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Blog de Leitura

Mergulhe no universo dos livros

Ana Cristina César: a poesia marginal no centro das atenções

POR:
Raissa Pascoal
Foto: Shutterstock

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Olá, tudo bem? Hoje, quem escreve aqui no blog sou eu, Raissa, editora-assistente do site de NOVA ESCOLA. Muito prazer! A Anna Rachel está às voltas com as mudanças no governo e com o novo ministro da Educação e Cultura, mas ela volta à ativa por aqui na semana que vem :)

Quero começar este texto com uma provocação.

Poesia marginal. Geração mimeógrafo. Ana Cristina César.

Essas palavras são familiares para você? Se não, este ano, você (e eu também) terá uma boa oportunidade de saber mais sobre o tema. Isso porque a poeta carioca Ana Cristina César (1952-1983), ou Ana C., como gostava de ser chamada, será a homenageada da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, de 2016, que acontece de 29 de junho a 3 de julho, em Paraty. Por quê? “Ana C. não está no cânone literário que estamos acostumados a ouvir sobre. Quando falamos de grandes autores da literatura brasileira, não é comum que ela seja citada. No entanto, colocando a poeta como homenageada deste ano, queremos corrigir isso e sublinhar a importância dela. Além disso, colocamos também em evidência a geração de 1970, a da poesia marginal e a última que se consagrou no cenário literário brasileiro”, me explicou Paulo Werneck, curador da Flip.

O nome “poesia marginal” destaca uma característica muito particular dos autores desse movimento, do qual fazem parte nomes como Cacaso, Francisco Alvim, Chacal, Torquato Neto e Paulo Leminski. Como eles viviam numa época complicada, em plena ditadura militar, o mercado editorial estava fechado para jovens autores críticos dos aspectos conservadores da sociedade. Então, muitos tinham que imprimir, divulgar e vender os próprios livros, num processo totalmente artesanal de produção.  Por essa razão, a geração também é conhecida como mimeógrafo. Sim, aquele equipamento que era usado para fazer cópias.

Ana C. só foi publicar um livro numa editora em 1982, um ano antes de sua morte. A obra, que recebeu o título de A teus pés, inclusive, foi a única que ela publicou em vida – o restante de suas publicações é póstumo. No entanto, apesar de sua obra ser curta, foi o suficiente para influenciar as gerações de poetas que vieram depois dela. “A teus pés fez a cabeça de uma geração inteira. Naquele momento, o comportamento e o estilo de vida estavam mudando, e a liberdade sexual estava sendo discutida”, contou Werneck. O curador também destacou as principais características de sua poética. “Nos poemas dela, tem uma coisa muito curiosa que é passar para as pessoas uma sensação de intimidade. Ela costuma usar um tom confessional. Mas quem acha que aquilo é um diário de uma menina se abrindo se engana. Ela dá essa impressão de confissão, mas aquilo é ficcional e nos sentimos totalmente atraídos por aquilo.”

Ana C. também foi uma grande leitora de nomes de peso do cenário literário brasileiro, como Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira. “Os poetas da poesia marginal foram intermediários entre esses autores e os escritores de agora. Eles leram a poesia de Drummond, por exemplo, de uma forma nova, ligada a uma nova concepção de cultura”, disse Werneck.

Para ajudar quem quer conhecer mais sobre a autora, perguntei para Werneck o que ele nos indicaria. “O livro Poética (Companhia das Letras, 504 págs. R$ 49,00), organizado pelo Armando Freitas Filho, que foi amigo pessoal da Ana C., é muito bom. Ele traz toda a produção da autora, com poemas inéditos, muitos textos de pessoas que conheceram ela. Dá para ter uma boa ideia de quem ela foi, quem ela interessou.” Mas a produção de Ana C. não para por aí. Também podemos ir atrás dos ensaios e estudos sobre literatura e das traduções que ela fez, principalmente da poeta americana Emily Dickinson (1830-1886).

Espero que este texto e as palavras do Paulo Werneck tenha dado um gostinho de quero mais sobre a Ana Cristina César. Eu, pelo menos, já estou buscando mais informações.

Até a próxima!

Raissa Pascoal

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