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Mil e Uma Noites: histórias que valem vidas

POR:
Anna Rachel Ferreira

Quem nunca ouviu falar de As Mil e Uma Noites (trad. Mamede Mustafa Jarouche, 1684 págs., 89 reais)? O clássico da literatura árabe, datado do século IX, teve seu primeiro exemplar escrito quatro séculos mais tarde e chegou até nós por meio de traduções e adaptações nas mais diversas artes, principalmente para o público infantil. No Brasil, uma famosa contadora de histórias chamada Raquel Barcha adotou o nome artístico de Raquel Sherazade inspirada na protagonista da obra, cujo autor é desconhecido.

Apesar de o ligarmos com a infância, os contos árabes originais que compõem o livro são regados a traições, sexo e violência. “A complexidade da escrita e da concepção de mundo presentes nos textos vão muito além da compreensão infantil”, afirma Mamede Mustafa Jarouche, tradutor da obra. Essas características ficam claras nos manuscritos guardados na Biblioteca Nacional de Paris e na tradução feita por Mamed, com base neles.

Outra curiosidade é que Alladin e Ali Babá não estão nas versões árabes de As Mil e Uma Noites. A primeira vez que eles aparecem é na tradução de Antoine Galland para o francês, no século 18. Acontece que o orientalista conheceu um viajante sírio, enquanto estudava obra, e este lhe contou as duas narrativas que acabaram se tornando parte da publicação. Pensando que o livro é fruto de narrativas orais dos povos árabes, o caso faz bastante sentido, não é mesmo?

As pequenas histórias são personagens de uma narrativa principal. O leitor acompanha o nascimento de cada uma delas pela boca da narradora. “É como se o livro todo encenasse sua concepção, real ou inventada”, explica o tradutor. Na publicação, Xariar, rei da Pérsia, descobre que foi traído por sua esposa. Convencido de que as mulheres não são dignas de confiança, ele passa a dormir cada noite com uma moça, matando-a na manhã seguinte. Após 3 anos, a filha do vizir, Sherazade, diz ao pai que quer ser levada como noiva ao rei, pois conhece um estratagema para não ser morta. No primeiro encontro, ela passa a contar histórias que sempre terminam a noite em suspense. Curioso para saber os capítulos seguintes, Xariar a poupa uma, duas, mil e uma noites, até que se dá conta que está apaixonado. Para Mamede, o livro propõe que a nossa humanidade reside em contar histórias.

E quem não gosta de ouvir uma boa narrativa? Já ouviu As Mil e Uma Noites? Conte suas experiências aqui nos comentários!

Até o próximo post!

Anna Rachel

 

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