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Como o filme “A 13ª emenda” pode enriquecer o debate sobre escravidão e racismo em sala de aula

O documentário, que está disponível na Netflix, faz referência à lei que aboliu a mão de obra escrava nos Estados Unidos. Saiba quais são os reflexos dessa decisão na sociedade atual

por:
Anna Rachel Ferreira
14 de Março 2017 - 19:00

O continente americano tem sua história marcada pela colonização, principalmente, espanhola, portuguesa e inglesa. Cada nação europeia lidou de maneira diferente com a sua colônia, sendo ou de exploração ou de ocupação, mas algo que se destacou foi a escravização de negros, sequestrados em países da África e vendidos nas metrópoles para o trabalho forçado. Foram anos de exploração dessa forma abominável de mão de obra.

Embora o trabalho escravo ainda persista, ainda que de maneiras diferentes das do século 19, ele foi sendo considerado ilegal nos países americanos após o crescimento do movimento abolicionista. O Brasil foi um dos últimos a fazer isso, com a Lei Áurea, assinada pela  princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Nos Estados Unidos, a abolição ocorreu duas décadas antes,  em 6 de dezembro de 1865, no governo de Abraham Lincoln, com a publicação de uma emenda à Constituição, chamada de 13ª emenda.

E é justamente essa emenda que virou foco do documentário A 13ª emenda (Ava DuVernay, 2016), produzido pela Netflix. O nome faz referência à lei que determinou o fim da mão de obra escrava no país, mas que faz uma ressalva: pessoas consideradas criminosas ainda podem ser submetidas ao trabalho forçado.

O longa, que foi indicado ao Oscar de melhor documentário deste ano, é uma aula sobre história, racismo e articulação política, além de mostrar os reflexos que perduram até hoje por causa da escravização da população negra. Já na abertura, ficamos intrigados por dados muito expressivos: os Estados Unidos concentram cerca de 5% da população mundial. E, também, 25% da população carcerária do planeta. Um a cada três negros corre sérios riscos de ir para a cadeia. Entre os brancos, a estatística cai de 1 para 17. Já dá para ter uma noção do impacto da escravidão, não é?

Confira dois pontos levantados pelo filme que podem ser trabalhados em sala de aula:

O que aconteceu antes, durante e depois da abolição

No início do documentário, há vários trechos que tratam sobre o que aconteceu imediatamente após a abolição como a quebra do modelo econômico da região sul do país e a falta de perspectiva de crescimento social para os negros. Uma possibilidade de atividade é passar esses trechos em sala de aula e, depois, ler com os estudantes as leis que aboliram a escravidão tanto nos Estados Unidos (clique aqui para ler) como nos Brasil (clique aqui para ler).  Algumas perguntas podem pautar a discussão ou um trabalho de pesquisa:

  • Quais são as diferenças entre as leis?
  • Essas leis foram aplicadas imediatamente?
  • Quem fez o trabalho que os escravos faziam?
  • Quais oportunidades de trabalho os escravos tiveram após a abolição?

É possível entender mais sobre o tema com as reportagens Em busca de pistas sobre a escravidão e Como a Lei Áurea foi comunicada à população?.

A brecha da lei americana

Na sequência da produção, com os depoimentos de ativistas, historiadores e políticos entendemos melhor a relação do trecho da lei americana que reserva a escravidão a criminosos com o racismo ainda presente no país. Segundo o documentário, logo após a publicação da 13ª emenda, houve um encarceramento em massa de negros, presos por crimes como “vadiagem”. Como eles não tinham emprego, acabavam vagando pelas ruas, tornando-se propensos a tal crime.  Basicamente, essas pessoas não tinham oportunidade de emprego e, ao serem presas, voltavam à realidade de trabalhos forçados.

Pode ser interessante pedir a turma que pesquise se há outras formas de escravidão nos Estados Unidos e no mundo. Uma boa fonte de informação para essa pesquisa são reportagens jornalísticas. Peça que os alunos busquem textos publicados em jornais ou veiculados na televisão que denunciaram o trabalho escravo no Brasil nos últimos 10 anos. NOVA ESCOLA já falou sobre isso em alguns momentos, como na matéria A escravidão ainda existe e O que caracteriza o trabalho escravo hoje no Brasil?.

Quem são essas pessoas escravizadas hoje? Por que elas são escravizadas? Após o levantamento de informações, os estudantes podem compartilharam o que descobriram em uma roda de conversa e discutir a que é atribuído a existência de mão de obra escravizada hoje e o que poderia ser feito para mudar essa realidade.

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