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O que uma série catalã pode ensinar sobre inovação, conflitos com a família e Filosofia

Conheça Merlí, um professor criticado por propor aulas diferentes e conversar com os alunos

POR:
Nairim Bernardo

Você já teve (ou ainda tem) muita vontade de planejar aulas inovadoras? Merlí, protagonista de uma série catalã homônima (a primeira temporada tem 13 episódios e está disponível na Netflix),  procura sempre investir em metodologias que motivem os alunos e incentivar que eles questionem tudo – mas tudo mesmo, até ele.

Entretanto, apesar de esse professor de Filosofia ser admirado pela maioria dos estudantes, não encontra apoio na equipe docente da escola em que trabalha. Um dia, ele chega a ouvir a seguinte frase de seu coordenador: “Antigamente, eu era como você. Mais próximo dos alunos, procurava motivá-los. Com o tempo perdi a energia”. Merlí não deixa barato e rebate: “E se transformou num professor chato”.

Conheça mais sobre esse curioso personagem, que, apesar de comprar várias brigas com os colegas e com as famílias, consegue despertar o interesse de todos os alunos para a Filosofia:

Imagem: divulgação

Filosofia na prática

Merlí é um professor de Filosofia desempregado e divorciado. Com a mudança da ex-esposa para outra cidade, fica responsável por cuidar de Bruno, seu filho adolescente. Despejados de seu apartamento, pai e filho se mudam para a casa da mãe de Merlí, uma famosa atriz dramática. O professor recebe uma proposta de emprego e começa a dar aulas no Instituto Àngel Guimerà, mesma escola em que Bruno estuda. Logo na primeira aula, choca alunos e professores pela sua metodologia e personalidade peculiares.

Cada episódio dessa série leva o nome de um filósofo, que vira o tema das aulas de Merlí. Os acontecimentos da vida do professor e do dia a dia da sala de aula também se ligam aos conceitos de cada pensador. No episódio “Platão” (saiba mais sobre o filósofo aqui), por exemplo, o docente explica o Mito da Caverna para Ivan, um aluno que sofre de agorafobia, que é o medo de estar em espaços abertos ou no meio de uma multidão.  Ivan não frequenta mais a escola e estuda em casa. Assim como no Mito, em que os personagens saem da caverna para conhecer o mundo real, Merlí se propõe a ajudar esse aluno a sair de casa e voltar a conviver em sociedade. Em outro episódio, chamado “Maquiavel”, Merlí e os alunos debatem a famosa frase “Os fins justificam os meios” – atribuída de forma equivocada a Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe – e se veem diante de uma sequência de fatos em que mentiras e trapaças parecem a melhor maneira de resolver os problemas.


Descoberta do mundo fora da sala de aula

Em seu primeiro dia, Merlí convida os alunos para sair da sala e ter a aula em outro lugar. Acostumados à rotina de sempre, parada, eles ficam muito empolgados com a oportunidade de andar pela escola (e não é só na ficção que isso pode acontecer, veja aqui por que e como investir em outros espaços de aprendizado). Nas aulas do professor, no lugar da “decoreba”, os estudantes são constantemente incentivados a refletir e discutir. De modo prático, eles aprendem que questionar o mundo não é uma aptidão especial dada apenas aos filósofos.

Tudo isso faz com que os jovens se sintam mais à vontade e mais próximos do professor e da disciplina. Não à toa, até mesmo os estudantes classificados como “maus alunos” mergulham de cabeça nos estudos. Gabriela Dias, mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, realizou uma pesquisa que aponta que os alunos admiram mais os docentes que se mostram pacientes, divertidos, atenciosos e que destinam um tempo de aula para o diálogo (leia a pesquisa aqui).

Imagem: reprodução/Netflix

Aprenda a lidar com os conflitos

Alguns professores não veem com bons olhos o modo como Merlí conduz suas aulas e se relaciona com os jovens. Os colegas chegam a acusá-lo  de ser muito inovador em suas práticas. O coordenador, responsável por mediar os conflitos, admira a paixão que ele tem pela profissão e, na medida do possível, defende Merlí. Entretanto, acredita que logo ele estará cansado da docência e dos alunos, e que suas aulas cairão na mesmice. 

Também fica claro que Merlí não faz questão de manter uma boa relação com o resto da equipe docente. Ele diz e faz o que quer, se envolve pessoalmente com a namorada de outro professor, quebra as regras da escola e toma atitudes que ele mesmo reprova.

Assim como na escola da série, conflitos entre a equipe podem acontecer em qualquer lugar. E é sempre bom estar preparado para lidar com essa situação. Veja aqui o que fazer.

Questione tudo

No episódio “Sócrates”, o professor é acusado de corromper seus alunos com pensamentos inapropriados (você sabia que Sócrates foi condenado injustamente à morte depois de ser acusado de desrespeitar os deuses e corromper os jovens?). O pai de um aluno estava pressionando o menino a seguir uma profissão que ele não queria e Merlí sugere que o garoto pense por si mesmo e faça o curso que desejar. Por isso, acaba sendo acusado de interferir na criação do estudante e de incentivar seus alunos a desobedecerem regras.

Questionado pelos pais pela postura que assumiu , o professor desabafa: “O que acontece agora que os pais se atrevem a dizer a um professor como deve dar aula ou que nota deve dar? Se um dia eu pedir licença médica, não será por causa dos alunos. Será por causa dos pais!”. Sabemos que envolver as famílias sem misturar as responsabilidades na Educação das crianças não é tarefa simples, mas é muito importante tomar atitudes para iniciar uma parceria saudável. Neste texto, você encontra uma série de dicas para atingir esse objetivo.