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10 lições de sucesso que todo professor pode aplicar na sua prática

As experiências são de Wemerson da Silva Nogueira, um dos dez finalistas do Prêmio de Professor Global de 2017, o “Nobel da Educação”

POR:
Laís Semis
O trabalho "Filtrando as Lágrimas do Rio Doce" rendeu a Wemerson o título de Educador do Ano de 2016. Crédito: Diana Abreu

Wemerson da Silva Nogueira tem cinco anos de docência, mas já acumulou bastante experiência - e prêmios - com os projetos que realizou com turmas dos anos finais do Ensino Fundamental. Nesta terça-feira (21/02), o professor de Ciências de Boa Esperança, no interior do Espírito Santo, teve mais uma conquista: foi indicado como um dos dez finalistas do Prêmio de Professor Global (Global Teacher Prize), um espécie de “Nobel da Educação”.

A equipe de NOVA ESCOLA teve o primeiro contato com Wemerson em setembro de 2016, quando foi conhecer o projeto "Filtrando as lágrimas do Rio Doce", inscrito no Prêmio Educador Nota 10. O trabalho com a turma do 9º da EEEFM Antônio dos Santos Neves para estudar a tabela periódica com base nos elementos químicos encontrados na lama que contaminou o Rio Doce, depois do rompimento de uma barragem na cidade mineira de Mariana, rendeu o título de Educador do Ano de 2016.

De lá pra cá, conversamos mais algumas vezes com o educador, que nos contou sobre os desafios dos primeiros momentos na profissão de professor e os aprendizados que teve no caminho. “Desenvolver projetos da Educação é uma tarefa árdua para qualquer professor porque requer muito tempo e disposição. Mas posso afirmar que aprendi muito com os projetos que desenvolvi com os meus alunos”, contou o capixaba, numa conversa com NOVA ESCOLA.

Abaixo, fizemos uma seleção desses aprendizados de Wemerson. Você pode levar esses ensinamentos para a sua prática a qualquer momento. Confira:

1- Investigue a fundo sobre o problema
Diante da tragédia, a atitude inicial foi levar os alunos para entrevistar os ribeirinhos, pois antes de pensar as ações, era preciso entender como sua rotina tinha sido afetada. Além de prever quais perguntas seriam feitas na investigação, o professor se preocupou em orientar os alunos quanto à postura de pesquisador e ensaiou estratégias para quebrar o gelo e conseguir informações relevantes dos moradores. Tudo para montar um diagnóstico preciso que pudesse ser a base para o projeto.

2 - Envolva a comunidade
A comunidade pode dar suporte às ações desenvolvidas pela escola, compartilhando conhecimentos do local em que a instituição se encontra, por exemplo, ou ajudando a resolver desafios que a unidade, sozinha, não consegue. No caso de Wemerson, a participação da população de Boa Esperança, onde ele leciona, foi essencial para o desenvolvimento do projeto sobre o Rio Doce. Do empréstimo de barcos até a validação da solução encontrada pelos estudantes para o reaproveitamento da água contaminada pela lama, os moradores locais foram agentes do processo. Eles também ajudaram na montagem dos 56 filtros desenvolvidos pelos alunos para serem instalados nas casas dos ribeirinhos.

3- Seja parceiro dos pais
“Trabalho com os pais para valorizar o estudo dos filhos”, disse Wemerson, num bate-papo. Durante a realização de projetos, o professor conta com a parceria dos familiares, que o procuram para contar como o envolvimento com o trabalho na escola está refletindo no comportamento dos filhos. “O aluno de 14, 15 anos que chegava em casa antes e ia brincar ou navegar na internet, agora volta e continua a estudar em casa”, contou o professor.

4- Proponha o estudo dos conteúdos de forma contextualizada
Os projetos podem envolver, entusiasmar e fazer com que os alunos aprendam de forma significativa se forem relacionados, de alguma forma, com a realidade vivenciada ou conhecida pela turma. Os próprios estudantes podem dar esses insights. O projeto "Filtrando as lágrimas do Rio Doce" começou com os comentários da classe sobre as notícias do rompimento da barragem. Foi o papo dos alunos sobre os metais pesados e tóxicos encontrados na lama que deu o clique inicial para o projeto. Wemerson decidiu aproveitar a oportunidade para estudar a tabela periódica, conteúdo que já estava previsto para o 9º ano.

5- Abra-se para sugestões e soluções vindas dos próprios alunos
Mesmo que você já tenha planejado o projeto do começo ao fim ou realizado a proposta em outros anos e tenha sido um sucesso, nunca deixe de considerar a opinião da turma em relação ao andamento das atividades. A ideia de construir filtros para reutilizar a água contaminada do rio para atividades domésticas surgiu de um estudante, depois das entrevistas com os moradores, que contaram sobre a escassez do líquido. A turma abraçou a ideia e a solução para os problemas enfrentados na construção do filtro também foi sugestão de um colega.

6- Conte com a expertise dos colegas
Além de trocar ideias com professores da mesma área e coordenadores para identificar possíveis melhorias na abordagem do conteúdo, é sempre bom lembrar que profissionais de outras disciplinas também podem contribuir e ajudar nas questões mais desafiantes para você ou para  a turma. Wemerson, por exemplo, pediu ajuda da professora de Matemática da escola para tabular os dados do levantamento sobre os elementos químicos encontrados no Rio Doce e, posteriormente, preparar os gráficos que seriam estudados pelos alunos.

7- Busque apoio na gestão
De compra de materiais ao suporte pedagógico, o apoio dos gestores é essencial para conseguir tirar os projetos do papel. “Quando eu cheguei à escola, contei para a diretora sobre o trabalho sobre o Rio Doce que queria desenvolver. Falei que, sem apoio financeiro e pedagógico, eu não conseguiria contribuir com o meu aluno do jeito que ele precisa”, disse Wemerson. Com a ajuda da gestora, o laboratório foi equipado com kits para testes de turbidez e alcalinidade, por exemplo. Foi ela também que conseguiu o apoio da prefeitura e de cidadãos de Boa Esperança para conseguir caminhões de transporte do material e doações de bombas. No entanto, nem sempre ele encontrou apoio. Alguns trabalhos já foram paralisados pelo excesso de regras em instituições. “Certas escolas abraçavam com interesse os projetos, e acabei inscrevendo os mais relevantes nas premiações que surgiam”, relembrou.

8- Não se sinta definido pela faculdade que você fez
Wemerson veio de família humilde, mas acreditou em seu potencial: estudou em escola pública, cursou graduação a distância - a única que ele podia pagar - e, agora, colhe os frutos do bom trabalho desenvolvido. “Precisei me dedicar muito para fazer todo o curso de Ciências Biológicas online. As pessoas não valorizam a educação a distância, mas se admiram quando digo que essa é a minha formação e que já tenho bastante bagagem”, contou. Os prêmios recebidos pelo projetos realizados nas escolas públicas levaram Wemerson a ser convidado a cursar mestrado em Química na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), contribuir com a equipe que trabalhará a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no estado e dar palestras sobre desenvolvimento de projetos para professores da rede pública.

9- Pesquise referências pedagógicas que podem somar em seu trabalho
Não vai em frente quem se limita apenas à formação inicial. Um dos segredos, mesmo para quem fez formação continuada e cursos específicos, é seguir pesquisando outros trabalhos, procurando sugestões e formas diferenciadas de dar aulas. Wemerson costuma fazer buscas na internet do que está sendo desenvolvido no Brasil e em escolas de outros países, como a Escola da Ponte, em Portugal. “Assisto a vídeos e adapto práticas interessantes para o contexto da minha turma. Faço isso durante uma tarde por semana, em casa com calma, sozinho. Para mim, planejamento é uma prioridade profissional”, revela.

10- Troque experiência com outros educadores e não tenha receio de pedir auxílio
Além de pesquisar muito sobre projetos, Wemerson acessou alguns educadores que tinham trabalhos que considerava interessantes para saber mais sobre o que os tornava bons projetos; quais eram suas características, como funcionou o processo de desenvolvimento e os resultados. As trocas de experiências são válidas sempre e podem ser feitas entre os colegas de trabalho da mesma ou de outra disciplina. Profissionais de outras áreas podem contribuir ampliando as perspectivas do projeto. Se você tiver receio de expor sua forma de trabalho, pense que a troca de experiências pode ser uma oportunidade de crescimento profissional e de aprimoramento das propostas.

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