maior, uma vez que não se sentem à vontade de frequentarem toaletes de seu sexo biológico e não são bem recebidos nos que gostariam de utilizar. Na aula de Educação Física, a velha premissa de que meninos devem jogar futebol e meninas pularem corda já é problemática por si só. Quando colocamos uma lupa sob a diversidade sexual que está presente nas classes, essa segregação fica ainda mais clara. Colocar gays em times femininos e lésbicas em atividades descritas como masculinas segrega ainda mais esses sujeitos. 38,4% dos mais de mil jovens que responderam à pesquisa se sentem desconfortáveis nos banheiros e 36,1% nas aulas de Educação Física.

Como resolver

Banheiros são lugares comuns de assédio, verbal ou sexual. Fique de olho nesse espaço e permita que os alunos tenham um espaço para denunciar ocorrências desses ambientes. Nas aulas de Educação Física, estimule a cooperação e acabe com a divisão entre meninos e meninas. 

5. Passar por assédio ou discriminação por parte dos professores, coordenadores e diretores

E quando as ofensas partem de profissionais da educação? As estruturas de poder tornam situações de constrangimento ainda mais graves. Quando um educador ofende um estudante ou compactua com agressores, os outros alunos se sentem no direito de praticarem também ações discriminatórias.

Como resolver

Crie ações que discutam o tema também com a equipe. Funcionários e educadores devem também passar por formação para compreender melhor as questões de sexualidade e servir como pontos de apoio aos alunos que possam estar sofrendo situações ruins.

6. Receber agressões verbais e ameaças na internet (cyberbullying)

A falsa sensação de impunidade oferecida pelas redes sociais possibilita que os ataques ultrapassem os limites dos muros da escola. Linchamentos virtuais e postagens ofensivas são cada vez mais comuns e colaboram com a exclusão e a sensação de abandono desses garotos: 34,7% dos jovens LGBT já passaram por isso.

Como resolver

O que acontece na internet entre os alunos de uma escola também deve ser enfrentado como problema da instituição. Abra espaços para discutir o que acontece online e reforce a necessidade de respeitar o outro também nesse ambiente.

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