O que o Pisa tem a dizer sobre o bem-estar dos estudantes brasileiros

Novos dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes mostram que alunos têm alto grau de estresse

POR:
Anna Rachel Ferreira
Estudantes conversam com funcionários do Centro Paula Souza, em São Paulo

A escola e os estudos são focos de estresse para os estudantes brasileiros, mas uma boa relação com o professor pode mudar essa percepção. Esses são dois elementos apontados pelo terceiro volume dos dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015. Essa parte da pesquisa, apresentada na última semana, tinha como foco o bem-estar dos alunos e sua relação com a escola e a família.

O relatório contou com a participação de 540 mil estudantes de 15 anos que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos de 72 países. São 35 países-membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e 37 economias parceiras, entre elas o Brasil. Esta é a primeira vez que o Pisa divulga dados sobre o bem-estar dos estudantes.

Os resultados têm elementos contraditórios. O Brasil está pior que a média internacional em percentual de estudantes que assumem viver em condição de estresse escolar e que dizem receber ajuda dos pais nos momentos de dificuldade, mas tem mais jovens que dizem estar satisfeitos com sua vida pessoal e que não se consideram vítima de bullying.

Veja abaixo os principais dados levantados pela pesquisa (clique aqui para o relatório completo, em inglês)

Estresse na escola

Um dos números que mais chamam a atenção sobre o bem-estar do estudante brasileiro é como a escola ficou vinculada à sensação de estresse. Oito em cada dez alunos brasileiros dizem sentir muita ansiedade para uma prova, mesmo quando se consideram bem preparados para ela, e 56% afirma que fica muito tenso quando estuda. Só a Costa Rica tem números mais altos nos dois quesitos. Em ambos os casos, os brasileiros estão muito acima da média da OCDE, de 55,5% de jovens ansiosos antes da prova e 36,6% de tensos durante o estudo.

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Papel do professor

O papel dos docentes é fundamental para combater o estresse dos alunos. O Pisa sugere que a ansiedade diminui se os alunos sentem que os professores estão dispostos a oferecer um atendimento individualizado para sanar suas dificuldades, assim como com avaliações que oferecem desafios gradativos e outros testes anteriores a prova que vale nota. Por outro lado, comportamentos interpretados como negativos têm efeito contrário, aumentando o estresse. De acordo com o relatório, entre os países da OCDE, 35% dos alunos relataram que sentem que seus professores pedem menos deles que dos demais, 21% acham que seus professores os julgam menos inteligentes do que são, 10% relataram que os educadores os ridicularizam na frente da turma e 9%, que seus professores chegaram a insultá-los para que os demais vissem.

Bullying

Os dados demonstram que, no Brasil, 17,5% dos jovens de 15 anos disseram sofrer alguma forma de bullying algumas vezes por mês, 7,8% disseram ser excluídos pelos colegas, 9,3%, ser alvo de piadas, 4,1%, serem ameaçados e 3,2%, empurrados e agredidos fisicamente. Outros 5,3% disseram que os colegas frequentemente pegam e destroem as coisas deles e 7,9% são alvo de rumores maldosos. Em um ranking de 53 países, o Brasil está em 43º. A média dos países da OCDE é de 18,7% de estudantes agredidos mais de uma vez por mês. Apesar de termos bons índices em comparação com os demais países, muitos dos nossos estudantes sofrem com o bullying. Por isso, é preciso estar atento para fazer a prevenção e as intervenções necessárias.

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Apoio dos pais

O Brasil está perto da média da OCDE em relação ao modo como os pais acompanham o desempenho escolar dos filhos. Pela pesquisa do Pisa, 85,2% dos estudantes dizem conversar com seus pais após as aulas e 93,4% afirmam que seus pais estão interessados nas atividades escolares. Os números são abaixo da média da OCDE, mas por pequena margem (86,1% e 93,5%). O foco de atenção é na quantidade de jovens que relatam receber ajuda dos pais quando estão em dificuldade: 88%, uma diferença um pouco maior para a média da OCDE (90,6%).

Satisfação com a vida pessoal

Os estudantes brasileiros têm uma percepção positiva a respeito de sua vida no geral. Pelo Pisa, 44,6% dos adolescentes do país se disseram satisfeitos no aspecto pessoal, 10,5 pontos percentuais acima da média da OCDE (composta majoritariamente por nações desenvolvidas social e economicamente). A escola é um elemento importante para os jovens. Pela pesquisa, 76,1% dos alunos brasileiros dizem se sentir pertencentes à instituição, acima dos 73% da média da OCDE.

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