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Márcia Tiburi e o desafio de dialogar com quem não quer ouvir

POR:
Anna Rachel Ferreira

Foto: Shutterstock

Nesta semana voltamos com as colaborações no nosso blog e quem vai conversar com a gente é a Beatriz Santomauro, uma grande leitora, como nós, e que já tem nos ajudado no blog há algum tempo. Ela comenta o livro Como Conversar com um Fascista, da filósofa Márcia Tiburi (196 págs., ed. Record, tel.: 11/3286 0802, 42 reais). Confira abaixo!

livro marcia tiburi

A questão que abre esse post é o tema central do livro de Márcia. O tempo todo e com uma linguagem muito fluida, a autora nos provoca a refletir sobre o diálogo e sobre a falta dele. Já nos primeiros capítulos, é possível imaginar as pessoas que conhecemos e têm opiniões sempre muito formadas sobre determinados assuntos mas que, não necessariamente, são experts e muito menos estão abertas a impressões divergentes. Sujeitos que não reconhecem o outro. O que ela chama de fascista.

Porém, na busca por respostas para a pergunta-título, o livro nos guia a uma voltar as atenções para nós mesmos ao apresentar, a cada capítulo, reflexões da filósofa sobre temas que despertam emoções (seja ódio ou entusiasmo) e que urgem em serem dialogados. E, com isso, nos questionamos: Será que eu estou aberta a ouvir quem tem opiniões contrárias às minhas? Como eu converso com o ouro? Que linguagem utilizo?

Aborto, depressão, capitalismo e assédio sexual são alguns dos polêmicos assuntos. Mas não importa se você é a favor ou contra o que defende Marcia sobre eles. A autora não se propõe a convencê-lo, mas a permitir o advento do pensamento democrático, disposto a escutar e apto a argumentar com informação e respeito.

A forma como é construída a relação entre as pessoas na sociedade – e mais uma pitada sobre o livro – foram temas abordados na conversa realizada nesta semana entre a editora de Nova Escola, Fernanda Salla, e a autora, Marcia Tiburi. O resultado desse papo de mais de 1h30 você lê na entrevista que será publicada na edição de março da revista. E um trechinho desse papo você acompanha aqui:

“As pessoas não podem confundir dialogar com conversar. Essa é uma primeira questão. Quando eu escrevi o artigo que deu origem a esse livro, Como conversar com um fascista, eu estava preocupada com a impossibilidade de conversar em família. Vivi experiências concretas como todas as pessoas e imaginei, que esse discurso de preconceitos ocorre em muitos lugares. Tento evitar qualquer tipo de postura preconceituosa, mas isso não é o mesmo de passar o dia inteiro na rua tentando conversar com pessoas. Isso não quer dizer também que você tenha que ser simpática o tempo todo. Acho que nós podemos ser bastante diretos, com respeito. Devemos ser sinceros com elegância. Mas sobretudo respeito e responsabilidade em relação ao outro, em relação ao que se fala. Essa é a ideia que está na base desse livro, construído, digamos, em cima de um desejo de democracia.”

Espero que tenham gostado! Caso já tenham lido este livro ou algo sobre o tema, não se esqueçam de registrar nos comentários.

Até o próximo post!
Anna Rachel

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