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O que são recursos educacionais abertos?

POR:
NOVA ESCOLA

Crédito: Shutterstock

Oi, pessoal!

Buscar imagens, vídeos, textos e outros recursos na internet para usar em aula é uma prática muito comum entre educadores. Você sabia que o fato de esses materiais estarem disponíveis gratuitamente não significa que você pode usá-los como quiser? Sem a autorização expressa do autor, você não pode copiar, reutilizar ou remixá-los.

O especialista Célio Costa Filho, por exemplo, deu dicas sobre o uso de materiais protegidos por direitos autorais. As duas partes da conversa podem ser vistas abaixo:

Essa discussão sobre licenças de uso de conteúdo tem tudo a ver com recursos educacionais abertos (REA), um tema cada vez mais debatido na área da Educação. Você já ouviu falar nesse conceito? O termo foi adotado em 2002, em um fórum da Unesco, para designar conteúdos digitais de ensino, aprendizado e pesquisa que estão em domínio público ou publicados sob licença livre, que podem ser usados, adaptados e/ou distribuídos por qualquer pessoa. Vocês devem conhecer nossa ferramenta de planos de aula, que tem exatamente esse propósito.

Essa animação explica bem a ideia do REA:

Parceria da Open Knowledge Brasil (OKBr), o Instituto Educadigital (IED), o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (Nied) e a Escuela Superior Politécnica del Litoral (Espol).

Conhecimento ao alcance de todos
Os recursos educacionais abertos não vieram apenas para garantir uma distribuição “segura” e gratuita de conteúdos. Conversei com a jornalista Jamila Venturini, que coordenou a pesquisa Recursos Educacionais Abertos no Brasil: o campo, os recursos e sua apropriação em sala de aula, e ela me explicou que o princípio é a abertura e a colaboração. “A ideia de REA implica uma compreensão dos materiais didáticos como bens públicos e comuns dos quais todas as pessoas podem se beneficiar”, explicou.

Ela deu o exemplo de conteúdos que são traduzidos para outra língua e/ou adaptados ao contexto de determinado local. “Nesse sentido, eles colaboram para a efetivação dos direitos à Educação e cultura e podem beneficiar principalmente os grupos mais vulneráveis e que recebem menos apoio dos sistemas tradicionais”, contou.

REA como política pública
Nas discussões do Plano Nacional de Educação (PNE), em 2014, o conceito de recurso educacional aberto foi incluído nas estratégias da meta 7, que versa sobre a qualidade da Educação Básica:

7.11) Selecionar, certificar e divulgar tecnologias educacionais para a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas, com preferência para softwares livres e recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas.

Em agosto, participei de um fórum da ARede Educa que trouxe diversos especialistas para debater o tema (o evento foi gravado. Para assistir à íntegra, clique aqui). Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, falou sobre o modelo dos Estados Unidos, onde já foram destinados quase 2 bilhões de dólares para produção de materiais curriculares com licença aberta. “O principal objetivo dos órgãos governamentais é exatamente tornar o recurso público, ou seja, disponível para todos”, disse. Faz sentido, então, garantir que todo material didático comprado com tenha uma licença livre, para que outras pessoas tenham acesso a ele.

Desafios para o REA
Jamila fez questão de ressaltar que não existe solução milagrosa para a Educação. Isoladamente, os recursos educacionais abertos dificilmente transformarão as práticas docentes e a escola: é preciso que haja ampla participação social, principalmente da comunidade escolar. “Os REA podem ter um papel extremamente importante ao resgatar as dimensões da criação e do compartilhamento nas práticas escolares.”

Os educadores já utilizam e adaptam materiais encontrados na internet para suas aulas – a pesquisa TIC Educação 2013 mostrou que 96% de 1.987 professores e professoras da Educação Básica entrevistados fazem isso. Porém, a produção e o compartilhamento não acontecem na mesma medida: somente 21% publicam suas produções, segundo a mesma pesquisa.

“Nesse sentido, uma política pública capaz de valorizar a produção docente, apoiar e estimular sua publicação de forma livre seria extremamente potente, como mostraram experiências como o Folhas, do governo estadual do Paraná”, contou. O Folhas é um site que disponibiliza materiais produzidos por educadores paranaenses, vale a pena visitar.

A jornalista também afirma que, além do obstáculo da infraestrutura, a pesquisa identificou um desafio cultural. “Os professores não estão acostumados a se valorizarem e a serem valorizados como criadores e intelectuais. Por outro lado há ainda resistências e desconhecimento sobre o potencial pedagógico dessas tecnologias”, apontou. Tudo a ver com a fala do professor Nelson Pretto, da Faculdade de Educação da

No meu próximo post, vou reunir dicas de como encontrar Recursos Educacionais Abertos e como fazer para disponibilizar seus conteúdos.

E você? Já conhecia o conceito de REA? Já usou em sala de aula? Gostaria de compartilhar seu material para que outros educadores pudessem usá-lo e adaptá-lo? Divida suas experiências e opiniões conosco!

Um abraço,
Iana

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