Ideb: Presidente do Consed aponta Base Nacional e reforma do Ensino Médio como saídas para a Educação brasileira

Em entrevista, Eduardo Deschamps também comentou motivos dos bons resultados nos anos iniciais

POR:
Anna Rachel Ferreira

Foto de Eduardo Deschamps, homem de cerca de 60 anos, de óculos, falando ao microfone em um evento

Eduardo Deschamps comenta o que gerou bons resultados nos anos iniciais e o que precisa mudar nas outras etapas. Crédito: Wikimedia Commons/Senado Federal

 

Os dados da série histórica do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foram divulgados no último dia 8 de setembro. Dentre os aspectos que mais chamaram a atenção estão a melhoria significativa dos anos iniciais do Ensino Fundamental, que avançou de 3,8 para 5,5 no intervalo de 10 anos. Já nos anos finais, o aumento foi modesto (de 3,5 para 4,5) e o Ensino Médio demonstra uma estagnação em níveis muito baixos (entre 3,4 e 3,7). Conversamos com o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed), Eduardo Deschamps, que comentou os resultados. Confira abaixo a entrevista.

Quais as principais políticas que impactaram na melhoria dos anos iniciais?
Essa é a primeira avaliação a ser feita com o Ensino Fundamental de 9 anos, que trouxe a alfabetização para os 6 anos de idade. Além disso, ela também tem impacto de outros programas, como o Pnaic (Programa Nacional de Alfabetização na Idade Certa). Nos próximos anos, o segundo ciclo do Fundamental e o Ensino Médio começarão a receber alunos mais bem formados. Mas, para manter o crescimento, vai ser necessário investir nessas outras áreas.

Uma vez que tenhamos entendido o caminho dos anos iniciais, como podemos rever a etapa seguinte, visto que seu crescimento é bastante inferior?
Nos anos iniciais, temos um único professor que consegue dar mais coerência ao que ensina durante o período. Nos finais, temos muitos professores e fica mais difícil equalizar o que todos estão ensinando. Desse modo, a necessidade de uma Base Nacional Comum se torna ainda mais evidente. Só que ela sozinha não resolverá a questão, a Base precisa impactar a formação dos professores, a elaboração dos livros didáticos e as práticas pedagógicas em sala de aula.

O Ensino Médio é a única etapa de ensino de competência dos estados e também é a que tem piores índices. O que precisa mudar?
A falta de uma Base Curricular se soma a um modelo que se mostra ineficiente há bastante tempo. Precisamos de um sistema em que o aluno seja protagonista e possa escolher o caminho que deve seguir. Nessa etapa, temos alunos mais velhos e que têm de acreditar na relevância do que se ensina em sala de aula para sua vida. Só assim eles optarão por permanecer na escola. Não à toa, uma das questões mais gritantes no Ensino Médio continua sendo a evasão.

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