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Programa global de empreendedorismo inspira meninas a seguirem carreira na área da tecnologia

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NOVA ESCOLA
Foto: Divulgação/Codegirl

Equipe PortMund, de Recife, representou o Brasil na final mundial do Technovation Challenge, com um jogo sobre o uso consciente da água. Foto: Divulgação/Codegirl

Você já parou para pensar por que existem tão poucas mulheres envolvidas com a tecnologia? O senso comum acredita que é por falta de interesse ou aptidão delas. O estereótipo de que “Matemática é para meninos” influencia desde cedo a maneira como as meninas enxergam as próprias capacidades, o que pode colaborar para que elas não escolham carreiras relacionadas à disciplina, como engenharia ou computação. Mas vários estudos mostram que isso não é verdade e que a escola tem um papel fundamental nessa questão.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), mostrou que as diferenças no desempenho acadêmico entre garotas e garotos não são determinadas por habilidades inatas. Segundo a publicação O que está por trás da desigualdade de gênero na Educação?, de março deste ano, “as meninas são mais propensas a expressar fortes sentimentos de ansiedade em relação à Matemática e isso é verdadeiro mesmo entre aquelas de desempenho elevado.”

Você, educador, deve perceber em sua turma que autoconfiança e bom desempenho estão relacionados. Ainda citando o estudo: “Quando os estudantes são mais autoconfiantes, eles se dão a liberdade de falhar, de se envolver nos processos de tentativa e erro que são fundamentais para a aquisição de conhecimentos em Matemática e Ciências.”

Isso explica outro dado relevante: um levantamento do projeto Girls Who Code mostrou que, nos primeiros anos escolares, 74% das meninas expressam interesse nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, mas apenas 0,4% delas escolhem estudar Ciência da Computação na faculdade. É desse contexto que surgiu o projeto Technovation Challenge. Criado em 2009 por uma engenheira dos Estados Unidos que gostaria de ver uma maior presença feminina na área, a iniciativa sem fins lucrativos é uma competição global de empreendedorismo voltada para garotas de 10 a 18 anos.

“Para mudarmos a realidade das mulheres na tecnologia, é preciso atuar durante a formação escolar, quando elas ainda não escolheram que carreira seguir. O projeto tenta quebrar a primeira barreira, que é da menina com ela mesma, de achar que não consegue e que aquilo não é para ela”, explica Christianne Poppi, diretora-executiva da iniciativa no Brasil.

Os resultados são muito interessantes. De acordo com a organização, depois do Technovation, em média, 70% das participantes fazem cursos relacionados à computação e 46% das adolescentes têm a intenção de se graduar em Ciência da Computação.

Como funciona o Technovation Challenge?
A competição permite a inscrição de grupos de 1 a 5 meninas nas divisões de Ensino Fundamental e Médio. Elas precisam desenvolver do zero um aplicativo de celular que resolva um problema social da comunidade e um plano de negócios, além de enviar dois vídeos, um com uma apresentação do projeto e outro com a demo de como funciona o aplicativo.

Embora não seja um requisito para inscrição, a ideia é que cada grupo tenha um mentor, que poderá atuar como facilitador do material didático disponibilizado no site. São 12 lições, uma para cada semana da competição, que abordam temas como programação, marketing, geração de receita e outros relacionados a empreendedorismo. “Elas passam por todo o processo de desenvolver uma startup”, resume Christianne. A equipe do Technovation recebe inscrições de pessoas interessadas em serem mentores e as conecta com os coordenadores. É aí que você entra, professor! Os coordenadores são responsáveis por recrutar as equipes, providenciar espaço para que possam trabalhar e supervisionam as participantes ao longo do programa.

Depois das etapas regionais e nacionais, as candidatas finalistas viajam para o Vale do Silício, nos Estados Unidos, e apresentam seu projetos para investidores na final mundial. O grupo que ficar em primeiro lugar recebe o prêmio de 10 mil dólares, além de apoio para lançar o aplicativo no mercado.

Na edição de 2015, o Brasil contou com 1.800 participantes, o que corresponde a 30% do total! E, na final, fomos representados pela equipe PortMund, de Recife. As garotas apresentaram o jogo The last drop, para conscientizar crianças sobre o desperdício de água, e ganharam menção honrosa. Quem venceu foi a equipe Charis, da Nigéria, que desenvolveu um aplicativo para reduzir o descarte impróprio de lixo. “Essas meninas mostram que se há um problema, você não precisa esperar alguém resolver para você”, conta Christianne. O recém-lançado documentário Code Girl registrou os bastidores dessa edição.

As inscrições para a próxima temporada estão abertas até 23 de abril de 2016 e devem ser feitas pelo site da competição. Lá, é possível baixar o material didático gratuitamente. Além disso,  as escolas podem entrar em contato com organização para agendar uma apresentação sobre a competição para professores, pais e alunas.

Veja um vídeo que acompanhou a trajetória de uma equipe da EMEF José de Alcântara, em São Paulo, na temporada 2015:

E aí, professores, o que acharam da iniciativa? Gostariam de participar?

Um abraço,
Iana Chan

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