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13 de Abril de 2017 Imprimir
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O que os professores estão falando sobre a Base Nacional Comum

Falta de recursos, pouca formação e apreensão com a diminuição da idade de alfabetização são os aspectos que mais preocupam os docentes

Por: Pedro Annunciato

Mesmo depois de três versões e um longo processo de debates e consultas públicas, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ainda gera dúvidas e preocupações para os professores brasileiros. É compreensível. Os desafios de implementação são imensos: construção de currículos municipais e estaduais, formação de professores e reformulação de materiais didáticos. Além disso, há pontos que geraram discussão no texto apresentado na última quinta feira (6/4), como a exclusão dos termos “gênero” e “orientação sexual” e a antecipação da plena alfabetização para o 2º ano do Ensino Fundamental.

NOVA ESCOLA ouviu docentes de todo o país a respeito da última versão do documento por telefone e por redes sociais. Abaixo, você confere algumas das opiniões, organizadas pelos temas mais sensíveis e que mais se repetiram nas conversas.

Quer se manifestar sobre a BNCC? Envie seu comentário para pedro@novaescola.org.br ou participe do grupo de leitores de NOVA ESCOLA no Facebook (clique aqui para acessar).


 

Alfabetização no 2º ano

“Tenho pra mim que o brasileiro gosta de problematizar muito. Acho a proposta [da BNCC] válida. As referências educacionais que temos em vigor, nos dias de hoje, são antigas e descontextualizadas. Acho válida a proposta de antecipar a alfabetização para o final do primeiro ciclo do Fundamental 1. E acho que nós, enquanto professores, precisamos nos abrir a novas reformas em prol de uma educação mais atualizada.”

Tais Nascarella Ramos da Silva, professora de Educação Infantil de Santo André (SP), por Facebook


“Eu acho que a criança perde muito [com a antecipação da alfabetização], pois hoje em dia o lugar onde ela realmente brinca é na escola, e querer adiantar as fases só irá sobrecarregar os pequenos.”

Andreza Fernandes, Monitora de escola de Educação Infantil em Pouso Alegre (MG), por Facebook

LEIA MAIS 32 respostas sobre a Base Nacional Comum Curricular


“Diminuir o ciclo da alfabetização é nada mais do que exigir conteúdos como numa linha de produção. Se atualmente, em três anos, ainda existem diversos casos que não atingem as expectativas, imagine em dois... O professor deverá "correr" com o conteúdo sem respeitar a construção da aprendizagem, o aluno deverá mastigar e decorar algo para que no final do ano seja comprovado que ele ‘aprendeu’, apenas decorando, decorando e decorando, e não é isso que deveria acontecer.”

Kesya Larysse, Estudante de Pedagogia de Sumaré (SP), por Facebook


Daiene Ferreira, professora de Educação Infantil de Campinas (SP), por Facebook


“Alfabetizar até os sete anos! Um crime contra a infância, vai contra tudo que os primeiros do mundo fazem! Um retrocesso.”

Marilia Gabriela Ferreira, Professora de Ubatuba (SP), por Facebook


“Eu contribuí com o debate sobre a BNCC e acho muita coisa super válida... Mas uma coisa me intrigou muito: como propor a alfabetização até o 2º ano se nós não estamos nem dando conta de alfabetizar até os oito anos? Não adianta pensarmos na Educação sem pensar numa grande massa. Sou professora de uma escola em Comendador Soares [bairro de Nova Iguaçú (RJ)]. Tenho 30 alunos do primeiro ano, sendo um portador de paralisia cerebral. Acha que seria possível articular um trabalho de qualidade nessas condições?? É preciso se pensar nas condições de trabalho dos professores antes de empurrar metas que eles não vão conseguir bater. Enquanto tivermos salas lotadas, escuras, quentes, entre outros problemas, não vamos conseguir solucionar a questão da alfabetização.”

Mariana Goes, professora de Ensino Fundamental em Nova Iguaçu (RJ), por Facebook


“Eu acho válido [antecipar a alfabetização]. Por que nas escolas particulares esse processo de alfabetização [até o 2º ano] pode e na pública repercute dessa forma? Mas os professores têm que ter suporte, recursos, investimentos, o que de fato não acontece na rede pública. Fica difícil alfabetizar quando se tem superlotação, crianças especiais que precisam de auxílio. Sou da rede privada e nunca trabalhei com superlotação em sala.Quando o professor consegue ter o contato diário com o aluno, isso contribui para o seu desenvolvimento.”

Patricia Fernandes, Professora de Educação Infantil em Sorocaba (SP), por Facebook


Andréa Bichara, Consultora pedagógica de escolas particulares de Brasília (DF), por Facebook


“Minha preocupação em relação a BNCC é a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental e também o fato de o documento estabelecer a alfabetização plena até o 2º ano. Isso pode causar muita confusão na cabeça de muita gente. Meu medo é que o documento seja mal interpretado como os PCNs e o RECNEI, e o pessoal comece a cobrar a alfabetização das crianças já na Educação Infantil. Outro dia, eu conversei com uma amiga minha que é professora de Educação Infantil e ela estava tremendamente angustiada porque as crianças da turma dela (4 anos) estavam com ‘dificuldades de leitura e escrita’, não sabiam ler nem escrever as famílias silábicas e ela estava sendo cobrada por isso. Se agora é assim, imagine depois! Boa parte dos professores ainda não entenderam que a Educação Infantil não é etapa preparatória para o Ensino Fundamental. Não estou dizendo que as crianças não devam aprender as letras, os números, aprender a escrever o nome delas, enfim... Não, não é isso. O que estou dizendo é que as crianças de 4 e 5 anos não tem que terminar a Educação Infantil com a obrigação de terem leitura e escrita fluente, e que ao meu ver é o que vai acontecer.”

Adriana Lopes, Professora de Ensino Fundamental I do Rio de Janeiro (RJ), por Facebook


“Estudei e gostei da [base curricular de] Educação Infantil. Acho que passamos a ver os pequenos como crianças. Porém, fiquei preocupada com alfabetização. Acredito que três anos [de Ensino Fundamental] era o tempo necessário para a criança atingir a maturidade do ler, escrever e para as operações em Matemática. Os professores que tiveram a oportunidade de fazer [as formações do] pacto na alfabetização na idade certa [Pnaic] sabem como a idade é importante.Temos que rever esta questão.”

Enilete Gaboardi, Professora de Educação Infantil de Matupá (MT), por Facebook


 

Exigências X Condições

“Eu não tenho nada contra essa proposta do MEC. O que me revolta é eles exigirem isso e não oferecerem boas condições para os professores trabalharem; não diminuírem o número de alunos por professor, não oferecer bons recursos didáticos. Se esses aspectos não mudarem, nada mudará.”

Náy Rocha, professora de Educação Infantil de Goiânia (GO), por Facebook


“Acho válido [o projeto da BNCC], mas temos que ter suporte e boas condições de trabalho. Realidade das escolas é diferente do que está no papel.”

Josi Oliveira, professora de Educação Infantil de Ibitirama (ES), por Facebook


Laura Bormann, Professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II em Belém (PA), por Facebook


“Também acho válida a proposta, desde que o governo dê suporte para as escolas, como material didático, material pedagógico, menos alunos, salário digno… Na maioria dos lugares os professores não recebem o piso, que é lei. Uma motivação é bem vinda. A proposta [da BNCC] é uma, a realidade é outra, os dois tem que andar juntos!”

Priscila Vedelago, professora de Educação Infantil de Mirassol (SP), por Facebook


“Enquanto o nosso sistema educacional geral não for embasado em responsabilidade, qualquer mudança será fracassada. Ainda se bate muito na mesma tecla, ‘direito à educação’, e de certo modo se ignora o ‘dever educacional’, fundamental para o sucesso escolar. Esse dever não é apenas do professor, como hoje se pensa, mas da família do aluno, que precisa ser melhor responsabilizada e fiscalizada, e dos próprios alunos, principalmente adolescentes, que têm que ser mais cobrados.”

André Carvalho, professor de São Paulo (SP), por Facebook


“Na minha escola tivemos momentos coletivos nos quais lemos e discutimos o documento. Apontamos melhorias. Acredito que a BNCC vá interferir nos objetivos de aprendizagem, na formação de professores, nos livros didáticos. Porém, necessita de um olhar para as condições de ensino. Não basta ter um documento, é preciso interferir em outras questões também.”

Fabrícia Estevão, Professora de Brasília (DF), por Facebook


 

Organização dos conteúdos

Robson Silva, professor em Diadema (SP), por Facebook


“Eu li apenas a parte da Educação Infantil e gostei muito, principalmente pela possibilidade de pensar a criança como um ser não fragmentado. Os campos de experiência são uma proposta bem estruturada e rica.”

Aline Borges, professora de Educação Infantil de São Paulo (SP), por Facebook


“Sou professora de Arte e vejo com muita preocupação a proposta. Não é claro como será realizada. Os avanços que tivemos em 20 anos parecem desmoronar…”

Eliane Andreoli, professora de Arte em São Paulo (SP), por Facebook


“A BNCC, pra mim, é retrocesso! Extremamente conteudista, não valoriza a reflexão e torna o aluno passivo! Um absurdo!”

Fernanda Depizzol, professora em Santo André (SP), por Facebook


“A base curricular de História tem uma redução muito grande dos conteúdos. Priorizaram demais as questões do século XX e deixa pouco espaço para conteúdos de História Antiga, que tem muito a oferecer para a compreensão de conceitos atuais, como democracia, por exemplo. Esse é um ponto negativo.”

Antonio Gasparetto, professor de História de Ensino Fundamental II, em Juiz de Fora (MG), por telefone


“Trabalho em uma editora de livros didáticos na área de Matemática e ainda estamos estudando a terceira versão, mas já dá para notar que pouca coisa mudou em relação às versões anteriores. O conteúdo de Matemática para o Ensino Fundamental I parece bem enxuto, mas alguns conteúdos de 4º e 5º anos passaram para os primeiros anos. Fala-se muito em trabalhar com softwares (sem especificar quais) e instrumentos de desenho, e imagino que os professores precisarão de bastante formação para lidar com essas exigências. Quanto aos nossos materiais, ainda está tudo em aberto”

Diana Maia, Editora de Matemática para Ensino Fundamental I da Editora Moderna, em São Paulo (SP), por telefone

Os comentários destacados não representam necessariamente as opiniões de NOVA ESCOLA.

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