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07 de Março de 2018 Imprimir
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Desvendando Piaget

Por: Beatriz Santomauro, NOVA ESCOLA, Nina Pavan
Foto: Marcelo Kura
Foto: Marcelo Kura

Os 17 textos que compõem o livro Ensaios Construtivistas (172 págs., Ed. Casa do Psicólogo, tel. 11/3034-3600, 31 reais) conduzem o leitor a uma contínua e aprofundada compreensão das relações essenciais entre Educação escolar (que tem professores como seus principais porta-vozes) e processos de aprendizagem (que correspondem ao desenvolvimento de alunos).

Os ensaios se originaram em cursos ministrados por Lino de Macedo, professor dedicado às complexas relações entre Psicologia e Educação. O trabalho de Jean Piaget (1896-1980) é a referência para todos os textos e acaba por sempre nos remeter à razão da existência da escola: as crianças. Como afirma Macedo, "crianças e natureza entram aqui como aqueles que possuem o saber, o que implica termos que recorrer a elas de modo sistemático e consistente para a construção de um conhecimento científico".

No capítulo Construtivismo e Prática Pedagógica, o autor nos indaga: "Por quê, ao menos provisoriamente no cotidiano da sala de aula, não invertemos as coisas? Ou seja, damos estatuto de conceito ao que dizem as crianças e estatuto de noção ao que dizem os autores?" Pergunta que nos leva a tomar consciência de que o ensino segue a aprendizagem e não o inverso, como praticávamos antes da década de 1980. O autor reitera que ser construtivista é interagir e aperfeiçoar-se. Sendo assim, como educadores nos relacionamos com crianças e conhecimentos e nos tornamos melhores.

No capítulo Método Clínico de Piaget e Avaliação Escolar, outros questionamentos vêm à tona: como formular atividades didáticas que propiciem aos alunos crenças desencadeadas (ou, em outras palavras, quando a criança responde refletindo com os próprios recursos, sem a sugestão dos adultos) e crenças espontâneas (quando a criança não sente necessidade de raciocinar sobre determinada questão porque aquele saber já é patrimônio de sua conduta)? Uma possível resposta: seguindo o sugerido por Lino de Macedo, ao afirmar que amor e conhecimento são formas de relações qualificadas com as coisas, compreendemos que um caminho na vida é trazer as coisas para dentro de nós, aprendendo com nossas próprias experiências e vivências.

Sobre o autor O pedagogo Lino de Macedo é doutor em Psicologia e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Jean Piaget, na Psicologia Aplicada à Educação e nos jogos infantis.

Monique Deheinzelin, autora desta resenha, é coordenadora de Ciências na Escola Comunitária de Campinas, a 100 quilômetros de São Paulo. Publicou Construtivismo, a Poética das Transformações (Ed. Ática), entre outros livros.

Clássico do mês 

Trecho do livro

"Outro reexame a que a posição construtivista pode nos encaminhar decorre da própria questão psicológica. Em que nível estamos exigindo uma avaliação do erro da criança? Muitas vezes ficamos frustrados por não poder ajudar a criança, por exemplo, a escrever bem. Voltemos à metáfora do objeto físico: a criança interage com ele dentro de suas possibilidades e necessidades. Além disso, vai enriquecendo (por diferenciação e integração) essas possibilidades e necessidades até chegar a um nível correspondente ao de um professor de Física, por exemplo, que tem uma conceituação precisa sobre a natureza, a mecânica etc. Por que essa psicogênese não pode valer para objetos da cultura? Essa questão nos remete ao problema do livro didático. Por um lado é exigido da criança que escreva ortograficamente bem, independente de seu nível. Por outro, é exigido que os textos didáticos sejam sempre acessíveis à (ou complacentes com a) criança."

De 8 de fevereiro a 8 de março, quem entrar em contato com a Editora Casa do Psicólogo e mencionar a parceria com NOVA ESCOLA ganhará 25% de desconto na compra de um exemplar.

Biblioteca viva

Já pensou em receber pelo correio uma biblioteca inteira, com estantes repletas de livros? Essa é a premissa do projeto Mala do Livro (tel. 61/ 3325-6223), criado em 1990 na cidade de Samambaia, no Distrito Federal, que faz parte do programa Biblioteca Domiciliar, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura. O projeto age em duas frentes: de um lado, oferece trabalho aos detentos ligados à Fundação de Amparo ao Preso, que manipulam caixas de madeira e as transformam em uma estante com capacidade para até 200 obras. De outro lado, encontra parceiros que doam livros. Hoje, há mais de 500 dessas estantes nas casas de Agentes Comunitários da Leitura. A iniciativa, que já atinge 1 milhão de leitores, deu tão certo que vem sendo replicada em outros estados.