OCDE divulga relatório anual sobre situação da Educação no mundo

Nova edição do Education at a Glance mostra que Brasil continua com índices abaixo da média

POR:
Ana Ligia Scachetti

Atualizado em 21 de setembro de 2016

 

Aquele tempo em que se vivia no escuro, sem saber como o ensino andava está definitivamente para trás. Os últimos 10 dias marcam bem isso. Além da divulgação dos dados do Ideb, com a série histórica de 10 anos, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acaba de divulgar mais uma edição do relatório Education at a Glance.

O documento engloba um universo enorme de indicadores, da frequência do uso de tecnologias por grau de instrução até o total de empréstimos no Ensino Superior e a proporção de mulheres na docência. São contemplados os 35 países que integram a OCDE e mais algumas nações parceiras. Entre elas, está o Brasil.

Como nas edições anteriores, no geral estamos em uma posição baixa em relação aos outros participantes da pesquisa. No entanto, qualquer tipo de comparação tem que considerar que estamos olhando para realidades muito díspares. Pensando no tamanho, por exemplo, o Brasil tem proporções continentais e alguns dos primeiros colocados possuem redes equivalentes à de um Estado nosso.

Tendo esse cuidado em vista, conheça algumas das constatações do relatório sobre o nosso país:

- O Brasil é um dos últimos colocados no total de investimento anual por estudante. Estamos à frente apenas de México, Colômbia e Indonésia. Por outro lado, somos o terceiro país com maior proporção de gasto público em Educação em relação ao total geral de gastos públicos (16,1%, sendo que a média dos países da OCDE é 11,3%).

- A idade em que a Educação Básica termina (15 anos em média, no Brasil) é considerada baixa por aqui em comparação com a média de 17 anos, mas conseguimos uma taxa bem mais alta que a Índia, por exemplo, onde a idade é de 12 anos.

- Enquanto 97% das crianças de 5 a 14 anos estão na escola no Brasil, apenas 69% dos jovens de 15 a 19 anos seguem os estudos (a média da OCDE para essa faixa etária é de 84%).

- O salário inicial dos professores no Brasil é um dos mais baixos.

Tempo e currículo

O Brasil está dentro da média de tempo de escolarização para o Ensino Fundamental, com nove anos, e para a quantidade de dias letivos em um ano (200). Já em relação ao número de alunos por sala, estamos próximos às nações com classes mais cheias, como o México e a Indonésia, acima de 25 alunos. A média dos países membros é 21 estudantes nos anos iniciais e 23 nos finais do Ensino Fundamental. 

Em termos de currículo, o relatório mostra que 96% dos países definem o que os estudantes devem aprender e 75% ainda estipulam quanto deve ser dedicado a cada disciplina. Porém, nações como a Inglaterra e a Holanda, que têm flexibilidade de tempo, também figuram como bons exemplos de Educação. Caso o Brasil aprove a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como está ficaremos em uma situação parecida com essa, sem uma distribuição prévia de tempo dedicado a cada tema. Ainda que não seja uma definição nacional, existe uma tendência que se repete por aqui de despender mais horas para Língua Portuguesa e Matemática, com cerca de quatro aulas semanais, enquanto outras matérias como Educação Física e Arte são preteridas com um ou dois encontros. Essa prática se assemelha bastante aos países membros da OCDE que dedicam 46% dos primeiros anos para leitura, escrita e literatura, enquanto 22% é dedicado a Matemática e 9% para Arte. As demais áreas são distribuídas em pequenas porções. Já nos anos finais, a língua materna e a Matemática se aproximam, com 14% do tempo para a primeira e 12% para a segunda disciplina. Nessa etapa, as Ciências Naturais aparecem com mais força ocupando 11% do tempo e as Ciências Sociais com 10%.

Confira o relatório completo, em inglês, aqui.

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