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As lições que aprendemos no primeiro dia do SXSWedu

NOVA ESCOLA e a Fundação Lemann levaram 11 profissionais brasileiros à conferência de Educação dentro do maior evento de inovação do mundo

POR:
Ubiratan Leal

O SXSW (sigla para “South By Southwest”), maior evento de inovação do mundo, começou nesta segunda, em Austin, Texas. O festival ganhou força em cima de shows musicais e lançamentos congressos de tecnologia, mas também tem espaço para a Educação. O SXSWedu reúne alguns dos principais profissionais da área no planeta para trocar conhecimento e levá-lo às escolas. Inclusive do Brasil, pois NOVA ESCOLA e a Fundação Lemann, mantenedora da Associação Nova Escola, levaram 11 profissionais - entre professores e gestores - brasileiros para a capital texana (clique aqui para ver o perfil de todos).

Veja quais foram os principais aprendizados após o primeiro dia de evento:

Quem é o protagonista na Educação

O professor é o protagonista. O aluno também. Como assim? Na verdade, é a relação entre eles que movimentam a educação. “Nenhuma mudança efetiva vai acontecer na Educação se não for por meio dos professores, pois eles conhecem a realidade da sala de aula, os problemas e a origem desses problemas. Só quem faz parte do problema é capaz de apresentar a solução”, comentou Fábio Augusto Machado, professor de geografia em São Paulo. “Ficou muito clara a importância no processo de aprendizagem. É recorrente a escola desenvolver seu trabalho pedagógico e se esquecer da subjetividade do aluno, dos centros de interesse dele. O professor precisa ter a sensibilidade para entender o que mobiliza o aluno e trazer isso para o processo pedagógico para que ele se engaje”, afirmou Gina Vieira Ponte, professora no Distrito Federal.

A verdadeira utilidade da tecnologia

Com o avanço científico, é fácil se perder nas possibilidades criadas a cada novidade lançada. Mas a inovação real não está na tecnologia em si, pois o conteúdo ainda é a prioridade. “A tecnologia não precisa servir à sala de aula, mas ser produzida na própria sala. O professor pode ser um parceiro do aluno no desenvolvimento de um conceito específico para o conhecimento, mas que também atinja o intelectual, o social e até mesmo o afetivo. A tecnologia deve ser um meio de construção de conhecimento, não um meio de reprodução de informações”, explicou Greiton Toledo de Azevedo, professor de Matemática em Goiás. “A gente pensa muito que inovação é tecnologia, mas inovação é utilizar alguma coisa que tenha impacto verdadeiro na sala de aula. E os alunos podem fazer parte do processo, criando e dando suas opiniões que, muitas vezes, não levamos em conta”, reforça Mara Mansani, professora em duas escolas públicas no interior de São Paulo.

A importância da saúde mental dos alunos (e dos professores)

A saúde muitas vezes é medida pelo estado físico da pessoa: alguma dor, alguma indisposição, alguma dificuldade em lidar com os esforços do dia a dia. Mas a saúde mental é fundamental, sobretudo em um ambiente que trabalha as cabeças, como uma escola. “É uma coisa que não é discutida nas escolas ou fora delas. O professor precisa também identificar quando um aluno está com problemas em sua saúde mental. Mas como cuidar dessa criança se ele próprio também pode ter algumas questões nessa área? Pessoas quebradas quebram outras, pessoas destruídas destróem outras”, reflete Marlúcia Brandão, professora na rede pública no Espírito Santo.

O conteúdo precisa estar inserido no contexto social da escola

O aluno não é apenas um jovem que precisa estudar as lições que lhe são passadas. Ele vive dentro de um contexto social e cultural, e entrar nesse universo é fundamental para fazer que o conteúdo tenha relevância e impacte sua vida e sua comunidade. “É importante ver o aluno como uma pessoa. Se o professor vai para a escola e dá só o conteúdo, isso não é relevante para a vida do aluno. Tem de mostrar a esse aluno que ele faz parte da sociedade e que só assim você consegue transformar”, comentou Willmann Silva Costa, gestor em escola estadual no Rio de Janeiro e professor de Língua Portuguesa. “Não podemos dissociar a escola da cultura do nosso aluno, os dois têm de caminhar juntos. A escola não pode esquecer essa cultura dele e apenas jogar novos aprendizados”, completa Débora Garofalo, professora orientadora de informática educativa em escola da rede pública de São Paulo.

O papel civil da Educação

A Educação é a área mais nevrálgica para a sociedade, e algumas histórias apresentadas no SXSWedu reforçam essa percepção. “Para fazer qualquer trabalho efetivo em Educação, é preciso conhecer os dramas da história de vida dos alunos. E isso é possível quando há empatia, quando se coloca no lugar dele”, comenta Maximo Ribeiro, diretor de uma escola no interior de São Paulo. Exemplo concreto? Ademir Almagro, professor de História e coordenador pedagógico de uma escola municipal em Novo Horizonte (São Paulo), conta um: “Na palestra sobre Educação para refugiados, vimos que as crianças não buscam apenas conhecimento, mas também segurança. A Educação está em tudo e merece ser cada vez mais valorizada”.

Um inovador puxa o outro

Inovar é preciso, mas muitos profissionais ainda resistem a mudanças e tentam desestimular os colegas. Mais um motivo para insistir na busca por novidades. “O professor inovador engaja outros profissionais, traz a comunidade e envolve todo mundo”, afirma João Paulo Pereira de Araújo, professor em Leopoldina, Minas Gerais. “É preciso ignorar um pouco as pessoas que nos impedem de fazer o trabalho acontecer e focar em fazer o trabalho bem feito. Os demais professores, por meio do nosso exemplo, vão começar a nos seguir e a também desenvolver suas atividades”, explica Jocemar do Nascimento, coordenador no ensino de programação e robótica em escolas de Cascavel, interior do Paraná.

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