Aproveite o Super Bowl e inclua o futebol americano nas aulas

Conheça algumas variações para criar jogos que incluem toda a classe e se adaptam à quadra da sua escola

POR:
Larissa Darc, Ubiratan Leal

O Super Bowl é o máximo que se pode atingir na mistura de esporte com espetáculo. A final da NFL (liga profissional de futebol americano) é o programa de maior audiência no ano na TV dos Estados Unidos, com mais de 100 milhões de telespectadores, e já teve nomes como Madonna e Beyoncé fazendo show no intervalo. Tudo isso poderá ser vistona próxima edição do evento, programada para este domingo (5/2). Um acontecimento tão grandioso que parece inatingível, mas que pode perfeitamente inspirar algumas atividades na aula de Educação Física aqui no Brasil.

O objetivo principal do jogo é levar a bola até o fim do campo do lado adversário, aendzone. Ao chegar nessa área, o time marca um touchdown, que vale seis pontos. Outra forma de pontuar é acertando um chute entre as traves em formato de Y. Para ajudar o público brasileiro, a NFL até preparou um vídeo com um resumo das regras em português.

Nos Estados Unidos, o futebol americano é a modalidade com mais praticantes no nível escolar, sobretudo na high school (equivalente ao Ensino Médio). “Os times têm equipamento de proteção para os momentos de mais impacto e os treinadores são obrigados a ter cursos de primeiros socorros e de identificação de concussões e insolação”, conta Matheus Dias, brasileiro que foi assistente-técnico na equipe de uma escola no estado americano da Pensilvânia.

Isso não significa que a prática da modalidade seja necessariamente perigosa. O importante é o professor de Educação Física saber como utilizar elementos do jogo, aproveitar suas virtudes e criar uma atividade que possa integrar todos os alunos, independentemente de sexo e força física. No Colégio Santa Clara, em São Paulo, atendendo aos pedidos dos estudantes, o professor Alexandre Mazzoni adaptou a quadra e os equipamentos disponíveis para realizar a criação conjunta de regras. “Os alunos tinham curiosidade sobre o funcionamento do jogo. Para que todos participassem, decidi trabalhar de forma que não levassem em conta as aptidões físicas. Os times eram mistos e nós assistíamos a filmes, como No Limite, de Gary Fleder, e vídeos que explicavam os arremessos. Conversávamos e escrevíamos com a colaboração do professor de Língua Portuguesa”, conta o docente, também pesquisador no Instituto de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP).

Alexandre adaptou o jogo com base em sugestões levantadas pelos próprios alunos. As jardas, usadas para marcar a distância percorrida, foram excluídas do campo improvisado. Apenas a endzone foi sinalizada. Os estudantes praticaram arremessos, posse de bola e domínio territorial. Conforme surgiam as dúvidas, o professor planejava as aulas seguintes. "Nós estamos quebrando alguns paradigmas da Educação Física dos anos 80, que priorizava o gesto técnico. Se você não arremessasse bem, não poderia jogar o futebol americano. Quem disse que não?", questiona Alexandre.

Bandeiras pra todo lado

Há outras formas de usar elementos do futebol americano dentro de uma atividade. A mais utilizada entre crianças e adolescentes é o flagbol. “É uma adaptação do flagfootball, que é um futebol americano sem contato. Cada jogador fica com duas bandeirinhas – que podem ser substituídas por meias compridas, por exemplo – presas na cintura. Em vez de derrubar, o adversário precisa apenas puxar a bandeira ou meia”, explica Danilo Müller, técnico da seleção brasileira de futebol americano. “Dá para jogar em uma quadra de escola, com times de cinco jogadores cada, e não tem problema misturar meninos e meninas, gordos e magros, altos e baixos.”

Müller conta que alguns professores de Educação Física já incluíram o flagbol em sua aula (leia mais informações aqui) Eles incorporam a modalidade no 9º ano do Ensino Fundamental, de acordo com a sugestão do currículo sugerido para as escolas estaduais de São Paulo no item Modalidade “alternativa” ou popular em outros países: rugby, beisebol, badminton, frisbee ou outra (página 246). Para quem busca algo mais familiar, Müller sugere uma mistura de futebol americano com outro jogo bastante conhecido nas escolas brasileiras, o pique-bandeira. “Os jogadores ficam com as bandeirinhas ou meiões na cintura, precisando atravessar a quadra adversária para colocar a bola no fundo.”

Seja na quadra, no campo, no pátio ou na sala, o importante é explorar as regras e as particularidades do jogo por meio de muita experimentação prática, acompanhada de debates e comparações.

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