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Blog de Alfabetização
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Mara Mansani

O que fazer quando o aluno chega no Fundamental 2 com uma alfabetização deficiente?

O questionamento trazido pelos professores do Ensino Fundamental 2 revela o desafio e a importância desse tema em toda as etapas da escolaridade. Crédito: Mariana Pekin

Participei de um bate-papo com os coordenadores do Fundamental 2 em um encontro de formação das escolas estaduais da diretoria de ensino de Sorocaba, em abril. Fui contar sobre minha experiência na South by Southwest (SXSWedu), uma das mais importantes conferências mundiais de inovação e tecnologia na Educação, e como transpor os aprendizados para a realidade de nossas escolas para dar voz aos alunos, engajá-los em projetos com a comunidade e potencializar o desenvolvimento da aprendizagem.

Inevitavelmente, o assunto alfabetização não ficou de fora. Um questionamento trazido pelos professores do Fundamental 2 - “Por que estamos recebendo alunos sem estarem alfabetizados no 6º ano? Não somos alfabetizadores! O que fazer com esses alunos?” - revela o desafio e a importância desse tema em toda as etapas da escolaridade. Infelizmente, essa defasagem ainda é realidade em muitas escolas por todo o Brasil. São diversos os fatores que contribuem para isso: salas superlotadas, má formação docente, falta de apoio de algumas das famílias, de comprometimento de alguns professores e de uma política pública que realmente priorize a alfabetização e a Educação.

Nas escolas, a cada período, esses alunos passaram por vários professores e a aprendizagem de cada um deles é nossa responsabilidade. Se o problema é de todos, a busca de soluções também pode e deve ser coletiva. Afinal, a alfabetização é a base para um bom desenvolvimento da aprendizagem por toda a vida! Então, vamos focar em soluções e alternativas que estejam em nossas mãos e sejam possíveis de ser realizadas. Aqui vão as minhas:

Grupo de apoio e estudo
É muito difícil para um professor do Fundamental 2 fazer ações pontuais para alfabetização desses alunos em apenas 50 minutos. Mas a escola pode montar grupos de estudo e apoio no contraturno, focados na leitura e escrita, com um professor alfabetizador (caso sua instituição tenha apenas anos finais, é possível solicitá-lo à secretaria para essa demanda) ou de Língua Portuguesa preparado pela equipe pedagógica para que desenvolver esse papel. Precisamos ter claro que muitas dessas crianças precisam desenvolver somente determinado aspecto do processo e não a alfabetização como um todo. Um trabalho focado na autonomia da leitura, por exemplo, pode suprir a defasagem. Mas, no dia a dia em sala de aula, há muitas outras possibilidades que contribuem. Afinal, pode-se interpretar textos oralmente, construir conceitos, refletir sobre situações e dar opiniões sobre assuntos de estudo, participando junto aos demais, mesmo sem estarem alfabetizados ainda.

Os próprios colegas podem ajudar os estudantes com dificuldades. Crédito: Mariana Pekin

Alunos tutores
Os próprios alunos da sala, que tem mais facilidade na aprendizagem, podem auxiliar aqueles com dificuldades na realização da tarefas. Muitas vezes, eles conseguem até mesmo explicar de uma maneira mais clara orientações dadas pelos professores nas atividades em sala de aula. A tutoria, se bem orientada, além de bons resultados na aprendizagem, rende um fortalecimento das boas relações entre a turma. No entanto, ela é um braço de apoio. É imprescindível o estudo voltado especificamente para a alfabetização com um docente preparado.

Parcerias entre professores
Encontros pedagógicos permanentes, como esse em que participei, entre profissionais do Fundamental 1 e 2 , para compartilhamento de práticas educativas. Precisamos eliminar o abismo entre os ciclos, afinal, se tratam dos mesmos alunos! Precisamos estabelecer parcerias entre todos para, juntos, criarmos estratégias para enfrentarmos os problemas de aprendizagem em nossas instituições.

Diagnóstico de dificuldades
Sabemos que o melhor é que todos alunos sejam alfabetizados no tempo certo. Para isso, a equipe escolar precisa identificar as dificuldades e elaborar um plano de ação. Nas escolas que venho trabalhando ao longo desses anos no magistério, sempre fazemos um atendimento personalizado para resolver desde os primeiros sinais de que algo não vai bem. Fazemos grupos de estudo com atividades específicas de leitura e escrita desde os primeiros anos. Por essas experiências, posso garantir que os resultados estão sendo muito bons. Quanto mais cedo fizermos os encaminhamentos para alfabetizar esses alunos, melhor para todos!

Essas são apenas algumas práticas que acredito que podem ser feitas. Além disso, ações como mais investimento na área e uma formação de qualidade dos alfabetizadores – o que depende de políticas públicas – também têm papel fundamental na construção do bom ensino. Precisamos acompanhar, participar, contribuir com opiniões e sugestões e cobrar que a Educação seja prioridade em nosso país.

E vocês, queridos professores? O que está sendo feito em suas escolas para resolver os problemas de alfabetização de seus alunos? Conte aqui nos comentários!

Um grande abraço e até a próxima segunda-feira,
Mara Mansani

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