Indicadores de Educação baixam IDH do Brasil

POR:
Bianca Bibiano, NOVA ESCOLA, Bruna Nicolielo
IDH na América Latina. Ilustração: Mario Kanno
IDH na América Latina

Os indicadores educacionais puxaram para baixo a colocação do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O país ficou na 73ª posição entre 169 países avaliados (veja o gráfico à direita). Nossa classificação no ranking é pior do que a de outros países sul-americanos, como o Chile e o Peru, devido a fatores como anos de escolaridade. A população brasileira adulta registra 7,2 anos de estudo, enquanto a do Chile tem 9,7, e a do Peru, 9,6. Segundo Flávio Comim, coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro, nações como o Peru podem ser mais pobres, mas vão melhor que o Brasil quando o assunto é o sistema educacional. "Para avançarmos, é necessário diminuir a evasão, o abandono e a repetência."

Fonte Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2010


943 milhões de dólares é quanto a violência nas escolas brasileiras pode custar aos cofres públicos.

Fonte Estudo Plan International e Instituto Overseas Development


Ontem e hoje - Educação integral

Foto: Acervo do Memorial do Ensino Municipal de São Paulo

A foto, tirada na década de 1940, em São Paulo, mostra alunas de uma escola integral na aula de bordado. Não há dados oficiais, embora estudos da época indiquem que eram menos de 1%. Hoje, 70 anos depois, o avanço foi mínimo: elas representam 5% do total, segundo levantamento recente do Ministério da Educação (MEC).


Parceria
Projeto internacional

A iniciativa Campo Sustentável, um dos vencedores no Prêmio Microsoft Educadores Inovadores, serviu de inspiração para um projeto semelhante em uma escola na Cidade do Cabo, África do Sul. Com uma estrutura de 140 computadores, os educadores sul-africanos conseguiram ajudar a população de uma região isolada a se conectar na rede mundial. Os estudantes foram estimulados a pesquisar sobre a produção agrícola local nas máquinas e assim estão ajudando as famílias, que vivem da agricultura. "Visitei a Cidade do Cabo para uma das etapas do prêmio e conheci educadores que se encantaram com a ideia", diz Edilene Rodrigues, autora do projeto original.


Analfabetismo
Índice cai, mas diferenças regionais persistem

Analfabetismo: índice cai mais no nordeste. Ilustração: Mario Kanno
Analfabetismo Índice cai mais no nordeste

A taxa de analfabetismo da população brasileira tem diminuído gradativamente, mas não o suficiente para elevar o nível educacional no país. É isso o que revela o mais recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O documento intitulado Primeiras Análises: Situação da Educação Brasileira - Avanços e Problemas mostra que, ainda que a média de anos de estudo tenha subido, o país ainda tem 9,7% da população analfabeta, ou seja, cerca de 14 milhões de pessoas. De 1992 a 2009, esse número teve uma queda de 7,5 pontos percentuais, mas isso não se deu de maneira igualitária em todo o país. A diminuição mais acentuada ocorreu no Nordeste, cuja população analfabeta passou de 32,7% em 1992 para 18,7%, em 2009. "Essa região teve um impacto maior causado pelas políticas públicas destinadas à redução do analfabetismo, principalmente nos grupos de idade mais avançada, como programas de alfabetização. Ainda assim, o Nordeste concentra um número de analfabetos maior que a média nacional", explica Jorge Abrahão de Castro, diretor da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do IPEA. No estudo, chama a atenção também a estagnação do indicador nas demais regiões do país (abaixo).

Fonte Primeiras Análises: Situação da Educação Brasileira - Avanços e Problemas


Aprendizagem
Ingredientes para o bom ensino

Em sua coluna na revista Veja, o economista Gustavo Ioschpe ressalta aspectos para a melhoria da Educação. O tripé defendido por ele (veja abaixo) já é consenso entre os especialistas.

- Formação docente
"A formação inicial e continuada é fundamental. E a importância dela já está sendo considerada pelo Ministério da Educação (MEC), que discute medidas para que mais tempo dos professores seja dedicado ao estudo."
Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA.

- Lição de casa
"A tarefa de casa precisa ter sentido para o aluno. Pesquisas e estudos de campo são bons caminhos desde que sejam retomados e debatidos em sala." 
Luiz Carlos Menezes, colunista da revista NOVA ESCOLA e professor da Universidade de São Paulo (USP).

- Uso eficiente do tempo em sala
"Gasta-se muito tempo com atividades desnecessárias. O professor precisa se perguntar se há um modo mais eficiente de tratar as atividades básicas, como a chamada e a entrega de materiais."
Lino de Macedo, professor da USP.


Calvin

Calvin

Toda semana, uma nova tirinha sobre Educação com Calvin e seus amigos


Na internet 

Comunidade global (em inglês) de mais de 250 mil voluntários na qual é possível monitorar o aparecimento de novas estrelas. Basta se inscrever e instalar um programa simples de computador. Interessante para professores que trabalham com Astronomia.


3 perguntas
Paulo Tatit

É vocalista do grupo Palavra Cantada, que excursiona com o show Brincadeiras Musicais e agora lança um livro-CD com o mesmo tema.

Foto: Arnaldo J. G. Torres

Que músicas apresentar?
A criança precisa conhecer todo tipo de música: estrangeiras, de roda etc.

Que ritmos podem ser inseridos?
Os tipicamente brasileiros, como a congada, a marcha, o maracatu e o samba são essenciais para a ampliação do repertório dos pequenos.

Como fazer isso?
Brincadeiras que trabalham com a marcação do tempo, como as que usam instrumentos de percussão, são caminhos muito interessantes.


Pesquisa
Discurso cristalizado culpa famílias

Novas configurações familiares são vistas pelos educadores como uma influência negativa, constatou Márcia Maria dos Santos, que defendeu um mestrado sobre o tema na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). "Infelizmente, os educadores ainda relacionam bons e maus alunos ao seu tipo de constituição familiar. Esse estigma precisa ser revisto", afirma a pesquisadora.

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