Prova ABC revela problemas nos anos iniciais

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NOVA ESCOLA

Uma pesquisa divulgada recentemente aponta que os problemas de aprendizagem das crianças surgem logo nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Organizada pelo movimento Todos pela Educação, a Prova ABC mostra que, em 2010, apenas 48% dos alunos do 3º ano da rede pública aprenderam o que era esperado em leitura e só 42% em Matemática. Embora ruins, os resultados são melhores que os de estudantes que estavam no 5º ano em 2007 (confira o gráfico abaixo). É preciso, então, agir para que as dificuldades sejam sanadas e as crianças que estão começando seus estudos progridam. "Sabemos que, conforme avançam nas séries, os alunos têm pior desempenho. Queremos que os que hoje cursam o 3º ano aprendam bastante ao longo do tempo e não cheguem ao 5º em defasagem", diz Ruben Klein, especialista em estatísticas sobre desempenho educacional da Fundação Cesgranrio, uma das instituições responsáveis pela elaboração da pesquisa.

Alunos que aprenderam o que era esperado

Alunos que aprenderam o que era esperado. Fotos Dercilio e Gustavo Lourenção
Fonte Todos pela Educação, com base em dados da Prova ABC 2010 e do SAEB 2007


Analfabetismo

793 milhões É o total de pessoas no mundo que não sabem ler e escrever.

Fonte Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)


Educação como direito

Michaela Carli Gomes. Foto: Comunicação MP-SP

Michaela Carli Gomes é promotora do Grupo de Atuação Especial de Educação, do MP-SP

Por que foi criado um grupo dedicado exclusivamente à Educação no Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP)?
A intenção é dar mais atenção às denúncias sobre Educação, que antes eram tratadas junto com questões ligadas à infância e à juventude.

Quais ações estão em curso?
Estamos apurando a evasão escolar em bairros da Zona Leste de São Paulo. Entramos em contato com Secretarias de Educação, diretorias de ensino e escolas para saber quantos alunos deixaram as salas de aula e o que foi feito para combater o problema. Queremos solucionar a questão em até 360 dias, prazo máximo do inquérito.

Quais os próximos passos?
A ideia é expandir as atividades em parceria com outros órgãos do poder público e ampliar as investigações em âmbito municipal e estadual.


Avaliação e bônus 
Indicador alia desempenho e condições socioeconômicas

A prefeitura de São Paulo criou o Índice de Qualidade da Educação (Indique), uma métrica que alia os resultados dos estudantes na Prova São Paulo e as condições sociais e econômicas da escola para calcular gratificações. O indicador conta também com novas regras para evitar distorções nos dados: os alunos que não participam da avaliação recebem uma nota zero, que é incluída no cálculo da média da escola.


Calvin

Calvin

Toda semana, uma nova tirinha sobre Educação com Calvin e seus amigos


Na internet 

sic.inep.gov.br. No portal, dados sobre Educação nos países da América Latina.


Censo 2011 
Caem matrículas de 1º a 9º ano

Caem matrículas de 1º a 9º ano
*em milhões. Fonte: Ministério da Educação (MEC)

Dados preliminares mostram pequeno aumento nas matrículas da Educação Infantil e queda nas de Fundamental.


Aumento da carga horária 

A notícia Em setembro, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a intenção de ampliar a carga horária das escolas públicas de modo que os estudantes permaneçam nelas uma hora a mais por dia. A medida é baseada na ideia de que manter o aluno mais tempo na sala de aula necessariamente faz com que ele aprenda mais.

A opinião "Pesquisas comprovam que o aumento da jornada só é positivo se significar uma maior quantidade de aulas, e não a ampliação da duração delas. Além disso, é preciso estar atento à maneira como o tempo será usado. Só faz sentido ampliar a carga horária se ela for aproveitada para atividades acadêmicas que contribuam com o aprendizado, como aulas de reforço escolar."

Cristine Campos de Xavier Pinto, pesquisadora de Economia Aplicada à Educação da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.


Educação e etnia 
Acesso à escola melhora, mas desigualdades ainda são grandes

Acesso à escola melhora, mas desigualdades ainda são grandes
Fonte: IBGE

Em todas as etnias da população brasileira, é possível observar que o acesso à Educação tem melhorado. O abismo entre negros e brancos com 15 anos ou mais, no entanto, ainda é grande. A pesquisa Características Étnico-raciais da População, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, enquanto 23% dos brancos estudaram 12 anos ou mais, apenas 9% dos negros alcançaram o mesmo tempo de escolaridade (veja o gráfico). "Como o Ensino Fundamental é obrigatório, o acesso a essa etapa é garantido a todos. No Ensino Médio e no Superior, ainda se vê um gargalo vinculado à cor dos estudantes", diz o coordenador da pesquisa, José Luís Petruccelli.


Inclusão 
Cresce o número de surdos em escolas regulares
 
Segundo o Censo Escolar 2010, em dois anos o número de alunos surdos em escolas regulares aumentou 30%. Isso não significa, porém, que as redes estejam prontas para recebê-los. Segundo Maria Cristina da Cunha Pereira, linguista da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic), há cuidados importantes que nem sempre são tomados. "Muitas vezes, a escola supõe erroneamente que a criança conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras), por exemplo, e simplesmente a coloca frente ao intérprete", diz ela. Acesse.


Plano Nacional de Educação 

O prazo para a aprovação da proposta é novembro, mas, até o fechamento desta edição, a análise das emendas não havia terminado.

NOVA ESCOLA vai acompanhar o PNE até a sua aprovação


Merenda 
Como evitar o desvio e o mau uso dos recursos
 
Nos últimos meses, surgiram diversas denúncias sobre problemas relativos à merenda nas escolas brasileiras. Segundo a Controladoria Geral da União (CGU), os recursos destinados à área são muito pulverizados entre os estados e os municípios e é difícil controlá-los em âmbito federal. "Uma alternativa é a própria sociedade fiscalizar os gastos governamentais por meio dos Conselhos Municipais do Programa Nacional de Alimentação Escolar", orienta José Gustavo Lopes Roris, diretor de auditoria da área social da CGU. Os estados, o Distrito Federal e os municípios são responsáveis por garantir a existência dos conselhos, que têm caráter fiscalizador e deliberativo. Cabe à população participar deles.

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